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Adrian Albala: Lula terá de ampliar espaço para aliados para governar

Para o especialista o novo mandato exigirá negociação com partidos do Centrão, enquanto derrota de Flávio Bolsonaro abre disputa pelo futuro da direita

 26/10/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF -   CB.Poder entrevista Adrian Albala, professor do Instituto de Ciência Política da UnB. -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
26/10/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - CB.Poder entrevista Adrian Albala, professor do Instituto de Ciência Política da UnB. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais abre um novo cenário político para o Brasil, mas impõe desafios ao presidente reeleito na relação com um Congresso Nacional mais conservador.

Em entrevista aos jornalistas Carlos Alexandre  e Sibele Negromonte durante o CB.Poder, parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, nesta segunda-feira (26/10), o professor Adrian Albala, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), avaliou que Lula precisará ampliar o espaço de partidos aliados no governo para conseguir aprovar propostas. Segundo o cientista político, a oposição do PL e a necessidade de negociar com legendas do Centrão devem marcar o próximo mandato. “Se Lula quer aprovar qualquer tipo de coisa, ele vai ter que deixar menos espaço ao PT. Isso é fato”, afirmou.

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Albala ponderou que, apesar da força da direita no Congresso, a composição da Câmara dos Deputados não é inteiramente bolsonarista. Partidos como PSD, PP e MDB mantêm espaço para negociações e podem contribuir para a governabilidade, embora a relação com o governo tenha um custo político. “O PL faça uma oposição franca ao Lula 4 e Lula 4 vai ter que dialogar com esses partidos que não são totalmente alinhados ao PL”, explicou. Para o professor, essas legendas devem buscar participação na estrutura do Executivo em troca de apoio no Legislativo. 

A negociação, também deverá alcançar a composição ministerial. O professor observou que o governo atual já conta com integrantes de partidos que não são o PT, mas avaliou que a próxima gestão poderá exigir uma distribuição maior de espaços entre aliados. Na avaliação dele, áreas estratégicas, como a articulação política e a economia, podem passar por mudanças para facilitar a relação com o Congresso. “Particularmente, a articulação política, que sempre ficou a cargo do PT”, afirmou.

Albala também mencionou a possibilidade de nomes mais próximos do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganharem espaço na condução econômica. Além de garantir apoio às propostas, Lula precisará considerar a sucessão política e construir lideranças capazes de dar continuidade ao projeto de governo.

 Em relação ao questionamento do resultado pelo candidato derrotado, o professor avaliou que a contestação era previsível diante do histórico de críticas do bolsonarismo às instituições eleitorais. Para ele, os episódios envolvendo decisões judiciais durante o processo deram argumentos à oposição para alimentar dúvidas sobre a legitimidade da votação, embora o próprio campo bolsonarista também tenha solicitado mudanças relacionadas ao horário eleitoral.

A derrota de Flávio Bolsonaro também abre uma disputa sobre o futuro da direita e a liderança do bolsonarismo. Albala avaliou que o movimento ultrapassa a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas considerou que a família pode perder espaço na condução política desse campo.Segundo ele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece como um dos nomes que podem assumir protagonismo, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também podem entrar na disputa. “A disputa vai estar aberta”, afirmou.

Para o professor, o próximo período será marcado tanto pela tentativa de Lula de construir uma base parlamentar capaz de sustentar o governo quanto pela reorganização da oposição após a derrota presidencial. O equilíbrio entre negociação política, distribuição de espaços e articulação com o Congresso será decisivo para definir os limites de atuação do novo mandato.

Veja a entrevista completa:

 

 

 

 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

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postado em 26/10/2026 17:18
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