ELEIÇÕES 2026

Lula e Flávio miram mesmos redutos para encurtar distâncias

Petista aposta na agenda social e econômica do governo e na presença de aliados regionais enquanto o candidato do PL busca associar sua campanha a lideranças da direita nos estados, especialmente no Sudeste

A poucos dias do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passaram a disputar votos praticamente nos mesmos territórios. As duas campanhas concentraram esforços no Nordeste e, principalmente, no Sudeste, numa estratégia que combina a tentativa de preservar redutos próprios com incursões em áreas onde o adversário tem maior força eleitoral.

O movimento ficou mais evidente nas últimas semanas. Flávio fez um giro pelo Nordeste, com agendas planejadas ou realizadas em estados como Ceará, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Maranhão. A leitura da campanha é de que diminuir a diferença para Lula na região pode reduzir uma das principais vantagens eleitorais do petista. Depois, o senador voltou as atenções ao Sudeste, onde busca consolidar seu desempenho, sobretudo em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Lula percorreu caminho semelhante, mas com uma lógica inversa. O presidente reforçou a presença no Nordeste, onde historicamente concentra parcela importante de seus votos, ao mesmo tempo em que avançou sobre o Sudeste. Nos últimos dias, passou por estados como Ceará e Bahia e intensificou compromissos em Minas Gerais. A campanha petista também prepara o fechamento da corrida eleitoral em São Paulo.

Na prática, os dois candidatos tentam encurtar distâncias onde estão atrás e ampliar vantagens onde aparecem em melhores condições. Em São Paulo, Lula tenta reduzir a diferença em relação ao adversário. Flávio, por outro lado, aposta no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e em outros aliados locais para fortalecer sua votação no maior colégio eleitoral do país.

É em Minas Gerais, porém, que os mapas das duas campanhas mais se cruzam. Segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores, o estado ganhou espaço nas agendas de Lula e Flávio nos últimos dias. Nesta semana, o petista incluiu compromissos em território mineiro, enquanto o candidato do PL programou para sexta-feira (2/10) uma carreata em Montes Claros, no Norte do estado, ao lado do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

O interesse não ocorre por acaso. A disputa mineira aparece apertada nas pesquisas estaduais, e a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro em Minas no segundo turno de 2022 foi de cerca de 50 mil votos. Agora, as duas campanhas voltaram a tratar o estado como terreno para buscar eleitores fora de seus núcleos mais consolidados.

A estratégia também reflete a redução da distância entre Lula e Flávio nas pesquisas nacionais. No Datafolha divulgado em 24 de setembro, o presidente apareceu com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador registrou 36%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais. Uma nova rodada do instituto, feita entre 28 de setembro e esta quinta-feira (1º), será divulgada ainda hoje.

Além da disputa territorial, cada lado tenta mobilizar seus próprios ativos políticos. Lula aposta na agenda social e econômica do governo e na presença de aliados regionais. Flávio busca associar sua campanha a lideranças da direita nos estados, especialmente no Sudeste. Em São Paulo, esteve ao lado de Tarcísio; em Minas, aposta na capilaridade eleitoral de Nikolas Ferreira; e, no Rio de Janeiro, mantém a força política construída pela família Bolsonaro.

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