Brasil x EUA

Suspensão de serviços dos EUA no Brasil foge do padrão e tem poucos precedentes

Historicamente, paralisações dessa dimensão estiveram associadas, sobretudo, a ameaças terroristas

A decisão dos Estados Unidos de suspender, nesta sexta-feira (2/10), os serviços consulares em todas as representações diplomáticas no Brasil, às vésperas das eleições, foge do padrão adotado por Washington em episódios semelhantes nas últimas décadas. Historicamente, paralisações dessa dimensão estiveram associadas, sobretudo, a ameaças terroristas ou riscos concretos à segurança de instalações norte-americanas no Oriente Médio, no Norte da África e em partes da Ásia.

No Brasil, a interrupção alcança a Embaixada dos EUA em Brasília e os consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. O comunicado norte-americano cita apenas “questões de segurança”, sem detalhar a natureza do risco nem estabelecer prazo para a retomada dos atendimentos. Norte-americanos que necessitem de assistência emergencial foram orientados a não comparecer às instalações e procurar os oficiais consulares de plantão. 

Segundo uma fonte do Planalto, a amplitude da decisão chama atenção justamente quando comparada ao histórico desse tipo de medida. Em outubro de 2020, por exemplo, Washington suspendeu temporariamente serviços consulares na Turquia depois de receber informações consideradas confiáveis sobre possíveis atentados e sequestros contra cidadãos norte-americanos e estrangeiros em Istambul. Na ocasião, o alerta mencionava inclusive a possibilidade de ataque ao Consulado-Geral dos EUA na cidade.

Auxiliar das Relações Exteriores do Brasil lembra que o contexto turco era marcado por um histórico recente de terrorismo. Entre 2015 e 2017, o país havia sido alvo de atentados atribuídos ao Estado Islâmico e a grupos militantes curdos. Em janeiro de 2017, um ataque a uma casa noturna em Istambul deixou 39 mortos e foi posteriormente reivindicado pelo Estado Islâmico. Ou seja: além de localizada e temporária, a suspensão de 2020 veio acompanhada de uma explicação pública sobre a natureza da ameaça.

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