O cancelamento do debate presidencial da TV Globo abriu uma nova frente de disputa na reta final da campanha. O candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL), pretende transformar a sequência de decisões judiciais que alterou as regras do programa em munição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra integrantes do Judiciário. O episódio envolve a ação apresentada pela coligação de Lula para impedir a exibição do púlpito vazio reservado ao presidente e a decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, que acolheu o pedido.
Segundo interlocutores ouvido pelo Correio, o candidato do PL deverá explorar o assunto nos últimos dias antes da votação, principalmente a atuação de Estela Aranha. A avaliação dentro do entorno da campanha é que o episódio oferece a Flávio a possibilidade de retomar uma pauta que já faz parte de seu discurso: a acusação de que decisões do Judiciário estariam interferindo na disputa eleitoral.
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A decisão de Estela foi tomada depois de uma representação da coligação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e Rede. A ministra determinou que a Globo não exibisse de forma destacada o púlpito destinado a Lula e também impediu a dinâmica que permitiria aos demais candidatos dirigir perguntas ao presidente durante sua ausência. Na avaliação apresentada na liminar, a regra poderia produzir efeitos negativos sobre o candidato que optasse por não participar e funcionar como uma forma de pressioná-lo a comparecer ao debate.
Lula havia informado que não participaria do encontro e, no horário previsto para o debate, participou de entrevista ao Flow Podcast. Flávio, que inicialmente havia confirmado presença na Globo, também desistiu depois da decisão do TSE. Em seguida, criticou a medida e afirmou que Lula utilizaria “seus amigos no Judiciário” para impor censura ao debate.
A trajetória de Estela Aranha passou a ser explorada politicamente após a decisão. Antes de chegar ao TSE, ela ocupou cargos no governo Lula, entre eles o de secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, durante a gestão de Flávio Dino, e também atuou como assessora especial da Presidência. Ela foi nomeada para o TSE em 2025. Em 2022, ainda na condição de advogada, declarou publicamente voto em Lula.
É justamente essa combinação que a campanha de Flávio pretende levar para os últimos dias da eleição: uma ação apresentada pela coligação de Lula, uma decisão favorável ao pedido e o histórico público da ministra que tomou a decisão. O objetivo político é apresentar os episódios como parte de uma mesma narrativa sobre a relação entre Lula e instituições do sistema de Justiça.
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