CB. PODER

Eleições 2026: Celina chega ao segundo turno com vantagem sobre Grass

Governadora ficou a cerca de mil votos da vitória no primeiro turno. Analistas avaliam disputa no DF e avanço da direita no Congresso

A eleição para o governo do Distrito Federal será decidida no segundo turno entre a governadora Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT). Celina terminou a primeira etapa com 49,93% dos votos válidos e ficou a cerca de mil votos da vitória, enquanto Grass chegou a aproximadamente 35%.

O resultado foi analisado nesta segunda-feira (5/10) no CB.Poder, parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, pelas jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, que receberam Alexandre Garcia, CEO da Opinião Inteligência Política, e Carlos André Machado, diretor de negócios da empresa. Alexandre afirmou que o crescimento de Grass na reta final surpreendeu, principalmente pela força da base petista. “Nós esperávamos que Celina tivesse consolidado sua eleição ontem, ao final do primeiro turno”, disse.

Para Carlos André Machado, a vantagem de Celina torna difícil uma virada de Grass em apenas duas semanas de campanha. “Subir o que ele precisa subir em duas semanas é uma tarefa muito difícil”, avaliou. Segundo ele, o petista venceu no Plano Piloto, enquanto a governadora teve vantagem nas demais regiões do DF. Os votos de Paula Belmonte, Kiko Caputo e Capelli passam a ser disputados pelos dois candidatos, mas os analistas ressaltaram que não é possível prever uma transferência integral. Alexandre avaliou que Grass deve crescer, mas precisaria conquistar uma parcela significativa dos votos dos demais concorrentes para superar Celina. “Eu acho que a Celina está com muita vantagem ainda”, afirmou.

O resultado do DF ocorre em meio a uma mudança na composição do Congresso. O PL foi o partido que mais cresceu, passando de 108 para 149 parlamentares entre Câmara e Senado. Na Câmara, avançou de 99 para 121 deputados e, no Senado, de nove para 28 cadeiras. Também cresceram as bancadas da Federação Brasil da Esperança, Republicanos, Podemos, PSB e Novo. A Federação União Progressista teve a maior redução, passando de 126 para 98 parlamentares. No Senado, 54 das 81 cadeiras foram disputadas neste ano, enquanto 27 senadores eleitos em 2022 permanecem com mandato até 2031. Na Câmara, as 513 vagas foram renovadas.

A nova composição do Legislativo também levou os analistas a discutir o papel do Supremo Tribunal Federal no cenário político. Para Alexandre Garcia, o resultado das urnas demonstra principalmente um movimento de mudança. “Eu acho que o sentimento de mudança é o ponto mais relevante aqui no momento”, afirmou. Ele avaliou que a atuação do STF nos últimos anos pode ter mobilizado parte do eleitorado de direita e que, mesmo com uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, a nova composição do Congresso poderá dificultar a governabilidade.

Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado, Jair Renan conquistou uma vaga na Câmara e Flávio Bolsonaro avançou para o segundo turno na disputa presidencial.

Para Alexandre, o resultado não representa apenas uma reação à condenação de Jair Bolsonaro pelo STF, mas também um desejo de mudança. Ele avaliou, porém, que a percepção sobre a atuação do Supremo pode ter influenciado parte do eleitorado. No DF, a disputa continua aberta, mas Celina inicia o segundo turno com vantagem sobre Grass e terá duas semanas para buscar os votos que faltaram para confirmar a vitória no primeiro turno.

Assista a entrevista completa:

 

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Gonçalves 

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