Eleições 2026

Camilo acusa Meta de desequilibrar eleição em favor de Flávio

Ex-ministro afirma que falhas no Instagram prejudicam campanha digital de Lula e anuncia medidas no TSE e na ANPD; petista também cobra explicações de adversário sobre investigações envolvendo o INSS

O ex-ministro da Educação Camilo Santana, que passou a integrar a coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou neste sábado (10/10) a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, de provocar um desequilíbrio na disputa presidencial.

Segundo o petista, uma sequência de falhas na plataforma prejudicou a divulgação de conteúdos da campanha governista em um momento decisivo do segundo turno. O partido anunciou que tomando “todas as medidas cabíveis” junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Camilo afirmou que os problemas ocorrem a 15 dias da votação, marcada para 25 de outubro, e cobrou transparência da empresa. Para ele, as falhas podem comprometer a capacidade da campanha de levar suas propostas aos eleitores. “Ele reconhece o erro, mas não justifica e continua cometendo novos erros, e nós estamos há 15 dias das eleições”, declarou, ao defender a apuração dos episódios.

O ex-ministro negou que a campanha tenha enfrentado dificuldades por uma estratégia digital malsucedida no primeiro turno. Na avaliação dele, o desempenho nas redes sociais foi positivo, e as restrições recentes levantam suspeitas de uma tentativa de enfraquecer a candidatura de Lula.

“Ao contrário, a campanha do presidente Lula teve sucesso nas redes sociais, na campanha digital. É tanto que essa tentativa de interferir é exatamente para tentar desestabilizar e desequilibrar a campanha do governo Lula e a disputa eleitoral”, afirmou.

A denúncia foi apresentada inicialmente pelo secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares. Segundo ele, a conta de anúncios de Lula ficou fora do ar durante o primeiro turno e, nesta semana, publicações do presidente sofreram interrupções no registro de visualizações.

O partido também relatou que o perfil do petista ficou temporariamente impedido de impulsionar conteúdos no feed do Instagram. A Meta teria atribuído os episódios a problemas técnicos, mas, segundo os dirigentes, não apresentou esclarecimentos considerados suficientes pela campanha.

Meta nega acusações

Em nota, a Meta classificou as acusações da campanha de Lula como “simplesmente falsas” e afirmou que elas não encontram respaldo nos fatos.

“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, declarou a empresa.

Ofensiva contra Flávio

Além de questionar a atuação da plataforma, Camilo direcionou críticas ao adversário de Lula na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL). O ex-ministro afirmou que a campanha petista pretende ampliar a divulgação de temas que, segundo ele, precisam ser conhecidos pelos eleitores, como a escala de trabalho 6x1, as apostas on-line e os possíveis efeitos de cortes em programas sociais.

“Ele não quer que o povo brasileiro saiba que ele é a favor da manutenção da escala 6x1”, afirmou Camilo. O petista também sustentou que a campanha de Lula pretende defender a ampliação de políticas sociais e a redução das desigualdades. As críticas integram a estratégia do PT de contrastar as propostas dos dois candidatos na reta final da eleição. 

Mais Lidas