
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a ofensiva jurídica contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus aliados na reta final do segundo turno. A Coligação Brasil Pronto Pra Mais acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma série de representações que apontam desde uma suposta manipulação do alcance de publicações favoráveis ao petista até um esquema de remuneração em criptomoedas para impulsionar conteúdos ligados ao adversário.
Uma das principais frentes mira a Meta, responsável pelo Facebook e Instagram. Segundo a coligação, publicações favoráveis a Lula ou críticas a Flávio teriam sofrido redução significativa ou até interrupção do engajamento. A campanha sustenta que os relatos levantam suspeitas sobre o tratamento dado pelas plataformas aos conteúdos políticos e pede que o TSE determine critérios isonômicos na distribuição das publicações, sob o argumento de que uma eventual restrição injustificada poderia comprometer o equilíbrio da disputa presidencial.
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Outra ofensiva tem como alvos Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar, Pablo Marçal e os responsáveis pelo projeto de criptomoedas Brasil 22 Token (B22). A campanha petista suspeita de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação para favorecer o senador. Segundo a ação, o projeto oferece 30 mil tokens às primeiras mil pessoas que divulgarem a iniciativa nas redes sociais. A representação também menciona um perfil estrangeiro com 12,9 milhões de seguidores que teria recebido 120 milhões de tokens e publicado um vídeo de crianças ugandenses pedindo votos no número 22. O site do B22 nega que a distribuição das moedas esteja condicionada à propaganda eleitoral.
Diante das suspeitas, a coligação pede a suspensão do domínio eletrônico, o encerramento da distribuição dos ativos virtuais e a remoção das publicações. Na ação de investigação judicial eleitoral, solicita ainda a cassação do registro de candidatura ou do diploma de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, além da inelegibilidade dos dois e de Marçal por oito anos. Os fatos também foram encaminhados à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para apuração de possíveis crimes eleitorais.
A campanha também acionou a Corte Eleitoral contra Marçal por um vídeo editado que, segundo a representação, retira de contexto uma conversa de 2016 entre Lula e Eduardo Paes para atribuir ao presidente uma declaração ofensiva aos evangélicos. Outras duas ações questionam vídeos produzidos com inteligência artificial e publicados no TikTok, nos quais eleitores do petista são induzidos a digitar o número 22 na urna eletrônica. A coligação pede a remoção dos conteúdos, a identificação dos responsáveis e a aplicação de multas.
As investidas jurídicas alcançam ainda o senador eleito Carlos Bolsonaro e um vereador por publicações sobre uma suposta intenção do governo de desvincular o salário mínimo das aposentadorias, além da circulação de um e-book considerado desinformativo pela campanha. A sequência de representações evidencia a preocupação do entorno de Lula com a influência das plataformas digitais sobre o eleitorado às vésperas da votação. As suspeitas apresentadas pela coligação, no entanto, ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral.
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