Eleições 2026

Campanhas de Lula e Flávio identificam erros e preparam ajustes para confronto na Globo

Nos dois QGs, a leitura predominante é de que o debate na Band serviu mais para mobilizar eleitores já convencidos

O primeiro debate do segundo turno, realizado ontem (18/10), na Band, acendeu um sinal de alerta nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Interlocutores dos dois candidatos reconhecem falhas nas estratégias adotadas e defendem ajustes para o próximo confronto, na TV Globo. Apesar das ressalvas, a avaliação nos dois QGs é de que o embate não provocou mudanças significativas no cenário eleitoral.

No entorno de Flávio, aliados consideram que o senador pesou a mão nas provocações e acabou transmitindo uma imagem de arrogância. Embora tenha seguido parte das orientações da equipe, o parlamentar teria exagerado nas interrupções e ironias dirigidas ao presidente. A leitura é de que a postura agradou à parcela mais fiel do eleitorado bolsonarista, mas pode ter dificultado a aproximação com os indecisos, considerados decisivos nesta reta final.

Entre os episódios mencionados por auxiliares estão a cobrança de respeito pelos quase 56 milhões de votos recebidos no primeiro turno e a declaração de que estaria “esfregando verdades” na cara de Lula. Nos bastidores, também houve críticas às respostas evasivas sobre o financiamento do filme Dark Horse, associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao voto contrário à ampliação da licença-maternidade e às mudanças de posição sobre o fim da escala 6x1. A avaliação é de que Flávio privilegiou os ataques ao adversário em detrimento de explicações sobre temas sensíveis à própria candidatura.

Na campanha petista, o diagnóstico também é de que Lula deixou a desejar. Auxiliares apontam dificuldades do presidente em reagir às acusações, além da pouca exploração de propostas e realizações do governo. A aparência de cansaço em determinados momentos também incomodou integrantes da equipe. Apesar disso, interlocutores avaliam que o petista conseguiu recuperar parte do desempenho ao longo do confronto, sobretudo quando passou a cobrar propostas concretas do adversário.

Para o próximo debate, a orientação discutida entre aliados de Flávio é reduzir o tom das provocações e buscar uma postura capaz de alcançar eleitores fora da base bolsonarista. Do lado de Lula, a preocupação é evitar que o presidente seja arrastado para um confronto marcado por ataques pessoais, privilegiando a apresentação de propostas e as diferenças entre os projetos políticos. Em ambas as campanhas, o entendimento é de que a disputa pelos indecisos exigirá mais do que mobilizar os próprios apoiadores.

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