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Investigado pelo STF, Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e vai para os EUA

Senador derrotado nas urnas pelo presidente Lula no domingo vai para os Estados Unidos após receber intimação para entregar os passaportes. Ele é alvo de apuração da PF, junto com o advogado Willer Tomaz, sobre suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições e investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos após ter sido intimado a entregar os passaportes comum e diplomático. O prazo para apresentar os documentos à Polícia Federal acabou às 11h dessa terça-feira.

Já em território norte-americano, Flávio teria se encontrado com o irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que vive na Flórida. Na segunda-feira, em vídeo postado nas redes, o senador contou ter sido intimado a entregar os passaportes e enfatizou que não tinha intenção de sair do Brasil. "A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23/10 que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição, eu nunca falei isso", frisou.

O deslocamento de Flávio começou a ser investigado pela Polícia Federal após surgirem informações de que ele teria utilizado a Argentina como rota para chegar aos Estados Unidos. A hipótese ganhou força ao longo do dia, embora autoridades argentinas tenham negado a existência de registros oficiais da entrada do senador no país. A ausência de informações sobre a localização dele, somada ao silêncio do parlamentar, ampliou as especulações sobre uma possível fuga.

Em Buenos Aires, o porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, descartou que Flávio tenha solicitado proteção ao governo de Javier Milei. "Em relação a Bolsonaro, não há nenhum pedido de asilo. O que registramos é o resultado eleitoral do Brasil", afirmou, durante entrevista coletiva. O Ministério da Segurança argentino também informou não ter identificado registros de entrada do senador. Investigadores brasileiros passaram, então, a apurar a possibilidade de o deslocamento ter ocorrido fora dos procedimentos tradicionais de controle migratório.

A suspeita de fuga levou a Polícia Federal a cancelar os passaportes de Flávio, conforme informações confirmadas ao Correio por integrantes da corporação. A medida ocorreu diante das dúvidas sobre o paradeiro do parlamentar e das circunstâncias de sua saída do território nacional.

Reservadamente, integrantes do PL passaram a defender que a decisão de deixar o Brasil teria sido acertada diante do cenário jurídico enfrentado por Flávio. Ele é investigado em inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz. A ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de reter os passaportes — atendendo a pedido da PF — baseou-se nessa investigação.

Asilo

O governo do presidente Donald Trump deve conceder asilo político a Flávio, segundo informações repassadas ao Correio. Uma fonte do Departamento de Estado norte-americano também informou que Washington vai conceder vistos ao senador e a seus familiares.

A expectativa de acolhimento ocorre em meio à aproximação do bolsonarismo com integrantes da direita norte-americana ligados ao movimento Make America Great Again (MAGA), principal base política de Trump.

A sinalização de Washington representa um novo capítulo na relação entre a família Bolsonaro e o governo republicano. Integrantes do MAGA participaram de articulações de pressão contra o Brasil, inclusive durante a imposição de tarifas comerciais pelo governo Trump. A aproximação com esses setores já havia sido explorada politicamente por Eduardo Bolsonaro, que se estabeleceu nos Estados Unidos e passou a atuar junto a interlocutores republicanos.

Parte do entorno do senador considera que a permanência no Brasil poderia deixá-lo vulnerável a medidas determinadas pelo STF, especialmente por Moraes.

 

 

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