
Nos dias que se seguiram ao segundo turno da eleição presidencial, ganharam força as discussões e rumores sobre quem serão os próximos ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Esplanada deve mudar de cara em janeiro, acomodando a nova correlação de forças entre os partidos no Congresso e aliados que ganharam destaque durante a campanha. Ainda é cedo para saber como será o novo governo, mas algumas alterações já são dadas como certas.
O ministério da Fazenda, que conduz a política econômica do governo federal, é o que mais movimenta especulações atualmente. A expectativa é de que o atual titular, Dario Durigan, deixe o posto. O mais cotado atualmente é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que teve papel de destaque na campanha presidencial, especialmente no segundo turno. Matemático de formação e mestre em Economia, Fonteles, antes de comandar o Piauí, foi secretário da Fazenda do estado. Seu nome é bem-visto pelo mercado, por defender o ajuste das contas públicas.
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Publicamente, Fonteles nega ter conversado com o presidente Lula sobre uma indicação. "Reforço o que disse em algumas entrevistas: nunca tratei com o presidente Lula ou com qualquer outra pessoa (seja familiar, amigo, aliado ou adversário) sobre cargos no seu próximo mandato e, muito menos, sobre política econômica", escreveu o governador em publicação no X, na quinta-feira.
Outro forte concorrente é o vice-presidente Geraldo Alckmin, que ocupou o ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) no atual mandato. Também é um nome bem visto por investidores. Alckmin é do PSB, não do PT, e tem boa interlocução com o mercado financeiro e com o setor produtivo.
A Casa Civil também é um ministério-chave para o governo federal, responsável por coordenar o trabalho dos demais ministérios e fazer a ponte entre a Esplanada e o Planalto. O nome do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, ganhou força nas últimas semanas. Camilo foi figura constante no QG da campanha de Lula, ao lado de Fonteles, e concedeu coletivas de imprensa quase diárias. Antes disso, o principal cotado era o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que deve assumir outro posto no governo. O ex-chefe da Casa Civil Rui Costa também deve voltar à Esplanada, possivelmente assumindo um ministério ligado à infraestrutura, por ter encabeçado o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Lula 3.
Lula destacou ainda que segurança pública será prioridade em sua nova gestão, e confirmou o desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em dois, caso a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança seja aprovada. Para a Segurança, o presidente cogita escolher o promotor Lincoln Gakiya, um dos nomes mais reconhecidos no combate ao crime organizado e considerado linha-dura com facções criminosas, com atuação em São Paulo.
Comunicação
Ganhou força no segundo turno o nome do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) para ocupar um ministério. Ele é cotado para assumir a Secretaria de Comunicação Social (Secom) — o atual titular, Sidônio Palmeira, já definiu sua saída — ou uma nova secretaria especial de Comunicação Digital, que teria status de ministério. O parlamentar é tido como um dos maiores responsáveis pela virada do presidente Lula entre o primeiro e o segundo turno, ao comandar o "Exército de Lula", grupo de WhatsApp utilizado para mobilizar a militância por meio de "missões".
Lula recebeu Janones para um almoço na última quinta-feira, no Palácio da Alvorada, para discutir seu futuro no governo e fazer uma retrospectiva do que funcionou na campanha. O presidente já deixou claro que quer manter a mesma forma de mobilização digital em seu quarto mandato. Ao menos publicamente, porém, Janones sinaliza que prefere continuar como deputado federal. "Eu, por vontade própria, não entendo que um ministério é onde eu posso ajudar mais o presidente Lula", comentou o deputado com jornalistas na porta do Alvorada. "Eu posso ajudar muito como deputado, acho que o presidente vai precisar de muita força no Congresso", emendou, citando o crescimento da extrema-direita no Parlamento.
No Ministério da Defesa, José Múcio deve dar lugar à secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo. Já o ex-prefeito de Recife, João Campos, que preside o PSB, pode assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pasta que seu pai, Eduardo Campos, ocupou durante o primeiro mandato de Lula.
O presidente deve começar a negociar com os partidos após o feriado de Finados, nesta semana. Além de acomodar seus aliados, Lula precisa prever a correlação de forças no Congresso, e pode dar mais espaço para legendas do centrão. Uma das possibilidades ventiladas é ceder uma pasta dentro do Planalto para essas siglas, como a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela articulação com o Congresso. Uma semana após o pleito, porém, o cenário ainda é nebuloso, e o formato do novo governo ainda está por ser apresentado.
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