Fitness & Nutrição

Marmitas além do almoço: saiba como montar refeições sem mesmice

Planejamento semanal organiza café da manhã, lanches e jantar sem monotonia e ajuda a manter uma dieta equilibrada e saudável

Durante muito tempo, falar em marmitas semanais foi quase sinônimo de resolver apenas o almoço fora de casa. No entanto, em uma rotina marcada por jornadas longas, pouco tempo disponível e excesso de estímulos alimentares, o planejamento das refeições passou a ganhar um papel mais amplo. Organizar marmitas que contemplem café da manhã, lanches intermediários e jantar tem se mostrado uma estratégia eficiente não apenas para melhorar a alimentação, mas também para facilitar decisões, reduzir escolhas impulsivas e manter constância ao longo da semana.

Para o nutricionista Thyago Nishino, o principal erro está em enxergar o planejamento alimentar de forma fragmentada. “Um planejamento eficiente começa pela definição das refeições da semana como um todo, e não apenas do almoço e do jantar. Variar fontes de proteínas, carboidratos e gorduras ao longo dos dias, além de alternar métodos de preparo e temperos naturais, reduz a monotonia e melhora a adesão”, explica. Segundo ele, a diversidade alimentar também está associada a uma melhor qualidade nutricional, já que amplia o aporte de micronutrientes e evita o cansaço alimentar.

Iara Pereira, nutricionista e gestora da FolhaFit Brasília, reforça que oferecer possibilidades de substituição dentro do plano alimentar é fundamental para evitar a monotonia. “Um mesmo ingrediente pode ser preparado de maneiras diferentes, mantendo-se saudável e dentro da dieta. Essa variação de sabores, texturas e combinações ajuda muito na adesão ao plano alimentar no dia a dia”, explica.

Apesar das abordagens diferentes, ambos especialistas concordam em um ponto: planejar todas as refeições do dia é decisivo para transformar a alimentação saudável em um hábito sustentável. Quando apenas o almoço é organizado, o restante da rotina fica vulnerável a escolhas feitas no impulso, geralmente influenciadas pela fome, pela pressa e pela falta de opções disponíveis.

 

Planejamento é estratégia 

Entre os maiores desafios da rotina alimentar estão justamente as refeições intermediárias. A nutricionista e proprietária da Nutredf, Soraya Costa define os lanches como uma “trava de segurança” do planejamento. “Quando a pessoa não organiza essas refeições menores, ela fica vulnerável à fome, ao tempo curto e às escolhas impulsivas. Um lanche bem montado, com proteína e fibra, ajuda a controlar o pico de glicose e evita que a próxima refeição aconteça de forma descompensada”, explica. Ela lembra ainda que estudos mostram que consumir primeiro proteínas e vegetais, antes dos carboidratos, contribui para um melhor controle glicêmico.

Iara reforça que a fome tende a deixar as decisões mais imediatistas. “Quando a rotina está organizada e o lanche já está pronto, a chance de sair da dieta diminui bastante. A pessoa não precisa decidir o que comer no momento em que a fome aparece”, afirma. Já Thyago acrescenta que longos períodos em jejum não planejado aumentam a chance de compulsão alimentar e de escolhas pobres em nutrientes.

A distribuição equilibrada dos macronutrientes ao longo do dia também impacta diretamente os níveis de energia, foco e desempenho. “Existe uma tendência de concentrar proteínas apenas no almoço e no jantar, enquanto os lanches ficam carregados de carboidratos. Quando os macronutrientes são bem distribuídos ao longo do dia, a energia se mantém mais estável, com menos picos de fome e mais clareza mental”, explica Soraya. Segundo Thyago, essa organização também favorece a saciedade e a manutenção da massa muscular.

Na prática, as opções para cafés da manhã e lanches vão muito além do básico industrializado. Preparações como mingau de aveia com whey e frutas, omeletes assados em porções, crepiocas recheadas, bolos com receitas adaptadas, iogurte com frutas e sementes, homus com legumes e sanduíches integrais aparecem como alternativas viáveis para quem precisa de praticidade. “Ter porções de proteína prontas, como frango desfiado ou carne moída, facilita muito a montagem dessas refeições”, destaca Soraya. Iara lembra ainda que alimentos como pão ou cuscuz não são vilões quando consumidos na quantidade adequada e combinados com boas fontes de proteína.

Entre os erros mais comuns de quem começa a preparar marmitas estão justamente focar apenas nas refeições principais, usar pouca proteína, negligenciar fibras e vegetais e repetir excessivamente os mesmos alimentos. “Nenhum alimento é vilão se estiver bem ajustado no plano alimentar. Às vezes a marmita é saudável, mas não está alinhada com o objetivo ou com a rotina da pessoa”, pontua Soraya.

Iara Pereira -
Iara Pereira -
Iara Pereira -

Organização transforma a alimentação em hábito

A influência da organização vai além da nutrição e impacta diretamente o comportamento alimentar. Planejar refeições reduz o estresse diário de decidir o que comer e diminui a dependência de aplicativos de entrega.

Essa mudança é percebida por quem adota as marmitas como parte da rotina. O publicitário Rodrigo Abreu, de 37 anos, conta que a ideia de se organizar surgiu da rotina corrida. “Ter algo pronto otimiza meu tempo e faz com que eu me alimente melhor ao longo do dia, não só no almoço e na janta”, afirma. Aos fins de semana, ele separa algumas horas para organizar refeições principais e já deixa lanches porcionados, como cuscuz, tapioca e pães.

Com o tempo, Rodrigo percebeu impactos diretos no dia a dia. “Me sinto muito mais disposto, deixei de pedir tanto delivery e ganho praticidade com alimentos saborosos já prontos na geladeira”, relata. Para ele, a organização foi essencial para manter o hábito sem cair na monotonia.

 

 

Dicas de como armazenar e o que não pode faltar na sua alimentação com o nutricionista Bruno Correia:

Como armazenar suas marmitas: 

  • Aguarde o resfriamento do alimento a temperatura ambiente (cerca de duas horas) e coloque na geladeira
  • Congele no máximo 30 dias (segundo práticas adotadas pela Anvisa)
  • Dica de descongelamento: prefira retirar sua marmita do congelador no dia anterior do consumo

 

O que não pode faltar

Café da Manhã

  • Incluir os 3 macronutrientes: proteína, carboidrato e gordura
  • Ajuda a reduzir o consumo calórico nos outros períodos do dia


Almoço

  • Equilibrar proteína e gordura
  • Manter níveis mínimos de gordura e fibras
  • Composição varia de acordo com o objetivo da pessoa


Lanche da Tarde

  • Incluir proteína para manter energia e saciedade (sanduíche, receita proteica ou suplementação)

 

Jantar

  • Manter a qualidade dos alimentos, apenas diminuir as quantidades (opções mais leves)

 

Proteínas: são importantes para saciedade, manutenção de massa muscular em processo de emagrecimento (proteínas de origem animal, soja, ovos e também complementação grãos)

Carboidrato: fontes de energia, fonte de saciação (diferente de saciedade), aumentando rendimento no dia e, principalmente, em atividades físicas (arroz branco ou integral, macarrão e vegetais tubérculos)

Fibras: auxiliam na saciedade e controle do apetite, ajudam no controle dietético, como alterações de colesterol, controle glicêmico, diabetes, criando um ambiente favorável à microbiota e regulação intestino (frutas, legumes e verduras)

Gorduras: ajudam na saciedade, regula a qualidade das frações do colesterol, fazendo parte da sintase hormonal (óleos vegetais, ovos e grãos)

Vitaminas: regula neuropeptídeos e neurotransmissores, equilibram o homeostático do corpo e auxiliam na prevenção de deficiências que causam agraves na saúde (frutas e vegetais)

 

 

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