
O verão de 2026 marca um ponto de virada para a moda praia brasileira. O que antes era restrito ao momento do mergulho, hoje assume o protagonismo em composições de streetwear, elevando o biquíni ao status de item de luxo e design. As peças saem do mar ou da piscina e transitam em momentos fora da areia ou do deck, como aquela ida ao restaurante.
Segundo o personal stylist Fernando Lackman, a principal sugestão do mercado para a estação está nas modelagens híbridas, que estão na fronteira entre o beachwear e o resort wear. "Maiôs com recortes bem posicionados, biquínis de tops assimétricos e peças multifuncionais ganham destaque justamente por acompanharem a dinâmica da mulher contemporânea. Em relação às estampas, vejo uma valorização dos grafismos orgânicos e dos florais reinterpretados, com inspiração na natureza tropical brasileira, mas sob uma ótica mais autoral e sofisticada. Não é mais sobre estampar por estampar, e, sim, usar a estampa como uma assinatura estética", ressalta.
De acordo com Lackman, a paleta do verão vem carregada de tons solares e sensoriais, como amarelos quentes, laranjas queimados, corais, verdes naturais e azuis que remetem ao mar. Esses tons dialogam diretamente com a busca por bem-estar, leveza e conexão com a natureza. "Os neutros — areia, offwhite e terrosos — seguem como base de peças que oferecem maior sofisticação", acrescenta.
No entanto, os tecidos com textura continuam em alta porque, na visão do personal stylist, entregam valor imediato à peça. "O canelado traz conforto e uma estética casual chique, enquanto o lurex surge de forma mais elegante e menos óbvia, adicionando brilho na medida certa", detalha. São materiais que elevam a moda praia, permitindo que ela transite com facilidade do dia para a noite, em looks para a areia e para eventos fora da beira do mar.
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A revolução invisível
Por trás da estética solar, existe uma engenharia têxtil voltada para a preservação ambiental. A indústria de moda praia passa por uma transformação radical em sua cadeia produtiva, buscando reduzir o rastro deixado no ecossistema marinho que a inspira. De acordo com a professora de moda Krystie Ribeiro, as marcas têm encarado a produção consciente como um pilar inegociável. "Hoje, não enxergamos o design separado do impacto ambiental. Estamos focados em novos materiais que respeitem o ciclo da natureza e não apenas na estética final da peça", pontua Krystie.
Entre os novos materiais tecnológicos, o destaque fica para a poliamida de rápida decomposição. "Já utilizamos fios que permitem que a peça se decomponha em menos de três anos após o descarte correto em aterro sanitário, em contraste com os 50 anos das fibras sintéticas comuns", revela a especialista.
Além disso, a limpeza dos oceanos tornou-se fonte direta de matéria-prima para os biquínis desta temporada. "Uma das maiores inovações é o reaproveitamento de nylon retirado dos mares, como redes de pesca descartadas, transformadas em fios de alta qualidade. É um tecido de alta compressão, resistente ao cloro e com proteção UV", explica Krystie Ribeiro. A produção é finalizada com impressão digital, técnica que consome significativamente menos água, provando que o futuro do biquíni é tão sustentável quanto o solar.
Principais cuidados?
Segundo a professora de moda, o cuidado com as peças começa antes mesmo da lavagem propriamente dita: "Assim que sair da água, tome uma ducha de água doce com a peça no corpo. Isso remove o excesso de sal ou cloro logo de cara. Nunca use a máquina de lavar. O atrito e a agitação danificam as fibras de elastano e podem puxar fios de biquínis com texturas ou bordados. Utilize água fria sempre! Água morna ou quente relaxa as fibras de elastano, fazendo com que as peças percam a forma", finaliza.
Após a lavagem, é importante pressionar a peça suavemente contra uma toalha seca para retirar o excesso de água. "Torcer quebra as fibras elásticas. Use sabão neutro líquido, sabão de coco ou detergentes específicos para roupas delicadas", completa Krystie. Além disso, é necessário evitar amaciantes, já que eles criam uma película que "entope" as fibras, reduzindo a respirabilidade e a elasticidade. "Alvejantes e cloro, nem pensar. Eles destroem a cor instantaneamente e o sabão em pó comum costuma ser muito alcalino para tecidos sintéticos finos', completa.
Outra recomendação fundamental nesse processo é secar as peças sempre à sombra, em local bem ventilado. Se possível, estender o biquíni horizontalmente sobre o varal, pendurar pelos prendedores ou pelas alças pode deformar o corte da peça devido ao peso da água. Roupas de banho não precisam (e não devem) ser passadas, conforme explica a especialista.
Saídas de praia: como escolher e usar
A saída de praia é o que conecta o banho de mar ao resto do seu dia. Em 2026, as favoritas são:
1. Camisa oversized de linho: usada aberta sobre o biquíni, cria um look minimalista e muito elegante. Se quiser marcar a cintura, amarre as pontas.
2. Peças handmade (crochê e macramê): vestidos e saias em crochê com tramas mais abertas valorizam o trabalho artesanal e trazem textura sem aquecer demais.
3. Conjuntos de algodão: shorts e camisas de mesma estampa ou cor são práticos e deixam o visual "arrumado" com zero esforço.
4. Canga pareô: a versatilidade continua em alta. Amarrações assimétricas transformam a canga em saias longas ou vestidos de um ombro só.
Fonte: professora de moda Krystie Ribeiro

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