Fitness

Quando o corpo pede pausa: veja cuidados necessários para evitar lesões

Especialistas explicam os principais erros na prática esportiva e como ajustes simples podem prevenir lesões

A execução incorreta dos exercícios está entre as principais causas de lesões  -  (crédito: Reprodução/Freepik )
A execução incorreta dos exercícios está entre as principais causas de lesões - (crédito: Reprodução/Freepik )

A prática de atividades físicas traz inúmeros benefícios para a saúde, mas exige atenção, técnica e acompanhamento adequado. Lesões decorrentes de erros de execução, excesso de carga ou falta de orientação profissional ainda são frequentes e podem afastar praticantes do esporte por meses, ou até definitivamente. A história da estudante de nutrição Luísa Lofrano, 22 anos, ilustra como uma lesão pode impactar não apenas o corpo, mas também a saúde mental e a vida social.

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"Tive um rompimento do ligamento cruzado anterior e estiramento grau 3 do colateral medial. Eu estava treinando uma rotina de competição de cheerleader (Full Out)", relata. Segundo Luísa, o treino acontecia em grupo, com várias equipes e treinadores experientes, mas nem sempre com formação em educação física. "Como o cheerleader ainda é um esporte consideravelmente pequeno no Brasil, quase todos os treinadores são atletas, não necessariamente formados em educação física."

Luísa Lofrano (de verde) no treino de cheerleader
Luísa Lofrano (de verde) no treino de cheerleader (foto: Arquivo pessoal )

A lesão ocorreu durante a execução de um movimento complexo e coletivo. "Houve erro de execução dos movimentos, mas é algo esperado dentro do esporte. Eu estava recepcionando um 'berço', em que jogamos a flyer para cima e depois recebemos. A flyer (pessoa levantada no ar, que realiza manobras aéreas) acabou se assustando com o arremesso, o que fez com que se mexesse muito, dificultando a recepção. Uma das bases acabou acertando meu joelho na hora de recepcionar, com o próprio joelho." 

Na época, a carga de treinos da estudante era intensa. "Eu treinava muito, não só no cheerleader, mas também em levantamento de peso olímpico (LPO) e musculação, aproximadamente seis vezes na semana. Eu treinava, pelo menos, quatro horas por dia, somando tudo. Meu objetivo com a academia era justamente prever lesões."

O afastamento foi longo e doloroso. "Eu fiquei quatro meses sem poder treinar nada e 10 meses afastada do esporte, então realmente fiquei muito deprimida. Meu corpo mudou muito, minha ansiedade piorou demais, e todo meu ciclo social era do esporte na época." O tratamento envolveu imobilização, cirurgia e quase um ano de fisioterapia. "Primeiro, usei tala por três semanas para curar o estiramento. Depois, fiz cirurgia, fiquei um mês sem dobrar a perna direito e cerca de 10 meses em fisioterapia. Mas eu podia colocar o pé no chão, não tive fratura de menisco, fiquei só de muleta."

Mesmo após a recuperação, o medo permaneceu. "Eu nunca voltei para o esporte, fiquei com muito medo de voltar a treinar. Atualmente, só treino musculação e passei a tomar medicações para ansiedade, que não tomava antes", destaca. Apesar de sempre ter se considerado cuidadosa, após o trauma ela tomou a decisão de parar de participar de esportes com alto risco de lesão.

Alerta aos riscos

Casos como o de Luísa reforçam a importância da prevenção. De acordo com o personal trainer Luiz Fernando Lukas, o uso inadequado de aparelhos de musculação está entre as principais causas de lesões nas academias. Ajustes errados de banco, excesso de carga e execução incorreta dos exercícios podem provocar sobrecarga nas articulações, lesões musculares, problemas na coluna e até quadros mais graves, como hérnias e rupturas. "Isso pode tirar o praticante da atividade física por muito tempo ou para sempre e, até mesmo, levar à morte, como vimos recentemente", alerta.

Outro fator de risco é a falta de orientação profissional. Muitos iniciantes copiam treinos vistos nas redes sociais sem considerar suas limitações individuais. Segundo o especialista, "a presença de um profissional de educação física, o uso correto dos aparelhos e o respeito aos limites do corpo são fundamentais para garantir a segurança nas academias". Para treinar sem riscos, ele destaca a importância da execução correta, da progressão gradual das cargas e da consciência corporal.

Entre os erros mais comuns estão o uso de cargas excessivas logo no início, postura incorreta, regulagem inadequada dos aparelhos, execução rápida demais e uso de impulso em vez da força muscular. A execução incorreta pode causar desde dores musculares persistentes e inflamações nos tendões até distensões, rupturas musculares, lesões nos ombros e joelhos, dores lombares e hérnia de disco. Com o tempo, esses problemas podem se tornar crônicos e afastar o praticante dos treinos.

Exercícios que envolvem grandes cargas e múltiplas articulações exigem atenção redobrada, como leg press, agachamento no smith, cadeira extensora, puxador e supino, tanto em máquinas quanto com barra livre. "Algumas máquinas, por 'guiar' o movimento, passam uma falsa sensação de segurança, o que leva o praticante a exagerar na carga e ignorar limites individuais", explica Luiz Fernando.

Ajustar corretamente a carga, o banco e a postura é decisivo para a segurança e os resultados. "Uma carga acima do ideal aumenta o risco de lesões, o banco mal regulado altera o eixo do movimento e sobrecarrega as articulações", alerta. Além disso, quando a postura está incorreta, o músculo-alvo é menos exigido, enquanto outras regiões acabam compensando. "Quando tudo está bem ajustado, o exercício fica mais eficiente, o músculo certo é recrutado, o risco de lesão diminui e os resultados aparecem com mais consistência. No treino, segurança e resultado caminham juntos."

Principais erros

Para o personal trainer João Vitor Euriques Paulino, a execução errada não anula totalmente os ganhos, mas compromete o desenvolvimento muscular. "Eu digo que a 'execução errada' não anula o ganho de massa muscular, mas atrapalha o resultado ou não desenvolve aquele grupamento muscular específico." Ele observa que isso costuma acontecer em dois extremos: iniciantes e praticantes muito experientes. "Geralmente, acontece com o público que acabou de entrar na academia ou com a galera que está treinando há muito tempo e acha que não precisa de informação nenhuma."

Outro ponto fundamental é a respiração. "O controle da respiração é essencial para que o aluno mantenha a frequência cardíaca sem tanta alteração, tenha menos fadiga e melhore a execução do exercício." A recomendação é realizar a expiração na fase concêntrica do exercício, na contração. "O famoso: contrai e solta o ar." Negligenciar esse controle pode levar à queda de performance, aumento da fadiga, enjoo e até desmaios em casos extremos.

Treinar sozinho, sem orientação, também eleva os riscos. "Hoje, devido ao excesso de informações nas redes sociais, confiança demais e falta de concentração são combinações perigosas", afirma João Vitor. Acidentes costumam ocorrer por excesso de carga, treinos em grupo sem priorizar a técnica ou simples falta de atenção.

O corpo costuma dar sinais quando algo está errado. "Um dos sinais são dores nas articulações e a não ativação da musculatura pretendida. O indivíduo não sente aquele músculo trabalhar ou acaba sentindo outro grupamento muscular." Nessas situações, o mais importante não é insistir, mas interromper, ajustar o exercício ou até substituí-lo. "O mais importante é ajustar ou trocar o exercício", reforça.

 

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postado em 18/01/2026 06:00
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