
Associada à sofisticação e ao equilíbrio visual, a decoração clássica permanece como um dos estilos mais desejados no design de interiores. Embora muitas vezes relacionada a ambientes antigos ou excessivamente ornamentados, essa estética passou por transformações importantes e hoje aparece de forma mais leve, funcional e adaptada aos novos modos de morar.
Inspirado na arquitetura europeia, o clássico se apoia em proporções bem definidas, simetria e harmonia entre os elementos. Para o arquiteto Felipe Reis, o estilo vai além da estética. “A decoração clássica se define pela ordem visual, pela sofisticação equilibrada e pela sensação de permanência. São ambientes que atravessam o tempo sem perder relevância”, explica.
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Com o passar dos anos, o clássico deixou de ser uma reprodução literal do passado. Surgiu, então, o clássico contemporâneo, que mantém a essência do estilo, mas reduz excessos. Os ornamentos são utilizados com mais critério, as cores ganham tons mais neutros e os ambientes passam a priorizar funcionalidade e conforto, dialogando melhor com casas e apartamentos atuais.
Essa adaptação também passa pela compreensão do espaço e da rotina dos moradores. “O mais importante é entender a arquitetura do imóvel e o estilo de vida de quem vive ali. Quando o clássico é aplicado com essa leitura, ele entra de forma natural, trazendo elegância e conforto, sem pesar ou engessar o ambiente”, afirma a designer de interiores Aline Silva, da InteriorAS Design.
O clássico contemporâneo na prática
A escolha do mobiliário é um dos pilares da decoração clássica. Segundo a arquiteta especialista em neuroarquitetura Julia Rosa Cabral, algumas peças ajudam a construir essa identidade de forma clara. “Cadeiras com espaldar alto, sofás e poltronas com braços arredondados, aparadores, mesas e cômodas com detalhes em pedra e metal dourado são móveis-chave. Cabeceiras que vão do piso ao teto também reforçam o estilo nos quartos”, destaca.
As cores exercem papel fundamental na construção de ambientes clássicos equilibrados. Tons claros, como branco, off-white e greige, costumam formar a base dos projetos. “É preciso cuidado com cinzas muito frios e com beges excessivos, que podem deixar o ambiente apagado ou até com aparência suja. As variações de greige funcionam muito bem”, orienta Julia. Estampas, quando usadas, devem aparecer de forma pontual, em tons suaves e padronagens pequenas, como o xadrez pied de poule.
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A iluminação, por sua vez, também acompanhou a evolução do estilo. Se antes os lustres grandes eram protagonistas, hoje a luz assume um papel mais técnico e sensorial. “Atualmente, a iluminação é pensada principalmente para o conforto visual. Ela aparece de forma mais suave e funcional, muitas vezes sem que se perceba exatamente de onde vem o foco de luz”, explica a arquiteta.
Outro aspecto que reforça a atualidade do clássico é a valorização de materiais duráveis e de qualidade. Tecidos nobres, como linho e couro, além de madeira, mármore e quartzitos, contribuem para a sensação de elegância e atemporalidade. Metais em tom champanhe — um dourado mais fechado — surgem como alternativa contemporânea aos dourados tradicionais, trazendo sofisticação sem exageros.
Clássico funcional e acessível
Apesar da associação com imóveis antigos, o estilo clássico pode ser aplicado em qualquer tipo de residência, inclusive em plantas modernas e ambientes integrados. Nesses casos, a palavra-chave é sutileza. “Em vez de separar os espaços, a ideia é criar uma linguagem única por meio da repetição de cores, materiais, iluminação e desenho dos móveis. O clássico aparece nos detalhes, mantendo a fluidez e a integração dos ambientes”, explica Aline.
Em espaços menores, a atenção às proporções se torna ainda mais importante. “O erro mais comum é exagerar nos ornamentos ou escolher móveis desproporcionais ao espaço”, alerta Felipe Reis. Para ele, poucos elementos bem escolhidos são suficientes para criar uma atmosfera clássica elegante, sem sobrecarregar o ambiente.
Outro mito em torno do estilo é a ideia de que o clássico precisa ser caro ou luxuoso. “O clássico é mais sobre coerência, qualidade e equilíbrio do que sobre preço. Um projeto bem pensado consegue substituir materiais caros por alternativas contemporâneas, mantendo a estética sofisticada”, reforça Felipe.
A possibilidade de montar um ambiente clássico aos poucos também contribui para a popularidade do estilo. Começar pela base — paredes claras e tecidos bem escolhidos — e, aos poucos, adicionar detalhes como molduras, boiseries, metais e peças de destaque permite uma transformação gradual e consciente, sem grandes reformas.
Como incluir a decoração clássica em casa
- Aposte em paredes claras para criar uma base neutra e elegante
- Escolha poucos móveis de linhas clássicas e proporções equilibradas
- Invista em tecidos nobres, como linho e couro, em cortinas e estofados
- Use molduras, boiseries ou rodapés trabalhados para valorizar as paredes
- Prefira iluminação suave, focada no conforto visual
- Inclua detalhes em madeira, mármore ou metais em tom champanhe
- Evite excessos: o clássico contemporâneo valoriza equilíbrio e funcionalidade

Revista do Correio
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