
Bem mais que um lugar para descansar, a casa é a extensão da personalidade de quem nela mora. Individualidades, originalidade e, também, aquela pitada de criatividade, fundamentais para garantir uma espécie de conexão com o espaço em que se vive. Nessa onda, o lar lúdico aparece como ideia contemporânea que une o melhor de vários mundos: infância, vida adulta e sensações entre diferentes idades.
Dessa forma, o lúdico deve ser entendido como aquilo que desperta prazer e curiosidade, indo muito além do universo infantil e beirando características cada vez mais inovadoras e inesperadas. "É mais sobre experiências e provocar sentimentos, podendo ser associado com arte, arquitetura e outras áreas de conhecimento", explica o profissional. De acordo com ele, enquanto para as crianças isso se traduz em passagens secretas e bibliotecas temáticas, para os adultos o conceito se manifesta em salas de cinema imersivas, adegas para apreciadores ou ateliês integrados a áreas de spa.
Um dos maiores desafios de quem deseja uma casa interativa é manter a harmonia estética sem sobrecarregar os sentidos, já que o lúdico, por muitas vezes, pode se confundir com certos excessos. Paredes listradas, abajures e objetos um tanto quando diferentes, a estratégia de Hudson, na tentativa de equilibrar o desenvolvimento cognitivo infantil com o conforto visual dos adultos, reside no uso inteligente de camadas e as associações usadas como alternativa nesses contextos.
"Buscamos criar uma base mais neutra que permita a adição das texturas e cores conforme a necessidade. Uma forma de organizar o projeto seria selecionar para as maiores superfícies, como pisos e tetos, cores leves. Deixamos os elementos pontuais, como móveis, tapeçaria e decoração, para informações mais vibrantes", ensina o arquiteto. Essa abordagem garante uma base segura que pode ser alterada facilmente com o passar dos anos, sem a necessidade de grandes reformas.
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Entre interesses e conexões
Para que o projeto seja bem-sucedido, os desejos de todos os moradores precisam estar representados. Isso, de certa maneira, contribui para que todos se sintam pertencentes do mesmo ambiente. Rick Hudson destaca que a descoberta de hobbies em comum — como o amor por livros ou filmes — serve como o ponto de partida para a criação de áreas de convivência. "Na área dos adultos, privilegiamos acabamentos naturais e confortáveis para o pós trabalho; nos espaços dos adolescentes, trazemos tecnologia; e para as crianças, elementos coloridos que estimulam o brincar", diz.
Com isso, a integração também passa pela funcionalidade do dia a dia. Cozinhas abertas, por exemplo, permitem que o adulto cozinhe enquanto mantém contato visual com a criança. O segredo para assegurar a organização, segundo o arquiteto, é o investimento em "zonas lúdicas" estrategicamente posicionadas e de fácil arrumação. "É importante ter armazenamento prático, como cestos e gavetões de rápido acesso, visíveis a partir de pontos de rotina do adulto, como o home office", sugere.
Na mesma linha de pensamento, o arquiteto Diego Aquino enxerga que os universos infantil e adulto devam conversar bem, com a dose certa de equilíbrio. "Incluir a criança nas atividades da casa garante que esses espaços sejam fluidos. A cozinha aberta garante linhas de visão, e o adulto consegue cozinhar enquanto supervisiona", detalha. Além disso, armazenar os itens em gavetas e nichos permite uma interação mais fácil entre os moradores.
Zona lúdica
Outro ponto crucial, uma vez que o ambiente também envolve crianças, é pensar na segurança e na praticidade dos pequenos. "Sempre é importante entender quem é o usuário, como estamos falando da criança. Mobiliários modulares, superfícies resistentes, peitoris e bancos largos, nichos acessíveis, paredes interativas garantem maior segurança ao público infantil", acrescenta.
Dessa maneira, o profissional acredita que criar uma "zona lúdica" dentro de casa, algo que seja visível a partir de um ponto de rotina do adulto (home office, sala), com armazenamento prático, algo de fácil acesso, portas fechadas e de rápida arrumação, como cestos e gavetas, seja fundamental para facilitar essa interação dentro do espaço, sobretudo pensando no cotidiano de cada um.
A premissa do lar lúdico parte, também, de certos excessos que chegam a ser confundidos com bagunça. Na visão do arquiteto Rick Hudson, nos projetos de decoração, todas as decisões são pensadas para transformar as características do cliente em algo estético e prático para a rotina. Se o morador costuma ser uma pessoa mais "bagunceira", as soluções criadas são para que esse cenário pareça organizado e proposital.
"Se temos um cliente mais metódico e com tudo extremamente organizado, as soluções são pensadas para que essa organização seja acolhedora. A ideia da casa de revista é uma construção que a gente pode fazer com o estilo de qualquer cliente, seja ele adulto, seja criança, desde que a gente entenda essa característica e faça com que ela seja valorizada", finaliza.

Revista do Correio
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