Proporcionar realização social a idosos com mais de 60 anos. Foi essa a meta que levou o carioca João Felipe Cardoso, 24 anos, a criar o Fora de Casa, projeto que incentiva pessoas idosas a retomarem as respectivas vidas sociais. Motivado a proporcionar atividades que tirariam os mais velhos dos sofás, João construiu a empreitada do zero com inspiração na própria família. Hoje, o programa conta com outros três organizadores e 126 mil seguidores nas redes sociais.
Em entrevista ao Correio, João conta que três figuras mais velhas da própria vida serviram como inspiração. O avô, Caio, foi a principal delas na tentativa de levar a ideia adiante. O avô passava grande parte do tempo em casa, inserido em uma rotina parada. As avós Ina e Cristina, em contrapartida, viviam contextos mais agitados. Eram mais "saidinhas", como o neto descreve.
Ina foi a responsável por dar o empurrão inicial na conquista dos primeiros interessados. “Ele me ajudou no processo. Juntou alguns amigos e amigas e, assim, fizemos os primeiros encontros”, contou. Assim, materializou o que tinha na cabeça: organizar roteiros para que idosos de 60 anos ou mais pudessem sair de casa para interagir e se divertir, em grupo. De acordo com João, o plano não foi só bem executado, como muito elogiado pelos participantes.
Veja um dos encontros do Fora de Casa:
Ao criar cronogramas semanais, o carioca convida os interessados para participar de atividades, como almoços, jantares, lanches e peças de teatro, por exemplo. O cronograma serve como um convite. A todos os integrantes, são informados os respectivos preços e horários. A partir daí, os participantes decidem se topam, ou não. Se sim, vans são organizadas para levar os interessados até os locais das atividades.
“Enquanto ainda estava na faculdade, em São Paulo, tive essa ideia e, dessa forma, consegui levá-la adiante quando voltei ao Rio. Vi na definição desse estilo de vida, o Senior Living, uma oportunidade. Principalmente, quando juntei o meu contexto a isso”, contou. Em tradução literal, Senior Living ("Vida Sênior", em português), é um conceito responsável por abranger um conjunto de opções de habitação e estilo de vida para pessoas idosas.
“O cronograma semanal é feito por mim. Decido os lugares das refeições e das demais atividades, como teatros ou cinemas. A partir daí, forneço os preços. Participam os que puderem e quiserem pagar. A iniciativa trata de juntar essas pessoas para que elas possam se divertir juntas. Funciona como uma ponte, para fazer conexões”, explicou.
Sucesso nos números e planos futuros
João conta que o sucesso do negócio chegou de forma rápida. Lançado em janeiro de 2026, momento em que os primeiros posts foram feitos nas redes sociais, o Fora de Casa atingiu maior escala de público por meio de uma postagem feita por João. Uma publicação inicial feita por ele viralizou, e alcançou diversos interessados no Rio de Janeiro.
Ao todo, foram mais de 20 experiências realizadas na Zona Sul da capital Fluminense, assim como na Barra da Tijuca. Um total de 220 aposentados estiveram envolvidos nas atividades organizadas pelo empreendedor. Os primeiros passos também foram dados em São Paulo. Na capital paulista, quatro experiências já ocorreram. A ideia, agora, é expandir o negócio ainda mais.
“Hoje, somos quatro na organização, contando comigo. O plano é que sejam ainda mais. Pelo menos, um em cada uma das principais capitais do país, incluindo Brasília, por exemplo. Queremos levar o projeto adiante, e contemplar ainda mais idosos. São muitos os que precisam desse vigor social”, salientou.
Especialista alerta para importância do cuidado social
A manutenção de um contexto social ativo exerce influência no humor dos idosos. Conforme explicou ao Correio a médica clínica especializada no cuidado de pacientes idosos, e atuante no ambulatório da geriatria do hospital Anchieta, em Taguatinga, Daniela Cunha, atividades sociais durante a terceira idade exercem forte influência até mesmo nas funções cognitivas.
"É muito importante manter uma rotina que inclua vida social, isso significa uma interação do indivíduo com as pessoas e o ambiente, no sentido de manter e estimular funções cognitivas, além de colaborar no humor. Isso implica em manter vínculos com amigos e familiares, manter um sentido de vida, se sentir útil", explicou.
No entanto, Daniela ressaltou a importância de se atentar a eventuais dificuldades daqueles que já vivem a terceira idade, como limitações auditivas e motoras. De acordo com ela, problemas como esses podem acabar por desencorajar os mais velhos a cultivas situações e habilidades sociais.
"É importante sempre estimular os idosos a buscar convívio social, através de exemplos, as vezes até participando junto à eles. Porém, é preciso observar se existe algum outro motivo que dificulte a procura por uma vida social. Muitas vezes, o idoso busca isolamento por estar apresentando alguma incapacidade, não estar escutando bem, estar com transtornos do humor, como Depressão, deficits cognitivos, como as demências, instabilidade de marcha, que leva ao medo de cair, dor, entre outras coisas", acrescentou.
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