Cidade Nossa

Cidade Nossa: Oportunidades raras

Entre festas de família e encontros improvisados, o jornalista Cláudio Ferreira fala sobre a importância de silenciar a rotina e priorizar momentos que reabastecem a alma

Na pressa do dia a dia, no rolo compressor da rotina, muitas vezes nos esquecemos de "cavar" momentos especiais. Sim, porque normalmente eles não "chegam chegando": dão apenas uma batida na porta, um aviso sutil e é a gente que tem que correr atrás para concretizá-los. Mas o esforço vale a pena, pois a recompensa é grande.

Aconteceu comigo recentemente, e por duas vezes. A primeira foi uma festa de família, para comemorar os 80 anos da prima mais velha, hoje em dia a pessoa mais velha da família. Um almoço de domingo em Recife, um bate-volta de avião com os irmãos, felizmente uma festa planejada com antecedência. Vamos? Vamos, claro!

Foi um momento mágico. Acho que desde o casamento das primas mais velhas, não via tantos integrantes dessa parte da família reunidos. São oito irmãos, cada um com seus filhos e netos. Mais primos (nós). Mais agregados. Um encontro de 50 pessoas, muitas que não se viam há muito tempo. E dois bebês para a gente conhecer.

Nem o temporal que castigou Recife no domingo da festa — com alagamento e tudo — tirou o brilho do encontro. Foi só esquecer o quintal e embarcar na feijoada e no bolo de alguns andares. Muita troca de afeto, muitas fotos para poder lembrar depois e a certeza de ter feito a melhor escolha ao comprar as passagens sem pestanejar. Estaremos presentes em quantas festas dessas for possível estarmos: aproveitar enquanto temos saúde para viajar e disposição para passar menos de 48 horas em outro estado.

A segunda oportunidade rara foi provocada por uma das colegas de ensino médio, de uma turma que está completando 45 anos em 2026 e ainda se encontra com frequência! Alguns foram comemorar essa data redonda em um cruzeiro no Caribe. Outros, como eu, por diversas razões, não puderam ir. Eis que uma cabeça iluminada reflete: se não temos Caribe, temos Lago Paranoá.

Pois fomos, 18 pessoas, em uma noite de terça-feira, para um passeio de uma hora pelo lago, com direito a música no barco, bebidas, comidas e muita alegria. Fizemos o nosso cruzeiro, separamos um pouco do nosso tempo para estar com quem a gente gosta e saímos reabastecidos.

Oportunidades raras não têm fórmula pronta. Da festa de família ao cruzeiro improvisado na última hora, elas aparecem para a gente, geram dúvida — vou ou não vou — e pedem a presença da nossa intuição. E não é coisa para pensar, é bom ir para o terreno do sentir. Aí a decisão fica mais fácil. Não dá para prever o futuro, não dá para garantir que tudo vai dar certo. Talvez seja até melhor assim.

Cláudio Ferreira é jornalista

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