Cidade Nossa

Cidade Nossa: Homens, mulheres, artifícios e mais além

Da literatura clássica à era das selfies, um exercício de escrita feita por Sergio Leo que mostra como os homens estão se inspirando nas mulheres, mesmo quando as criticam

REV-1904-cronica -  (crédito: maurenilson)
REV-1904-cronica - (crédito: maurenilson)

Especial para o Correio — Sergio Leo

Está lá, no livro As cem melhores crônicas brasileiras, selecionadas pelo já canônico cronista Joaquim Ferreira dos Santos: "Os homens gastam metade de seu tempo a dizer mal das mulheres, e a outra metade a imitar o mal que elas fazem". Autor: José de Alencar, o cearense que criou Iracema, a virgem dos lábios de mel, e Peri e Ceci, indígenas que viraram ópera.

Visionário, José de Alencar. Essa frase traz, com uma ironia afiada, a ambivalência eterna entre os sexos. Crítica e fascínio caminham juntos. Enquanto condenam a "futilidade" feminina, muitos homens correm atrás das mesmas modas e vaidades que ridicularizavam.

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Criticam o consumo feminino, mas alguns deles enchem os carrinhos de produtos de beleza e roupas de marca. Zombam das selfies e poses, mas gastam horas escolhendo o ângulo perfeito para as fotos do abdômen na academia. Dizem que mulher fala demais, mas passam almoços inteiros comentando a vida alheia e outras banalidades.

É, Alencar, o maior elogio que o homem faz à mulher é, muitas vezes, imitá-la sem admitir. No fundo, o que chamam de "frescura feminina" é o que eles próprios desejam: atenção, cuidado e beleza. Homens que mais falam mal das mulheres costumam ser os que mais secretamente invejam quando encontram nelas liberdade de expressão emocional e estética.

A imitação é a forma mais sincera de admiração, mesmo disfarçada de desprezo. A sociedade moderna apenas escancarou o que sempre existiu: o homem, frequentemente, busca, na mulher, espelho e modelo. Entre falar mal e copiar, mostra a dependência afetiva e estética do universo feminino.

A frase do grande cearense não acusa apenas o homem; expõe a hipocrisia humana universal: criticar o que, no fundo, desejamos ser. Falar mal e imitar são duas faces da mesma moeda, o desejo de se aproximar, mesmo quando se finge afastar.

Se você, cara leitora, caro leitor, chegou até aqui nesta crônica, saiba que, do segundo parágrafo até o anterior a este, o texto foi gerado pela IA de Elon Musk, a Grok, com pequenas edições deste escriba que ocupa o espaço privilegiado no jornal.

Apenas pedi 15 frases a partir da máxima de José de Alencar. Cortei o excesso de trechos com dois pontos seguidos de enumerações de três exemplos, típicos de IA. Só uma frase foi vetada pelo humano que vos escreve, por atribuir barbas às mulheres, o que soa estranho, até em tempos de grande diversidade: "Acusam as mulheres de superficiais, e copiam o corte de cabelo, o estilo de barba e até o jeito de falar delas."

A Grok aproveitou da filosofia alencarina lições aplicáveis a essa era de selfies e consumismo. Viva ele. Entre apologias e previsões apocalípticas, mostra mais uma vez que a inteligência artificial ,aos poucos, aprende como se virar. Pode nos ajudar, até, a atualizar para o século 21 o velho clichê do cronista sem inspiração para escrever sua crônica. Vocês me entendem.

Sergio Leo é jornalista e escritor

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postado em 19/04/2026 06:00
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