
Por Ricardo Afonso Teixeira
Um precioso artigo recém-publicado por David Adam na prestigiada revista Nature analisa o quanto as distrações de hoje em dia têm reduzido nossa capacidade de atenção e se esse fenômeno é algo permanente ou não. Estudos mostram que hoje alternamos muito mais entre uma tarefa e outra do que décadas atrás e que essa alternância impacta negativamente nosso desempenho. Porém, há poucas evidências que nossa habilidade fundamental de concentração esteja reduzida. Isso sugere que se eliminamos as distrações, como é o caso de interromper um trabalho para checar as redes sociais, temos todas as condições de recuperar o foco.
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Testes de atenção em laboratório, sem distrações, mostram desempenhos semelhantes entre diferentes décadas. Isso nos aponta que a evitação de hábitos reversíveis, como a alternância de foco durante um trabalho, pode garantir a plena função da atenção. A pesquisa de Gloria Mark da Universidade da California mostra que, no mundo real, uma pessoa demorava, em meados da primeira década deste século, cerca de dois minutos e meio em uma tarefa antes de alternar para outra atividade, com ler um email, por exemplo. Em 2010 esse tempo caiu para 75 segundos e em 2020 para 47 segundos.
Além de evitar as distrações, outra forma de melhorar o desempenho da atenção é superestimar artificialmente a importância da tarefa em jogo. Pequenas pausas podem ser interessantes, em vez de ficar com um superaquecimento da máquina cerebral. Por fim, tudo isso é subordinado ao nosso estado psíquico. Ansiedade e sintomas depressivos jogam contra a atenção, assim como um sono não reparador.
*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília
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