Neurônios em dia

Pesquisa indica que trabalhos remotos ou híbridos podem ter influência negativa na saúde mental

Embora estudos apontem riscos de isolamento no home office, a chave para a produtividade e o bem-estar pode estar na liberdade de escolha e em um modelo híbrido bem planejado

Até 80% das pessoas gostariam de trabalhar em casa pelo menos uma vez por semana -  (crédito: Freepik)
Até 80% das pessoas gostariam de trabalhar em casa pelo menos uma vez por semana - (crédito: Freepik)

Muitos encontraram maior equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal com os modelos de trabalho remoto e híbrido. É claro que isso importa não só para os colaboradores, mas também para as instituições. Mentes mais equilibradas e satisfeitas no trabalho significam maior produtividade, menor absenteísmo, menor rotatividade e talvez até mais inovação quando se pensa no médio e longo prazo.

Mas será que realmente o trabalho remoto ou híbrido joga a favor da saúde mental? Um estudo publicado recentemente pela Science, e divulgado pela Scientific American, mostrou que, no longo prazo, os americanos ficaram mais isolados e tristes com esses modelos de trabalho. A pesquisa comparou o bem-estar mental de 58 mil pessoas antes e depois dos anos de pico da pandemia por COVID, 2020 e 2021. Esquemas remotos ou híbridos estiveram mais associados a indicadores de sofrimento mental, especialmente entre aqueles que vivem sozinhos.

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Enquetes apontam que até 80% das pessoas gostariam de trabalhar em casa pelo menos uma vez por semana e um conjunto de evidências sugere que a melhor forma de garantir a saúde mental é permitir que as pessoas escolham. Tanto há pessoas que não gostariam de ser forçadas a um regime presencial 100% como tem aqueles que não desejam ficar em casa, de forma arbitrária, nos cinco dias de trabalho da semana. É importante que o estudo não seja mal interpretado e que não incentive as lideranças a decidirem pelo fim do trabalho remoto, com a justificativa de que não é bom para o equilíbrio psíquico.

Há evidências de que o trabalho pode ser mais inovador quando existem encontros presenciais, mas um esquema híbrido bem gerenciado pode ser uma ótima opção. Em vez de ter colaboradores presentes na instituição de forma aleatória, alguns na segunda-feira outros na terça, por exemplo, a definição de um ou mais dias na semana em que todos se encontram pode trazer melhores resultados. Além da troca presencial com pessoas importantes em determinado projeto, o encontro com pessoas envolvidas em outros projetos e de outras áreas pode ser um combustível poderoso para novas ideias.

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

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RA
postado em 25/06/2026 16:50
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