"Minha menstruação está atrasada. O que pode ser?" "Será que estou tendo um dia difícil ou vou menstruar?" "Meu ciclo dura apenas cinco dias. Isso é normal?" "Menstruei duas vezes no mesmo mês. Devo me preocupar?" Essas são algumas das perguntas que acompanham mulheres em diferentes fases da vida e que, muitas vezes, geram ansiedade e insegurança.
Embora a menstruação seja um processo natural do organismo feminino, ainda existem muitas dúvidas sobre o que é considerado normal e quais alterações merecem atenção. A idade da primeira menstruação, a duração do ciclo, os atrasos e os sangramentos fora de época estão entre os temas que mais despertam questionamentos.
Da adolescência à menopausa, o ciclo menstrual passa por transformações influenciadas por hormônios, hábitos de vida e até fatores emocionais. Por isso, compreender os sinais emitidos pelo corpo é uma das formas mais importantes de acompanhar a própria saúde.
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Segundo a ginecologista Vitória Espíndola, do Hospital Brasília e da Maternidade Brasília, existe uma ampla faixa de normalidade quando o assunto é menstruação. "Consideramos um ciclo saudável aquele que dura entre 24 e 38 dias, contando do primeiro dia de uma menstruação até o primeiro dia da próxima. O período de sangramento deve durar de três a oito dias", explica.
A especialista ressalta que algumas mudanças podem ocorrer ao longo da vida sem representar um problema de saúde. No entanto, alterações persistentes, ausência prolongada de menstruação ou sangramentos fora do período esperado devem ser avaliados por um profissional.
A menstruação também funciona como um importante indicador da saúde feminina. Alterações na frequência, duração ou intensidade dos sangramentos podem sinalizar desde mudanças naturais do organismo até condições que exigem investigação médica. Conhecer o próprio ciclo é um passo importante para identificar esses sinais precocemente.
Fases
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Menstruação — Aponta o início do ciclo. Visto que não houve gravidez no mês anterior, os níveis hormonais caem e o endométrio é descamado. Dura de três a oito dias e, geralmente, causa fadiga, cólicas, inchaços e mudanças de humor.
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Fase folicular — É aquele momento em que você se sente mais dispostas, pois o cérebro libera hormônio FSH, estimulando o ovário e reconstruindo a parede do útero.
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Ovulação — Conhecido como período fértil, a ovulação faz com que o folículo se rompa e libere óvulo maduro em direção às trompas.
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Fase lútea — Com aumento de sensibilidade nos seios, inchaço, acne e alterações de humor e a famosa TPM, a fase é dada pelo aumento de progesterona. O hormônio prepara para um possível embrião. Caso hão haja fecundação, o corpo lúteo se desintegra e o ciclo retorna.
Ao longo da vida
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Menarca — Marco fundamental na puberdade e costuma ocorrer entre 9 e 16 anos (é bastante comum irregularidades nos primeiros ciclos menstruais, levando até anos para regularizar).
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Idade reprodutiva e fase adulta — O corpo está preparado para gerar filhos;
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Perimenopausa e menopausa — Devido à redução natural na reserva ovariana, os ciclos costumam ficar progressivamente mais curtos. A transição é por volta dos 45 a 55 anos, inicia-se a transição menopausal com ciclos irregulares até a parada definitiva da menstruação, gerando ciclos desregulados (desde muito sagramento ou, até mesmo, nenhum).
Variações
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Endometriose — Doença inflamatória crônicas em que células do endométrio crescem fora dele, podendo atingir ovários, trompas, bexigas, intestino e outros órgãs. A doença responde aos hormônios do ciclo menstrual, causando dor pélvica, cólicas intensas e, em alguns casos, infertilidade.
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Adenominose — É uma condição benigna em que o endométrio invade a camada muscular do órgão. Entre os sintomas estão, cólicas menstruais severas, sangramento intenso e inchaço abdominal.
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Síndrome dos Ovários Policísticos — Distúrbio endócrino e metabólico comum em mulheres em idade fértil. Envolve desequilíbrios hormonais que afetam a ovulação, o metabolismo e podem causar sintomas físicos e reprodutivos.
Dignidade menstrual
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A pobreza menstrual afeta cerca de 11,3 milhões de mulheres (entre 14 e 45 anos), com isso, pesquisas apontam que uma a quatro meninas faltam à escola durante o período menstrual. Ademais, quatro a cada 10 garotas faltam às aulas pelo menos uma vez ao mês por dores ou falta de absorventes.
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O programa dignidade menstrual fornece produtos de higiene, saneamento básico, infraestrutura e informação. Para obter o benefício, é necessário ter entre 10 a 49 anos e ser inscrita no Cadastro Único, ser estudante de baixa renda, estar em situação de rua ou estar em pobreza extrema.
Impacto emocional
Segundo a psicóloga Natália Aguiar, a primeira menstruação representa uma importante transição simbólica e pode despertar sentimentos diversos. “Muitas meninas vivenciam esse momento com sentimentos ambivalentes: curiosidade, medo, vergonha, orgulho e até solidão”, explica. De acordo com a especialista, quando há informação, acolhimento e espaço para diálogo, essa experiência tende a ser vivida de forma mais segura e positiva.
Ao longo da vida reprodutiva, as oscilações hormonais também podem influenciar o humor, a autoestima e os relacionamentos. Natália destaca que é natural perceber períodos de maior sensibilidade ou irritabilidade, mas alerta que o sofrimento emocional não deve ser banalizado. “Existe uma diferença entre reconhecer as variações naturais do corpo e naturalizar o sofrimento. Dor emocional recorrente e incapacitante não deve ser banalizada”, afirma. A psicóloga acrescenta que essas transformações seguem presentes até a menopausa, fase que pode trazer desafios relacionados ao envelhecimento e à identidade, mas que também pode ser vivida como um momento de ressignificação e autonomia.
Palavra do especialista
A rotina moderna, marcada por estresse, privação de sono e mudanças de hábitos, tem alterado o padrão menstrual das pacientes? Como isso costuma se manifestar?
A rotina contemporânea tem impacto direto sobre o ciclo menstrual. Situações de estresse prolongado, noites mal dormidas e mudanças intensas no estilo de vida podem interferir no equilíbrio hormonal. Isso pode levar a atrasos, ausência de menstruação ou ciclos irregulares. Em alguns casos, há também intensificação de sintomas, como cólicas e alterações no fluxo. O organismo reage a esses fatores como forma de adaptação às condições externas.
De que forma acompanhar o ciclo menstrual pode contribuir para o autoconhecimento e para a identificação precoce de problemas de saúde?
O acompanhamento do ciclo menstrual tem um papel importante no autoconhecimento. Ao registrar datas, sintomas e padrões, a mulher passa a compreender melhor o funcionamento do próprio organismo. Esse hábito também contribui para a identificação precoce de alterações que podem indicar doenças ginecológicas ou hormonais. O ciclo, nesse sentido, funciona como um parâmetro de saúde. Quanto mais cedo essas mudanças são percebidas, maior a chance de intervenção eficaz.
Como diferenciar uma variação natural do ciclo menstrual de um sintoma que exige investigação médica?
É esperado que ocorram variações ocasionais no ciclo menstrual. No entanto, alterações frequentes ou muito acentuadas devem ser investigadas. Intervalos menores que 21 dias ou superiores a 35 dias, ausência prolongada de menstruação ou sangramentos intensos são sinais de alerta. Outros sintomas, como dor importante ou sangramento fora do período, também merecem atenção. Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para descartar condições que exijam tratamento.
Camilla Pinheiro é ginecologista, obstetra da Clínica Dra. Camilla Pinheiro e do Hospital Sírio Libanês
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
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