Ralis que perduram por horas e sets que são extenuantes. O tênis é, sem dúvidas, um dos esportes mais empolgantes de se assistir, especialmente pela boa fase que tem vivido o Brasil. No entanto, o que muitos não sabem — ou até imaginam — é que essa modalidade exige uma complexidade que vai além do placar. A prática, inclusive, é destacada por trabalhar, quase que de maneira completa a saúde humana, desde explosões físicas à agilidade mental. E, assim, conquista um público fiel de praticantes e telespectadores.
O tênis combina componentes aeróbicos e anaeróbicos, tornando-se uma atividade excelente na busca por uma boa qualidade de vida. Para Leandra Batista, professora de educação física do Centro Universitário de Brasília (Ceub), é uma sinergia perfeita entre corpo e mente. "Ele exige movimentos explosivos em relação aos saques, que demandam força muscular, enquanto a elaboração de táticas para superar o oponente força o desenvolvimento de estratégias, abordando o aspecto cognitivo", detalha.
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Segundo a especialista, os treinos regulares promovem adaptações cardiovasculares fundamentais. "O fortalecimento do sistema circulatório auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares, por conta da necessidade de aumento do fluxo sanguíneo, muito exigido nos treinos e competições", explica a profissional. Contudo, a professora alerta para a importância de preparar estruturas de treino de forma específica para evitar lesões comuns, como a epicondilite — a famosa inflamação nos tendões do cotovelo que afeta os tenistas.
"Nos membros inferiores, temos um nível de exigência bastante elevado na região da panturrilha e em toda a musculatura estabilizadora do tornozelo, fundamentais nos deslocamentos laterais. Também precisamos do trabalho do core e do tronco para a estabilização na execução das técnicas e dos saques", detalha. Ela ressalta, ainda, o cuidado com os ombros. "Não podemos desconsiderar o manguito rotador, composto de estruturas responsáveis pela sustentação e rotação interna e externa do ombro."
Uma fonte da juventude
O advogado Vitor Sampaio, 32 anos, começou a jogar em 2024 e resume o sentimento de quem descobriu a modalidade já na fase adulta. "Dizem, e eu concordo, que o tênis, mais do que esporte, está próximo de uma fonte da juventude. O tênis ativa o cérebro de forma constante e ensina a lidar com erros, frustração e pressão. Você pode estar jogando bem e, em poucos pontos, perder o controle da partida. Então é preciso aprender a respirar, reorganizar o pensamento e seguir jogando."
Atualmente, ele pratica a atividade com regularidade, mantendo uma frequência que o permite evoluir tecnicamente sem comprometer sua recuperação física. "A possibilidade de conciliar os horários com as demais responsabilidades pessoais e profissionais foi fundamental para que eu conseguisse manter a prática de forma consistente nos últimos anos", completa Vitor.
Na visão do advogado, o tênis é um esporte bastante desafiador, especialmente no início. Desenvolver a técnica dos golpes, o tempo de bola e a consistência exige paciência e dedicação. "No meu caso, além do aprendizado natural do esporte, precisei lidar com interrupções ao longo da vida e com algumas limitações físicas. É um enorme desafio, mas justamente por isso ele é interessante."
A prática consistente
A resiliência desenvolvida nas quadras serve como lição para o dia a dia fora delas. Como resume o pósgraduado em fisiologia do exercício e treinamento desportivo Jorge Estrella. "O esporte ensina a lidar com desafios, a desenvolver resiliência diante das derrotas e a entender que a evolução acontece por meio da repetição e do comprometimento diário. No fim das contas, a maior lição é que o caminho percorrido, com seus erros e suas superações, é tão importante quanto o resultado final", detalha.
Para ele, a convivência em equipe e os momentos de pressão ajudam a fortalecer a inteligência emocional e a autodisciplina, habilidades essenciais nas relações pessoais, na vida acadêmica e profissional. Além disso, carrega benefícios excelentes para o corpo. "Por ser uma modalidade que alterna momentos de explosão, parada brusca e rotação, ele recruta praticamente todos os grandes grupos musculares. Promove alto gasto calórico, por ser um esporte intenso, e aprimora a coordenação motora de um modo geral", acrescenta Jorge.
E por ser uma modalidade de alta complexidade técnica, o início costuma ser um teste de paciência. Rafael Freire de Alarcão, 49, enfrentou idas e vindas no esporte devido à rotina e a limitações físicas, incluindo uma cirurgia na coluna. Há três anos, ele encontrou a regularidade ideal para continuar frequentando o esporte.
"O tênis me proporciona impactos positivos que vão muito além da atividade física. Percebo melhora no condicionamento, na mobilidade, na coordenação motora e na disposição", conta Rafael. Para o empresário, o segredo foi ajustar atividades aos limites do próprio corpo. "Durante os treinos e os jogos, consigo me desconectar das preocupações do cotidiano, aliviar o estresse e manter a mente focada no presente", finaliza.
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