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A linguagem do afeto felino: como os gatos demonstram carinho

Especialistas explicam como os gatos expressam afeto por meio de comportamentos sutis e destaca a importância de respeitar seus limites para fortalecer o vínculo com os tutores

Aika e Kalia são as gatinhas da universitária Luanna: personalidades diferentes -  (crédito: Arquivo pessoal)
Aika e Kalia são as gatinhas da universitária Luanna: personalidades diferentes - (crédito: Arquivo pessoal)

Ao contrário do que muitos imaginam, os gatos também demonstram afeto por seus tutores, embora de forma diferente da observada nos cães. Enquanto os cachorros costumam expressar carinho de maneira mais expansiva, com pulos, lambidas e euforia, os felinos recorrem a uma linguagem mais sutil, baseada em gestos que transmitem confiança, conforto e segurança.

Segundo a veterinária Ilda Mendes, comportamentos como permanecer próximo ao tutor, dormir ao seu lado, esfregar o rosto na pessoa ou realizar o chamado "piscar lento" estão entre os principais sinais de carinho. "As pessoas se confundem, às vezes, porque nem todo carinho da parte dos gatos vêm em forma de colo", explica. Para a especialista, compreender essa linguagem é essencial para fortalecer o vínculo entre tutor e animal.

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Assim como acontece com os humanos, cada gato possui uma personalidade própria e, consequentemente, uma forma particular de demonstrar afeto. Enquanto alguns buscam contato físico com frequência, gostam de colo e permanecem sempre próximos dos tutores, outros preferem demonstrar carinho apenas dividindo o mesmo ambiente ou acompanhando discretamente a rotina da família.

A especialista ressalta que respeitar essas diferenças é fundamental para uma convivência saudável. "O importante é aprender a reconhecer a linguagem daquele gato, sem compará-lo com outros. Como sempre falo, carinho só é bom quando as duas partes envolvidas gostam. Tentar forçar pode acabar afastando mais o gato", afirma.

Embora existam raças conhecidas por serem mais sociáveis, como ragdoll, maine coon, siamês e sphynx, a personalidade individual costuma ter um peso muito maior na forma como cada animal se relaciona com as pessoas. Fatores como genética, socialização durante a fase de filhote, experiências vividas e o ambiente em que o gato cresce influenciam diretamente seu comportamento.

Respeitar os limites do animal também faz parte da construção dessa relação de confiança. De acordo com a veterinária, sinais como movimentar a cauda de forma brusca, manter as orelhas abaixadas, enrijecer o corpo ou morder durante uma interação indicam desconforto e mostram que é hora de interromper o contato. Insistir nesses momentos pode gerar estresse e comprometer o vínculo entre tutor e pet.

O ambiente em que o gato vive também influencia a maneira como ele demonstra afeto. Locais tranquilos, enriquecidos e que ofereçam segurança favorecem comportamentos mais sociáveis, estimulando o animal a explorar, brincar e interagir espontaneamente. Já situações de estresse constante, como excesso de barulho, conflitos com outros animais ou ausência de esconderijos, podem fazer com que o felino se torne mais retraído e evite o contato.

Esse contexto ajuda a perpetuar um dos principais mitos sobre os gatos: a ideia de que são animais frios e indiferentes. Segundo Ilda Mendes, essa percepção está longe da realidade. Embora sejam mais independentes em alguns aspectos, os felinos criam vínculos afetivos com seus tutores, reconhecem vozes, cheiros e rotinas e buscam conforto na presença das pessoas com quem convivem.

Amor à sua maneira 

A veterinária especializada em felinos Giovanna Mazzotti reforça que um dos maiores equívocos é acreditar que o carinho dos gatos precisa se manifestar da mesma forma que o dos cães. Para ela, o principal sinal de que um felino gosta e confia em uma pessoa é a escolha espontânea de permanecer por perto. "A proximidade é muito mais importante do que o contato físico. Um gato pode amar profundamente uma pessoa e, ainda assim, não gostar de ficar no colo", explica.

Além da companhia constante, outros comportamentos também revelam esse vínculo de confiança. Deitar relaxado ao lado do tutor, encostar o corpo de maneira espontânea, esfregar a cabeça, as bochechas ou a base da cauda na pessoa e fazer o conhecido movimento de "amassar pãozinho" estão entre as principais demonstrações de afeto.

A especialista destaca ainda que alguns gatos emitem um miado característico, semelhante ao utilizado pelos filhotes para chamar a mãe, em uma frequência que muitas vezes passa despercebida pelos  humanos. Ainda assim, ela ressalta que cada felino possui sua própria maneira de demonstrar carinho.

Quando o assunto é personalidade, Giovanna explica que algumas raças costumam ser mais expansivas na demonstração de afeto. Gatos orientais, bengals e siameses, por exemplo, são conhecidos por vocalizarem mais, seguirem os tutores pela casa e buscarem contato frequente. Já persas e himalaios tendem a expressar carinho de forma mais discreta, permanecendo próximos, mas sem comportamentos tão efusivos.

Apesar dessas características, a veterinária enfatiza que a capacidade de criar laços afetivos não depende da raça. Segundo ela, fatores como a personalidade individual, a socialização durante a fase de filhote e as experiências vividas ao longo da vida exercem influência muito maior na relação entre o gato e o tutor. "A raça pode determinar alguns aspectos do temperamento, mas não o quanto o animal será capaz de gostar de uma pessoa."

A idade também interfere na forma como os gatos expressam afeto. De acordo com Giovanna, os filhotes costumam ser mais ativos, brincalhões e expansivos, demonstrando carinho por meio das brincadeiras e da busca constante pela companhia dos tutores. Com o avanço da idade, os felinos tendem a ficar mais tranquilos e passam a demonstrar esse vínculo de maneira mais serena, preferindo descansar próximos às pessoas em quem confiam.

O carinho na prática

A convivência com os gatos fez a universitária de enfermagem Luanna Corrêa perceber que cada felino possui uma forma única de demonstrar afeto. Tutora de Aika e Kalia, ela conta que as duas têm personalidades completamente diferentes, mas igualmente carinhosas. "Meus gatos são o oposto perfeito", resume. Enquanto Aika é mais reservada, silenciosa e aprecia momentos de tranquilidade, Kalia é extrovertida, extremamente carente de atenção e conhecida pelo jeito brincalhão e pelas tentativas de "roubar" comida sempre que surge uma oportunidade.

As demonstrações de carinho também acontecem de maneiras distintas. Segundo Luanna, Aika costuma inclinar o rosto em sua direção para receber beijinhos, um gesto discreto que ela aprendeu a reconhecer como sinal de confiança. Já Kalia faz questão do contato físico e gosta de descansar sobre a tutora. Para a universitária, esses comportamentos mostram que não existe uma única forma de os gatos expressarem afeto.

Antes de adotar os animais, Luanna acreditava no estereótipo de que os gatos eram frios e distantes. Com o passar do tempo, porém, sua percepção mudou. Ela conta que aprendeu que os felinos demonstram carinho de maneiras diferentes e que respeitar a personalidade de cada um é essencial para construir uma relação de confiança. "Aprendi a respeitar o espaço e a personalidade que cada um tem. Alguns são mais dependentes, outros nem tanto", relata.

Para quem ainda acredita que gatos não são animais carinhosos, Luanna deixa uma reflexão. Na sua opinião, essa percepção costuma surgir de quem nunca teve a oportunidade de conquistar a confiança de um felino. "Eu diria que quem pensa assim nunca teve a confiança de um gato conquistada", afirma.

Mais do que esperar demonstrações de afeto semelhantes às dos cães, compreender a linguagem dos gatos é o caminho para fortalecer a relação entre tutor e pet. Ao respeitar seus limites, reconhecer seus sinais e proporcionar um ambiente seguro, os tutores criam as condições para que o carinho seja demonstrado de forma espontânea, reforçando que cada felino possui sua própria maneira de demonstrar amor.

*Estágiaria sob a supervisão de Sibele Negromonte

  • Aika e Kalia são as gatinhas da universitária Luanna: personalidades diferentes
    Aika e Kalia são as gatinhas da universitária Luanna: personalidades diferentes Foto: Arquivo pessoal
  • Aika e Kalia são as gatinhas da universitária Luanna: personalidades diferentes
    Aika e Kalia são as gatinhas da universitária Luanna: personalidades diferentes Foto: Arquivo pessoal
  • Demonstrando carinho segurando o gato no colo
    Demonstrando carinho segurando o gato no colo Foto: Magnific
  • Demonstrando afeto ao gato com beijinhos
    Demonstrando afeto ao gato com beijinhos Foto: Magnific
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postado em 12/07/2026 06:00
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