
Por Isabela Costa
A relação entre o futebol e os animais não é algo inimaginável. É comum se deparar nas redes sociais com tutores de pets que batizaram seus bichinhos com nomes de jogadores em homenagem a seus ídolos. O levantamento mais recente do Pet Censo, uma pesquisa anual divulgada pela Petlove que mapeia as principais preferências, nomes e raças de animais de estimação no Brasil, revela que essa prática é bastante comum entre os fãs do esporte, dominando os lares brasileiros.
A escolha dos nomes vai além de uma simples preferência, refletindo a admiração dos torcedores por atletas que marcaram épocas e despertaram emoções dentro e fora dos gramados. Ídolos de diferentes gerações, nacionais e internacionais, como Messi, Mané e Neymar estão entre as principais inspirações para nomes de cães e gatos, segundo a pesquisa. A lista também inclui outros craques consagrados, como Pelé, Cristiano Ronaldo e Vini Jr., evidenciando como a paixão atravessa gerações e se sobrepõe aos limites dos estádios.
Enquanto Pelé representa uma figura histórica e um dos grandes símbolos do futebol brasileiro, nomes como Neymar e Vini Jr. refletem a influência de atletas que seguem em evidência entre os que vibram por eles. A presença desses jogadores entre as escolhas mais populares para nomes de pets demonstra como ídolos da área continuam exercendo forte impacto no imaginário dos torcedores, independentemente da geração.
- Leia também: Gatos asiáticos: 7 raças que conquistaram o mundo
- Leia também: American staffordshire terrier: conheça as características do cachorro dessa raça
Combinação divertida
Dona de dois gatos, Beatriz Silveira conta que o que a influenciou a nomear seus gatos de Mbappé e Messi foi a admiração que sente pelos atletas. "Escolhi Mbappé pela representatividade dentro de campo, como o jogador extraordinário que ele é, e fora de campo, sendo de família multicultural e referência para jovens negros, além de usar sua visibilidade para se posicionar politicamente e apoiar causas sociais, educação e inclusão", explica.
Já o Messi, um gato rajado de 8 meses, foi adotado para fazer companhia a Mbappé. "O Messi é brilhante! Eu sempre achei interessante como ele quebrou muitos estereótipos sobre o que se espera de um grande líder e ídolo esportivo", justifica. As escolhas mostram o apego emocional da dona ao mundo futebolístico, ultrapassando as arquibancadas.
Além da admiração, Beatriz conta que a convivência diária acabou criando comparações divertidas entre os jogadores e os gatos. Segundo ela, Mbappé tem um jeito insistente e carinhoso quando quer atenção. "O Mbappé quando quer carinho, dá mordidinhas. Eu brincava que ele era o Mbappé Zidane Suárez", relata com humor, fazendo referência a episódios marcantes envolvendo os jogadores.
Algumas pessoas nomeiam seus animais apenas pela diversão, por acharem o nome engraçado ou por assimilarem alguma característica entre o jogador e o bicho de estimação. A tutora Ester Abreu, dona de um gato chamado Bruno Henrique, compartilha que a escolha para o nome surgiu após algumas tentativas de encontrar um nome composto que combinasse com o felino.
Entre as sugestões, o nome do jogador do Flamengo chamou a atenção da família e acabou sendo escolhido pelo tom descontraído da ideia. "Nós queríamos colocar um nome composto, mas tivemos várias ideias e não combinava muito. Aí minha mãe deu a sugestão de Bruno Henrique, do Flamengo. Achamos engraçado e batizamos o gato assim", conta.
A escolha foi influenciada também pela forte paixão dos pais da tutora pelo Flamengo, um dos clubes mais populares do futebol brasileiro. "Meus pais são loucos pelo Flamengo, mas foi uma brincadeira colocar o nome dele assim", comenta.
O que começou como uma escolha descontraída acabou se transformando em uma marca da identidade do felino. Ester afirma não se arrepender da decisão e acredita que o nome combina perfeitamente com a personalidade do gato. A identificação foi tão grande que, para a tutora, já é difícil imaginar o animal sendo chamado de outra forma.
O nome do pet supera o amor pelo esporte e a diversão, provocando reações de surpresa e curiosidade entre aqueles que o descobrem. Segundo Ester, as pessoas costumam ficar inicialmente sem reação e, logo em seguida, caem na gargalhada ao conhecer o gatinho. Já os gatos Mbappé e Messi foram recebidos com entusiasmo e curiosidade por amigos e familiares de Beatriz. "No caso do Mbappé, ou a pessoa entendia ser de futebol e achava o máximo, diferentão, ou não sabiam falar e perguntavam o porquê do nome. Já o Messi é o filhotinho que veio depois. Acharam o máximo a novidade em forma de final da Copa de 22", relembra.
Entre apelidos e homenagens
As associações entre futebol e animais não acontecem apenas fora dos gramados. No universo esportivo, alguns jogadores também ficaram conhecidos por apelidos, dados por colegas, torcedores ou pela imprensa, ou nomes relacionados ao mundo animal, criando uma curiosa aproximação entre os dois espaços.
O atacante brasileiro Richarlison, atualmente no Tottenham, por exemplo, ganhou o apelido de Pombo após publicar nas redes sociais um vídeo em que imitava a ave, identificação que rapidamente foi abraçada pelos torcedores e se tornou uma das suas marcas. Já Paulo Henrique Ganso, meio-campista do Fluminense, carrega no próprio sobrenome uma referência a um animal, apelido que se destacou mais que seu nome de batismo e o tornou amplamente conhecido dentro e fora dos campos.
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
Saiba Mais

Revista do Correio
Revista do Correio
Revista do Correio