Por Daniele Felix*
Ao pensar na decoração da casa, é importante enxergar o ambiente como um todo. As paredes não ficam de fora da análise, já que são, basicamente, a moldura de cada cômodo presente no lar. Para a arquiteta Débora Bardales do StudioBade, na arquitetura, esses elementos fazem o papel de contadoras da história de um lar. Mais do que isso, revelam a personalidade de quem vive naquele espaço.
Parceira de Débora no escritório, a arquiteta Juliana Castro, reforça que o mais importante é que os elementos tenham significado afetivo para o cliente, como quadros que representam datas importantes e itens que remetem a uma memória. “Às vezes a pessoa tem uma escultura que comprou em uma viagem marcante e quer trabalhar a decoração em torno desse elemento”, destaca a especialista.
Com isso, paredes por toda a casa podem espelhar as preferências do morador, ambientes como a sala de estar, o hall de entrada, a sala de jantar, o quarto, o escritório e até o lavabo costumam receber muito bem essa atenção. Dependendo do local, algumas composições funcionam e outras não. Castro afirma que em um lavabo, por exemplo, prefere fazer mescla de elementos e colocar um revestimento ou papel de parede decorado com esculturas pequenas que casam bem. Em contrapartida, prefere montar salas com um fundo neutro e cores pouco saturadas, dando destaque apenas para os quadros e decorações.
Entretanto, elementos decorativos chamativos em paredes não cabem em qualquer cômodo, Juliana afirma que soluções mais discretas para áreas técnicas como lavanderias, dispensas ou corredores estreitos descrevem melhor o espaço. Para esses, a indicação é investir em um papel de parede que amplia o ambiente sem pesar.
A análise de um cômodo e a intenção que se quer passar são essenciais ao definir o que colocar ou não nas paredes. Segundo Bardales, uma janela ampla com vista interessante ou um revestimento diferenciado podem ser os protagonistas do espaço, sem necessidade de adicionar mais elementos. “Nem toda parede precisa ser preenchida, e esse é um dos erros mais comuns”, afirma a arquiteta.
- Leia também: Aconchego durante o frio: truques simples de decoração para época
- Leia também: A ascensão do brutalismo: a estética do concreto que voltou à moda
O que cabe na parede
Existem incontáveis formas de se montar uma parede decorada. Para quem não sabe por onde começar, a equipe Quadratti Arquitetura de Andrea Nomura e Tanara Machado destaca os papéis de parede como opção chave. “Além de valorizar a estética do projeto, permite criar atmosferas únicas por meio de diferentes padrões, cores e texturas”, afirmam as arquitetas.
Toda casa merece ser bem decorada, inclusive quando a preferência é pelo mínimo. Se o assunto são decorações minimalistas, poucos elementos de grande impacto podem ser o suficiente. “O boiserie e molduras discretas com desenho limpo e monocromático são uma boa sugestão”. Castro complementa e conta que sempre trabalha bem as texturas no papel de parede.“Quando não se coloca nada na parede, o destaque é a parede”, completa.
A arquiteta recomenda o uso da luz a favor da decoração, já que, na própria análise, colocar apenas um quadro centralizado no ambiente com uma luz natural ou uma lâmpada que valorize e dê protagonismo máximo não é fraco e tampouco sem graça. Decorações mais expressivas nem sempre precisam de muitos elementos, as profissionais da Quadratti ressaltam que é possível criar um ambiente com ar maximalista, com um grande elemento de peso, como um revestimento com pedra natural.
“A parede fica cheia de personalidade, mas não perde a sofisticação”, sugerem. Para Juliana Castro, o importante é encontrar harmonia no gosto pessoal do morador. Ela diz perceber em diferentes pessoas que, mesmo quando há muitos elementos para misturar, eles vão conversar entre si pela personalidade de cada um: “até as bugigangas da pessoa fazem sentido, têm um padrão, porque a descrevem”.
A arquiteta afirma, ainda, que qualquer elemento pode virar escultura. “Já usei violão como decoração porque o cliente gostava”, conta a especialista, que não encontra limites nas possibilidades. “Recentemente, transformei um cocar em quadro para ser colocado na parede”, relata. A solução da arquiteta é um exemplo de como criar volume com detalhes que refletem a essência de quem vive no lar.
Cores e cômodos
Uma ótima forma de deixar um ambiente mais interessante é criando contraste. “Colocar a parede em um tom sóbrio e adicionar um quadro ou escultura com uma cor mais saturada é uma composição que gosto bastante”, afirma Juliana Castro. Ideal para quem quer dar uma atenção maior ao objeto decorativo, que se destaca com um fundo pouco saturado, o plano de organização cabe em todos os gostos. O contraste pode ser com cores opostas no círculo cromático, trazendo mais diversidade ou monocromático, variando apenas os tons e dando ar minimalista.
A cozinha, por ser uma área funcional com diversos componentes técnicos ocupando as paredes, cabe menos esculturas e quadros, mas nem por isso será considerado um ambiente apático. Castro gosta de usar a funcionalidade da cozinha como decoração. “Hoje em dia têm muita opção de louças decoradas que dá pra colocar e transformar em ornamento”.
Dessa forma, a especialista propõe diversificar na escolha dos móveis e eletrodomésticos. “Se o ambiente está simples, coloco um armário vermelho e ele já muda o clima da decoração”, aconselha. Para definir a parede, o chão também pode ser amigo da composição. Ainda segundo a especialista, as paredes se tornam protagonistas da cozinha sem muito esforço se forem colocadas em acordo com a escolha do piso. Fazer uma mescla de revestimentos como um piso terracota e a parede verde ou com azulejos pintados, faz com que outros elementos não sejam necessários.
*Estagiária sob supervisão de Eduardo Fernandes
