
Por Daniele Felix*
Popularizada pelo termo impinge, algumas micoses superficiais da pele, principalmente a tinea corporis, é uma infecção causada por fungos que utilizam a queratina da pele como fonte de nutrientes. Elas podem aparecer em diversas áreas, especialmente nas partes mais quentes e com tendência a reter umidade. É necessário, portanto, ficar atento a manter partes como virilha, axilas e outras dobras secas.
O diagnóstico da doença é realizado, na maioria das vezes, pelo exame clínico. “Quando existe dúvida, podemos realizar exames simples, como a raspagem da lesão para exame micológico, que ajuda a confirmar a presença do fungo”, explica o dermatologista Alessandro Alarcão.
Paola Canabrava, dermatologista do Hospital Santa Lúcia Norte, afirma que é necessário ter cuidado em alguns lugares frequentados. “É bom higienizar o aparelho da academia, pois alguém com fungo pode ter uma lesão e passou ali”, exemplifica a médica. Outros locais, como banheiros públicos, merecem atenção extra na higiene. Andar descalço perto de piscinas também exige cuidados.
Apesar de o tratamento ser simples na maioria dos casos, uma negligência do próprio paciente pode afetar a cura e ocasionar a volta da infecção. “A aparência da pele pode melhorar antes da completa eliminação do fungo e, quando o tratamento é interrompido precocemente, existe maior possibilidade de persistência ou retorno da doença”, alerta Alarcão.
Durante o tratamento, é necessário se policiar para não coçar excessivamente as feridas. “É comum as impinges coçarem, mas, se coçar a ferida, as bactérias das unhas e até do ambiente podem entrar em contato com a pele e causar uma infecção secundária”, alerta Canabrava. As infecções costumam deixar manchas mais escuras ou claras que o tom de pele, que desaparecem com o tempo.
Quando perto de alguém ou de algum animal contaminado com fungo, o mais importante é evitar contato direto e o compartilhamento de objetos pessoais enquanto o tratamento ocorre. “É preciso lavar adequadamente lençóis, roupas de banho e toalhas depois que a pessoa utilizar”, indica Paola.
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Sinais
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Pequenas áreas avermelhadas.
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Pode apresentar descamação e coceira.
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Lesões que aumentam com o passar dos dias, muitas vezes em formato de anel.
- A borda da lesão é mais avermelhada, elevada e descamativa, com o cento aparentemente mais claro.
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No couro cabeludo, pode ter partes com perda de cabelos.
*Nem toda mancha redonda, vermelha e que coça significa uma micose, outras doenças dermatológicas podem apresentar aspectos semelhantes.
Tratamento
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O tratamento depende, principalmente, da localização, extensão e quantidade de lesões.
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Nos casos mais simples e localizados, é realizado com medicamentos antifúngicos tópicos, em creme ou outras apresentações.
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Quando as lesões são numerosas, muito extensas, recorrentes, acometem determinadas regiões ou não respondem adequadamente ao tratamento tópico, pode ser necessário utilizar antifúngicos por via oral. Essa decisão deve ser individualizada, porque esses medicamentos possuem indicações, contraindicações e possíveis interações medicamentosas.
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Em geral, o tratamento das formas localizadas leva entre duas e quatro semanas.
Prevenção
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Manter áreas da pele seca, principalmente as dobras, pois em lugares quentes e úmidos os fungos se desenvolvem mais facilmente.
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Não ficar com roupas molhadas muito tempo após banhos em piscinas ou no mar.
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Não compartilhar objetos de uso pessoal, como roupas íntimas, escovas de cabelos e toalhas.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
Palavra do especialista
Existem muitos remédios caseiros para impinge. Quais os perigos dessas práticas?
Esse é um problema muito comum. Na internet, encontramos receitas com vinagre, álcool, limão, bicarbonato, alho e diversas outras substâncias. O fato de serem produtos encontrados em casa não significa que sejam seguros para aplicação na pele. Algumas dessas substâncias são extremamente irritantes e podem provocar dermatite, queimaduras, feridas e manchas. O limão, por exemplo, quando permanece na pele e existe exposição à luz solar, pode causar uma reação importante e deixar manchas durante meses. Existe ainda outro risco: perder tempo. Enquanto a pessoa tenta sucessivos tratamentos caseiros, o fungo continua se multiplicando. A lesão pode aumentar, aparecer em outras regiões do corpo e ser transmitida para outras pessoas. A micose é uma doença infecciosa. Portanto, não basta simplesmente melhorar a coceira ou diminuir a vermelhidão. O objetivo do tratamento é eliminar o fungo. Também é importante observar alguns cuidados durante o tratamento, como evitar compartilhar toalhas, roupas e objetos pessoais, manter a região limpa e seca e lavar adequadamente roupas e toalhas que entram em contato com as lesões.
O uso de pomadas por conta própria pode piorar a lesão? Por quê?
Pode, principalmente quando a pomada contém corticoide. Esse é um dos problemas que mais observamos na prática. O corticoide é um excelente medicamento quando existe indicação correta, mas ele não é um antifúngico. Quando aplicado sobre uma micose, pode diminuir rapidamente a vermelhidão, a inflamação e a coceira. O paciente olha para a pele e acredita que está curando. Só que o fungo pode continuar presente e se multiplicando. O corticoide reduz a resposta inflamatória e a defesa local da pele. Com isso, a micose pode aumentar, tornar-se mais extensa e perder aquela aparência clássica em formato de anel. O paciente continua passando a pomada porque percebe uma melhora temporária e, quando suspende, a lesão reaparece ou piora. Existe inclusive um termo médico para essa situação: tinea incognito, que é uma micose cuja aparência foi modificada pelo uso inadequado de corticoides. Isso pode dificultar o diagnóstico e atrasar ainda mais o tratamento correto. Por isso, uma recomendação importante é evitar utilizar repetidamente pomadas por conta própria em uma lesão que não tem diagnóstico definido, principalmente aquelas que misturam corticoide, antibiótico e antifúngico. Se uma lesão está aumentando, descamando, coçando, aparecendo em outras regiões ou melhora enquanto a pomada está sendo utilizada e volta logo depois que ela é suspensa, é importante procurar um dermatologista para estabelecer o diagnóstico correto. Na dermatologia, doenças completamente diferentes podem ter uma aparência muito semelhante. Tratar primeiro e diagnosticar depois pode transformar um problema simples em uma doença muito mais difícil de controlar.
Alessandro Alarcão é dermatologista

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