Poucas estampas conseguem atravessar gerações sem perder o protagonismo. Entre idas e vindas das tendências, as listras seguem ocupando espaço nas vitrines, nas passarelas e nos guarda-roupas, mostrando que conseguem se reinventar sem abrir mão da essência que as tornou um clássico da moda. Mais do que um recurso estético, as listras acompanham diferentes estilos, ocasiões e perfis, adaptando-se facilmente às mudanças da moda e às preferências do consumidor.
Presentes tanto em produções básicas quanto em propostas sofisticadas, elas aparecem em versões discretas ou marcantes, variando em espessura, direção e combinação de cores conforme as tendências do momento. Essa versatilidade faz com que a estampa transite com naturalidade entre diferentes ambientes e propostas, mantendo-se atual sem perder o caráter atemporal que a transformou em um clássico do vestuário.
Para o stylist e produtor de moda Fernando Lackman, a longevidade da estampa está justamente na sua versatilidade. "Além disso, transitam com facilidade entre o casual e o sofisticado, o masculino e o feminino, o clássico e o contemporâneo", explica. Essa capacidade de adaptação faz com que as listras nunca desapareçam completamente das coleções, mesmo quando outras estampas assumem o protagonismo.
A cada temporada, elas surgem reinterpretadas em novas modelagens, combinações de cores e propostas de styling, acompanhando as transformações da moda sem perder sua identidade. Por isso, continuam sendo uma aposta segura para diferentes públicos e ocasiões, transitando com facilidade entre produções casuais, ambientes profissionais e eventos mais sofisticados. É justamente essa mescla que mantém a estampa relevante ao longo dos anos.
Segundo Fernando, é por isso que as listras são um clássico e uma tendência. Enquanto a estampa permanece relevante ao longo do tempo, sua apresentação acompanha as transformações da moda. Em algumas temporadas predominam versões finas e discretas; em outras, ganham espaço listras largas, coloridas, verticais, horizontais ou até desconstruídas. "A essência persiste, mas a interpretação muda de acordo com o comportamento, a moda e o desejo do consumidor. Essa capacidade de adaptação mantém as listras atuais", afirma o stylist.
Além das passarelas, as redes sociais também ajudam a manter a estampa em evidência. Looks compartilhados por influenciadores, celebridades e marcas inspiram consumidores e apresentam novas maneiras de combinar peças que, muitas vezes, já faziam parte do guarda-roupa. Fernando ressalta, porém, que o ambiente digital não criou esse fenômeno. "A internet potencializa um clássico que já existe há muito tempo e não cria ele do zero", observa.
Contudo, apesar da popularidade, ainda existem mitos sobre o uso das listras, principalmente quando o assunto é efeito visual. A ideia de que listras horizontais sempre aumentam a silhueta e verticais sempre alongam continua sendo uma das crenças mais difundidas. Para o stylist, esse tipo de regra simplifica demais a construção de um look. O resultado depende de fatores como a largura das listras, o contraste das cores, a modelagem da peça, o tecido e até a composição completa da produção. "Moda é muito mais sobre identidade do que sobre fórmulas prontas", resume Fernando, defendendo que o mais importante é entender a imagem que se deseja transmitir.
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O poder das combinações
Na hora de combinar peças listradas, a consultora de imagem e estilo Bia Matos recomenda equilíbrio. De acordo com ela, deixar a estampa como protagonista costuma ser a forma mais simples de criar um visual harmonioso. "O segredo é deixar as listras serem o ponto focal do look. A forma mais fácil é combiná-las com peças lisas, repetindo uma das cores presentes na estampa", orienta. Já quem gosta de ousar pode apostar em misturas de estampas e acessórios mais chamativos.
Nesse caso, a especialista recomenda que as peças conversem entre si, seja pela cartela de cores, seja pela proporção dos desenhos, garantindo equilíbrio ao visual. A combinação pode incluir, por exemplo, listras com estampas florais, geométricas ou xadrez, desde que exista uma harmonia entre os elementos. O resultado é uma produção mais criativa e cheia de personalidade, sem perder a coerência estética. "O importante é que, ao final, o look esteja coerente e harmônico", reforça Bia Matos.
As listras também exercem um papel importante na construção da imagem pessoal. Dependendo da espessura, das cores, da direção e da modelagem da peça, a mesma estampa pode transmitir mensagens completamente diferentes e influenciar a percepção sobre quem a veste. Enquanto algumas combinações remetem à elegância e à sofisticação, outras comunicam criatividade, modernidade ou descontração.
Segundo Bia Matos, não é apenas a estampa que define essa mensagem, mas o conjunto da produção. "A mesma estampa pode comunicar mensagens completamente diferentes dependendo das cores, da modelagem, do tecido e, principalmente, da forma como ela é combinada", explica a consultora. Dessa forma, as listras deixam de ser apenas um elemento decorativo e passam a funcionar como uma ferramenta de expressão do estilo e da identidade pessoal.
Enquanto camisas com listras finas em azul e branco costumam comunicar elegância e um estilo clássico, versões coloridas, diagonais ou com maior contraste passam uma imagem mais criativa e dinâmica. Já camisetas listradas em algodão, especialmente quando combinadas com jeans, remetem à casualidade e ao conforto. Para quem nunca usou esse tipo de estampa, Bia recomenda começar pelas versões mais neutras. Camisas e camisetas em branco, azul-marinho, preto ou bege combinam facilmente com peças lisas que já fazem parte do guarda-roupa, permitindo experimentar a tendência sem grandes mudanças no estilo.
Com o tempo, quem se identifica com a proposta pode explorar novas combinações, testar diferentes larguras de listras e investir em outras peças, como vestidos, saias e calças. Afinal, justamente por unir tradição e versatilidade, a estampa continua mostrando que alguns clássicos nunca saem de moda, apenas encontram novas formas de se reinventar.
*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Fernandes
