Beleza

Sabonete de enxofre: veja benefícios, riscos e como usar

Sabonete pode até auxiliar no controle da oleosidade e das inflamações da pele, mas não substitui o tratamento dermatológico

Sabonete de enxofre tem propriedades queratolíticas, anti-inflamatórias e antimicrobianas -  (crédito: Pexels )
Sabonete de enxofre tem propriedades queratolíticas, anti-inflamatórias e antimicrobianas - (crédito: Pexels )

Conhecido pelo cheiro característico e pela fama de "secar" espinhas, o sabonete de enxofre voltou a aparecer nas rotinas de cuidados com a pele. O produto pode, de fato, ajudar no controle da acne, mas está longe de ser uma solução única. Para funcionar sem causar irritações, é preciso considerar o tipo de pele, a intensidade das lesões e a frequência de uso.

Segundo a dermatologista Amália Coutinho, o produto é mais indicado para alguns quadros de acne associados à oleosidade. "O sabonete de enxofre funciona, sim, contra a acne, mas eu costumo dizer que a gente não pode abusar muito dele. É especialmente indicado para aquela acne do adolescente ou de um adulto jovem, que tem aquela pele muito seborreica, oleosa, ou uma acne um pouquinho mais severa, em que se formam algumas pápulas, nódulos, aquela acne mais bombadinha, um pouquinho mais avançada", explica.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

 "O enxofre funciona porque tem uma ação queratolítica, então rompe aquela primeira camadinha da pele. Pode ter uma ação anti-inflamatória e também antimicrobiana. Por isso, ele ajuda nessa situação da acne", detalha Amália. Para quadros leves, entretanto, a médica afirma que não costuma ser a primeira escolha.

Apesar de contribuir para a limpeza e o controle da oleosidade, o sabonete de enxofre não trata sozinho todos os mecanismos envolvidos na acne. "Só ele não vai ser suficiente para tratar a acne, porque ele faz a primeira etapa do tratamento, que é uma limpeza, uma higienização adequada", afirma Amália. "A gente sempre vai precisar associar um outro ativo que vai tratar um mais profundamente, que vai atuar na origem do problema, digamos assim, que é a glândula sebácea lá dentro da pele, que está muito ativa."

Entre as possibilidades, estão o ácido retinoico e o peróxido de benzoíla. Para o dermatologista Alessandro Alarcão, o ácido salicílico também pode ser interessante para comedões e oleosidade, enquanto os retinoides atuam na desobstrução dos folículos. Em casos moderados ou graves, podem ser necessários medicamentos sistêmicos, sempre com avaliação médica.

Exagero irrita

A recomendação de Amália é utilizar o sabonete uma vez ao dia. "Eu nem gosto que use duas vezes. No outro horário, se for lavar o rosto, pode usar um sabonete mais leve", reforça. O motivo é o risco de comprometer a barreira cutânea. "Se você usar em excesso, vai romper a barreira cutânea e alterar aquela flora, aquela microbiota que existe ali. Isso não é legal num tratamento de acne", explica. Ressecamento, vermelhidão, descamação e ardência são sinais de que a pele pode estar sendo agredida. "Ele vai deixar a pele mais fragilizada, se usar em excesso", alerta.

Alarcão também destaca que lavar demais não significa cuidar melhor. "Um dos maiores erros é acreditar que acne significa 'pele suja' e, por isso, lavar o rosto várias vezes ao dia ou utilizar produtos extremamente adstringentes." Segundo ele, a prática pode causar inflamação e descamação. Espremer as lesões e misturar diversos ácidos e medicamentos sem orientação também estão entre os erros frequentes.

O enxofre não é indicado para todos. Pessoas com pele sensível, rosácea ou que já utilizam produtos que deixam a pele sensibilizada, a exemplo do ácido retinoico, devem ter cautela. A dermatologista também não indica o produto para adolescentes muito novos, aqueles de 11 ou 12 anos que estão começando a apresentar acne, por considerar que pode agredir uma pele ainda muito sensível.

O uso do sabonete de enxofre não  precisa ficar restrito ao rosto. Amália afirma que o produto pode ser interessante em alguns casos de acne nas costas e de foliculite nos glúteos e nas axilas, justamente pelas ações antimicrobiana e anti-inflamatória.

Mas Alarcão faz uma ressalva: nem toda lesão nessas regiões é acne. "Muitas lesões que as pessoas chamam de 'acne' são, na realidade, foliculites, que podem ter causas bacterianas, fúngicas, irritativas ou relacionadas ao atrito e à oclusão", afirma. Por isso, antes de escolher o produto, é importante identificar o que está causando as lesões.

Calor é gatilho

O verão também pode ser um período complicado para quem sofre com acne. "Algumas pessoas percebem piora, principalmente, nos períodos mais quentes. Calor, umidade e suor podem aumentar a oleosidade e favorecer a obstrução dos folículos", explica Alarcão.

Roupas abafadas, exercícios, cosméticos inadequados e mudanças na rotina de cuidados também podem contribuir. A exposição solar, por sua vez, pode dar uma falsa impressão de melhora. "Inicialmente, algumas pessoas têm a impressão de que o Sol 'seca' as espinhas, mas esse efeito é enganoso", afirma.

Para Amália, porém, alterações hormonais e fatores emocionais podem ter peso ainda maior. "A piora da acne está relacionada, muitas vezes, a épocas de hormônios em excesso — na puberdade ou quando a pessoa começa um anticoncepcional ou interrompe um anticoncepcional que faz alteração hormonal." Outro fator muito importante para a piora de acne é estresse e ansiedade, muito mais do que uma condição climática.

Quando buscar ajuda?

Nódulos, cistos, dor, inflamação persistente, manchas e cicatrizes são sinais para procurar um dermatologista. “O ponto mais importante é não esperar a cicatriz aparecer para tratar. A acne é uma doença inflamatória e existem tratamentos muito eficazes. Quanto mais cedo controlamos a inflamação, menor tende a ser o risco de manchas e cicatrizes permanentes”, orienta Alarcão. O impacto emocional também deve ser considerado. “Se a acne começa a interferir na autoestima ou na vida social, isso também é motivo para procurar tratamento”, completa.

Cuidado com o excesso

O uso exagerado de sabonetes adstringentes e produtos ressecativos pode comprometer a barreira natural da pele e estimular ainda mais a produção de oleosidade. Espremer espinhas e fazer esfoliações físicas agressivas também pode aprofundar a inflamação e aumentar o risco de infecções e cicatrizes.

Fonte: Jonatha Diniz, dermatologista do Hospital Anchieta

  • Google Discover Icon
postado em 20/09/2026 06:00
x