
Na moda contemporânea, buscar complementos para o look é uma forma que muitos encontram de serem diferentes. Mais do que uma simples calça ou blusa, os acessórios são aquele toque criativo e ousado na hora de comunicar identidade e assumir um papel estratégico na identidade visual. Broches, anéis, colares e outros elementos saem de coadjuvantes para protagonistas, mostrando que os detalhes também importam.
Muito além de complementar uma roupa, esses componentes revelam intenções e podem chamar mais atenção do que todo o vestuário em geral. Para Mábel De Bonis, CEO da Fashion Campus Incubadora de Marcas de Moda, esses elementos, hoje, são vistos como primordiais para quem deseja mergulhar no mundo fashion.
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"A roupa constrói uma base, mas são os acessórios que, muitas vezes, imprimem a assinatura de quem a veste. Um mesmo vestido pode transitar entre o clássico e o contemporâneo, entre o discreto e o ousado, dependendo da escolha dos brincos, dos colares, dos óculos, dos sapatos ou da bolsa", destaca a especialista.
Em um cenário de consumo mais consciente, os acessórios oferecem novas possibilidades de experimentação e renovação do guarda-roupa sem a necessidade de adquirir peças novas. Para De Bonis, essa liberdade permite reinterpretar tendências sem abrir mão da própria identidade.
Entre os ornamentos que ganham fôlego, o broche ressurge com força total. Longe de ser apenas um adereço clássico de lapela, ele se reinventa nas mãos de designers e ícones da moda. Historicamente valorizado por Coco Chanel e subvertido pelo surrealismo de Elsa Schiaparelli, o broche contemporâneo transita livremente entre golas, cintos, lenços e bolsas. Aparecendo, também, em formatos curiosos, como de insetos e animais.
Essa versatilidade caminha de mãos dadas com a moda circular e com o garimpo em brechós, permitindo ressignificar jaquetas antigas ou dar nova vida a peças herdadas. "No design contemporâneo, as formas orgânicas e esculturais — vistas em passarelas como as da Miu Miu, Alaïa e Giorgio Armani — transformam o acessório em uma verdadeira obra de arte vestível", completa Mábel.
Uma expressão cultural
Indo além dos broches, os colares redesenham a arquitetura da roupa ao ocuparem uma região estratégica do olhar. Mais do que seguir regras rígidas de decotes, a sobreposição de peças e a escolha de materiais trazem personalidade à produção. "Uma simples t-shirt branca pode ganhar status de alta-costura ao ser combinada com um colar escultural, ilustrando perfeitamente o estilo hi-lo", acrescenta Mábel.
Outro recurso crucial, na visão da especialista, é observar o comprimento. Colares curtos tendem a concentrar a atenção no pescoço e na região superior do colo. Modelos médios acompanham a área do busto, enquanto os longos criam uma linha vertical que pode conduzir o olhar pelo tronco. O efeito final depende também do tamanho do pingente, da espessura da corrente, da cor e do contraste com o tecido.
"Observe como cada um altera a leitura do decote, o equilíbrio da composição e os pontos de atenção. Faça o mesmo com e sem o colar. Essa comparação ajuda a perceber quando o acessório valoriza a roupa e quando compete com ela. A sobreposição de colares também amplia as possibilidades. Correntes metálicas podem dialogar com pérolas, pedras naturais e elementos artesanais. Para criar camadas interessantes, varie os comprimentos e, se desejar uma composição mais expressiva, combine espessuras e texturas", complementa.
Vale, ainda, considerar o estilo pessoal e a ocasião. Um colar minimalista pode acompanhar uma imagem corporativa sofisticada; uma peça de design autoral pode expressar criatividade; um colar vintage garimpado em brechó pode trazer memória e singularidade. Materiais reaproveitados e criações artesanais acrescentam outras possibilidades, conectando estilo, economia criativa e moda circular.
A criatividade nos anéis
Nas extremidades da expressão corporal, as mãos também ganham protagonismo. Seja através de um anel statement de grandes proporções, seja pela sobreposição maximalista inspirada na estética boho e vista em coleções da Celine, os anéis funcionam como pequenos manifestos de identidade. Para a designer de moda Luiza Dantas, a verdadeira essência da curadoria de acessórios reside na autonomia expressiva.
"Os anéis carregam um jeito muito único de se destacarem e, ao mesmo tempo, serem muito estéticos. No gestual das mãos ou mesmo na narrativa delas, esse componente que nunca deixou de ser usado, e que continua se transformando, aparece de maneira escultural e elegante em diferentes composições visuais", acrescenta.
Seja pela sobriedade de uma única peça, seja pela sobreposição maximalista que mistura metais e referências afetivas, os anéis funcionam como pequenos sinetes de autoria. Dessa forma, eles provaram que o estilo autêntico habita justamente nas escolhas pessoais e autênticas de quem as usa.
Na visão da designer, também é importante avaliar questões como conforto e quantidade excessivas de anéis em diferentes dedos, especialmente pensando na realização de atividades diárias. Assim, observar peso e ajuste é essencial para evitar incômodos ou estresses desnecessários. "Os anéis são uma forma de expressar estilo e criatividade. Podem manifestar minimalismo, maximalismo e cultura. É um acessório que passeia pelo tempo e une tradições e histórias", finaliza.
Qual colar usar?
• Decote em V: experimente colares com pingentes ou desenhos que acompanhem o formato do decote. O comprimento pode variar conforme a profundidade da abertura e o efeito desejado.
• Decote redondo: colares curtos, gargantilhas e peças com desenho arredondado podem acompanhar a linha da roupa. Colares longos também funcionam quando a intenção é criar contraste.
• Decote quadrado: peças geométricas, gargantilhas estruturadas e colares de linhas retas podem reforçar a arquitetura do decote.
• Decote canoa ou ombro a ombro: experimente brincos marcantes ou colares curtos e discretos. Se quiser valorizar a horizontalidade do decote, um colar mais rente ao pescoço pode funcionar bem.
• Gola alta: correntes longas, colares de contas, peças esculturais ou combinações em camadas podem criar um ponto focal sobre a superfície do tecido.
• Camisa social: o colar pode aparecer sob a gola, acompanhando a abertura dos primeiros botões, ou sobre a camisa fechada, criando uma proposta mais contemporânea. Uma corrente delicada comunica discrição; uma peça robusta muda completamente a leitura da alfaiataria.
• Tomara que caia: o colo livre permite explorar gargantilhas, colares curtos ou peças de maior impacto. Também é uma boa oportunidade para deixar o pescoço sem adornos e concentrar a informação visual nos brincos.
Revista do Correio
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