A barba deixou de ser apenas uma característica do rosto masculino para ocupar um espaço importante na construção da imagem e da identidade pessoal. Curta, cheia, desenhada ou natural, ela atua como uma moldura para a face, capaz de modificar visualmente as proporções e harmonizar os traços. Longe de ser apenas um detalhe estético, o visual escolhido reflete o estilo de vida, reforça a autoconfiança e funciona como uma poderosa ferramenta de expressão individual no cotidiano.
Para o barbeiro visagista Gabriel Oliveira, o segredo de um bom desenho não está necessariamente na simetria perfeita, mas na capacidade de valorizar os traços de cada cliente. O formato do rosto também interfere diretamente nessa escolha. Segundo o barbeiro, o desejo do cliente precisa ser conciliado com as características da face e com as tendências que aparecem na estética masculina. Atualmente, ele observa uma procura por traços que transmitam força e seriedade, com maior destaque para linhas retas e uma aparência mais quadrada.
"Levamos em consideração o desejo do cliente, mas também tentando trazer para esse lado da moda masculina, que basicamente está se encaixando em um rosto mais quadrado, com linhas mais retas", afirma. Nesse processo, comprimento e volume deixam de ser apenas escolhas estéticas e passam a funcionar como ferramentas para criar equilíbrio.
Gabriel compara o trabalho do barbeiro ao de um alfaiate, que adapta cada detalhe às características de quem vai vestir a peça. "A barba e o cabelo são como roupas. A gente pode muito bem comprar uma roupa em lojas de departamento e usar como pode ir em um alfaiate e fazer algo sob medida." Para ele, essa personalização pode influenciar até a maneira como o homem se enxerga e se apresenta aos outros.
O desenho também pode criar efeitos visuais específicos. Um queixo retraído, por exemplo, pode ganhar projeção por meio do volume da barba, enquanto diferentes distribuições de cabelo e pelos ajudam a equilibrar outras regiões da cabeça e do rosto. "Com volume de barba, conseguimos projetar, criar ângulo mandibular", detalha.
A escolha do estilo ainda ajuda a transmitir diferentes propostas. Uma barba clássica tende a trabalhar com mais volume e linhas marcadas, enquanto versões modernas podem apostar em fios mais curtos e degradês. Já os estilos considerados despojados permitem maior liberdade no desenho e na combinação de elementos. "A escolha do desenho faz total diferença quando se quer criar um estilo", destaca Gabriel.
Mas manter uma barba bem desenhada não significa cuidar somente dos fios. Por baixo deles existe uma pele que continua exposta à oleosidade, ao suor, aos resíduos de produtos e às células mortas. Para a dermatologista Natasha Crepaldi, esse é um dos principais pontos que não podem ser esquecidos na rotina. A higiene diária, segundo a especialista, deve ser feita com um produto adequado ao tipo de pele.
Outro cuidado simples está na secagem. Depois do banho, é importante retirar bem a umidade dos fios e da pele, já que o excesso pode favorecer a proliferação de microrganismos. Manter a barba aparada e evitar passar as mãos constantemente pelo rosto também contribui para uma rotina mais adequada. Os problemas mais comuns podem aparecer justamente quando esses cuidados são deixados de lado. Foliculite, pelos encravados, irritação, ressecamento e descamação estão entre as ocorrências citadas pela dermatologista. Podem surgir, ainda, acne e dermatite, especialmente em situações de excesso de oleosidade ou uso inadequado de produtos.
A dermatologista ressalta que não é preciso montar uma prateleira cheia de cosméticos para manter os cuidados básicos. O primeiro passo é escolher um produto de limpeza suave e compatível com as características da pele. O hidratante pode ser incorporado conforme a necessidade, principalmente para quem apresenta ressecamento ou sensibilidade. Já o protetor solar continua importante durante o dia, especialmente nas regiões em que os fios são mais curtos ou apresentam menor densidade.
Produtos específicos para os fios, como balm e óleo, também podem fazer parte da rotina, dependendo do comprimento e das características da barba. Eles ajudam na maciez e na aparência dos pelos, mas não substituem os cuidados destinados à pele. A escolha, portanto, deve considerar principalmente o tipo de pele. Pessoas com tendência à oleosidade, acne ou foliculite precisam ter atenção redobrada com produtos muito oleosos ou oclusivos. Já as peles secas podem se beneficiar de uma hidratação mais intensa.
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Entre lâmina e máquina
O cuidado também passa pelo momento de aparar ou retirar os fios. Tanto a lâmina quanto a máquina podem provocar irritações quando utilizadas de maneira inadequada. No caso da lâmina, pequenas agressões à superfície da pele podem aumentar a possibilidade de pelos encravados e foliculite em pessoas predispostas.
Para reduzir esses riscos, Natasha recomenda evitar passar a lâmina repetidamente no mesmo local e utilizar o instrumento limpo e em bom estado. Fazer a barba com a pele completamente seca também pode aumentar o desconforto, enquanto respeitar a direção de crescimento dos pelos ajuda, principalmente, quem apresenta tendência a encravamentos.
Depois do procedimento, a recomendação é higienizar a região suavemente e hidratá-la. Quando a irritação se torna recorrente, a dermatologista orienta buscar avaliação profissional para entender a causa e adequar tanto a técnica quanto os produtos utilizados.
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
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