Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, em parceria com o Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de imagem médica capaz de ampliar a visualização do interior do corpo humano de forma rápida, detalhada e sem uso de radiação. A tecnologia, batizada de RUS-PAT, combina duas técnicas avançadas: a tomografia ultrassônica rotacional (Rust) e a tomografia fotoacústica (PAT) e pode superar limitações de exames tradicionais como ressonância magnética, raio-X e ultrassom comum.
De acordo com o estudo publicado na revista Nature Biomedical Engineering, o sistema permite mapear simultaneamente tecidos e vasos sanguíneos, produzindo imagens tridimensionais em cerca de 10 segundos, em regiões do corpo com até 10 centímetros de profundidade. Testes já demonstraram a capacidade de imagear mãos, pés e cabeça, o que abre caminho para aplicações clínicas diversas. No sistema RUS-PAT, as duas abordagens operam de forma integrada. Enquanto o Rust utiliza um arco de detectores para reconstruir imagens volumétricas em 3D dos tecidos, diferentemente do ultrassom comum, que gera imagens bidimensionais, o PAT direciona o laser para a mesma região, permitindo a visualização precisa dos vasos sanguíneos.
Abordagem vantajosa
Os pesquisadores explicam que a tecnologia se baseia em estudos anteriores da equipe, que já haviam demonstrado o uso da tomografia fotoacústica para registrar imagens da atividade cerebral. Além do ganho em qualidade de imagem, o novo método apresenta vantagens práticas. Segundo os autores do estudo, o RUS-PAT é mais barato de construir do que um equipamento de ressonância magnética, não utiliza radiação ionizante, necessária em exames como tomografia computadorizada e raio-X, e oferece informações mais sofisticadas do que o ultrassom convencional.
Para o radiologista Vitor Sardenberg, coordenador médico da Dasa RJ, líder em medicina diagnóstica no Brasil, a tecnologia representa um avanço relevante. "Diferente da tomografia e da ressonância, o RUS-PAT não utiliza radiação ionizante nem campo magnético, além de permitir exames rápidos e potencialmente mais acessíveis. Ele também vai além do ultrassom convencional ao adicionar informação funcional vascular", afirma. O especialista ressalta, no entanto, que o método não substitui os exames já consagrados. "É uma ferramenta complementar. Não veio para substituir a tomografia, a ressonância ou o ultrassom tradicional, mas para ampliar as possibilidades diagnósticas", explica.
Entre as aplicações mais promissoras apontadas por Sardenberg, estão o diagnóstico de doenças vasculares periféricas; a oncologia, especialmente na avaliação de tumores superficiais; e o monitoramento da resposta a tratamentos, tudo isso sem a necessidade de contraste e com maior segurança para o paciente.
Apesar do potencial, ainda são necessários avanços antes que o RUS-PAT seja incorporado à prática clínica. Um dos principais desafios está na aplicação da tecnologia ao cérebro, já que o crânio humano pode distorcer os sinais e dificultar a obtenção de imagens nítidas. Para contornar esse obstáculo, a equipe estuda novas abordagens, como ajustes na frequência do ultrassom, além de melhorias adicionais para garantir maior consistência na qualidade das imagens em todos os exames.
* Estagiária sob supervisão de Lourenço Flores
