Engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveram uma pílula capaz de sinalizar quando é "engolida", ajudando pacientes a seguirem corretamente seus tratamentos. A tecnologia utiliza uma antena biodegradável e um microchip de identificação por radiofrequência (RFID), permitindo uma comunicação segura e não invasiva com dispositivos externos, sem a necessidade de baterias.
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De acordo com o estudo publicado na revista Nature Communications, após a ingestão, a cápsula se dissolve no estômago e libera a antena, que passa a emitir um sinal confirmando o consumo do medicamento. Em seguida, a maior parte dos componentes se decompõe, restando apenas o microchip, que permanece ativo por um curto período e é eliminado naturalmente pelo organismo. O sistema é compatível com medicamentos já existentes e não altera sua composição nem sua eficácia, o que amplia seu potencial de aplicação clínica.
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Giovanni Traverso, professor associado de engenharia mecânica no MIT e autor principal do estudo, explicou ao Correio que o sistema é baseado em uma etiqueta RFID UHF passiva, composta por uma antena de zinco conectada a um pequeno chip. Segundo ele, quando um leitor externo emite um sinal de rádio na faixa de 902 MHz a 928 MHz, a etiqueta responde transmitindo seu identificador e informações adicionais. Essa resposta é registrada pelo sistema como um "evento de ingestão".
A cápsula é revestida por uma combinação de celulose e metal, que funciona como uma blindagem eletromagnética do tipo Faraday. Enquanto esse revestimento permanece intacto, a transmissão de radiofrequência é bloqueada, mantendo o marcador inativo. Quando a cápsula entra em contato com o fluido gástrico, o revestimento se hidrata e se dissolve, rompendo a blindagem. A partir desse momento, o marcador passivo torna-se detectável e passa a emitir sinais de radiofrequência, garantindo que a ativação ocorra apenas após a ingestão do medicamento.
Traverso explica que os materiais escolhidos são fundamentais para a segurança e a eficiência do sistema. O zinco, utilizado na antena, é um bom condutor elétrico e apresenta corrosão previsível no ambiente gástrico. A hidroxietilcelulose compõe a blindagem eletromagnética solúvel e atua como aglutinante, permitindo controlar o tempo de ativação do marcador. Já o molibdênio, assim como o tungstênio, também testado, é empregado como material de preenchimento da tinta da blindagem, oferecendo alta condutividade elétrica, forte atenuação de radiofrequência e biorreabsorção pelo organismo. "Em conjunto, esses materiais asseguram o funcionamento confiável do sistema, com dissolução controlada da cápsula e exposição segura aos seus componentes", diz.
Teste bem-sucedido
Testes realizados em um modelo animal demonstraram que o sinal de radiofrequência pode ser transmitido com sucesso a partir do interior do estômago e captado por um receptor externo a uma distância de até 60 centímetros. Segundo Traverso, os leitores externos podem ser instalados no ambiente do paciente, como no quarto, ou integrados a dispositivos vestíveis, incluindo adesivos torácicos, cintos ou outras antenas corporais, permitindo o monitoramento contínuo ou periódico e o envio dos dados de ingestão para a nuvem.
O funcionamento do dispositivo depende de um circuito integrado RFID comercial, o Impinj Monza M700, responsável pela modulação passiva, pelo armazenamento de dados e pela eletrônica de ultrabaixo consumo necessária para a transmissão das informações. Esse chip, de tamanho submilimétrico, percorre o trato gastrointestinal até ser eliminado. De acordo com Traverso, a substituição por um circuito totalmente biorreabsorvível ainda não é viável, pois essa tecnologia não está disponível com desempenho e escala adequados. "Por isso, o projeto atual combina componentes biodegradáveis na estrutura e na antena com um chip convencional extremamente pequeno, garantindo eficiência e segurança."
Estagiária sob a supervisão
de Lourenço Flores
