Quem já caminhou pelo Cerrado provavelmente passou por ele sem notar. De casca grossa e tronco tortuoso, o barbatimão pode chegar a cinco metros de altura e carrega uma longa reputação na medicina popular
Conhecido cientificamente como Stryphnodendron adstringens, pertence à família Fabaceae. Ocorre naturalmente no Cerrado e na Caatinga, além de fragmentos da Amazônia. Está presente em estados como Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Distrito Federal
A parte mais utilizada é a casca do caule e dos ramos. Segundo informações reunidas junto à Embrapa, o uso popular inclui cicatrização de feridas, tratamento de infecções em geral, doenças de pele, gastrite e inflamações. Internamente, é citado como antiulcerogênico e, externamente, como cicatrizante e anti-inflamatório
O barbatimão integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS e a Farmacopeia Brasileira. Após estudos fitoquímicos e farmacológicos, passou a constar como espécie de interesse terapêutico. No formulário de fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, aparece como cicatrizante na forma de creme
Pesquisas indicam que substâncias presentes na casca, como as proantocianidinas, inibiram o crescimento de Candida albicans em testes laboratoriais. Também foram observadas atividade antioxidante e efeito citotóxico em células de câncer de mama em ambiente experimental. Os especialistas ressaltam que os resultados ainda são preliminares e não substituem terapias convencionais
Espécie rústica, adaptada a solos pobres e ao clima seco do Cerrado, o barbatimão apresenta boa capacidade de regeneração e pode ser utilizado em paisagismo. No entanto, pesquisadores alertam que a retirada predatória da casca pode comprometer a sobrevivência da árvore. A extração deve seguir técnicas específicas, com cortes parciais e intervalos adequados para permitir a regeneração natural
Apesar da fama de planta curativa, o uso exige atenção. As sementes são consideradas tóxicas. Não se recomenda o uso da casca em casos de constipação intestinal ou em feridas profundas já infectadas. A automedicação também não é indicada
* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca