MEIO AMBIENTE

A planta que cura feridas e cresce sozinha no jardim


Presente no Cerrado e reconhecido pelo SUS, o barbatimão une tradição popular, respaldo científico e potencial terapêutico

Por Thamires Pinheiro
Sinclair Maia/Esp. CB/D.A Press

Uma árvore no cerrado

Quem já caminhou pelo Cerrado provavelmente passou por ele sem notar. De casca grossa e tronco tortuoso, o barbatimão pode chegar a cinco metros de altura e carrega uma longa reputação na medicina popular

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O que é o barbatimão?

Conhecido cientificamente como Stryphnodendron adstringens, pertence à família Fabaceae. Ocorre naturalmente no Cerrado e na Caatinga, além de fragmentos da Amazônia. Está presente em estados como Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Distrito Federal

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Uso tradicional na medicina popular

A parte mais utilizada é a casca do caule e dos ramos. Segundo informações reunidas junto à Embrapa, o uso popular inclui cicatrização de feridas, tratamento de infecções em geral, doenças de pele, gastrite e inflamações. Internamente, é citado como antiulcerogênico e, externamente, como cicatrizante e anti-inflamatório

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Reconhecimento oficial

O barbatimão integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS e a Farmacopeia Brasileira. Após estudos fitoquímicos e farmacológicos, passou a constar como espécie de interesse terapêutico. No formulário de fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, aparece como cicatrizante na forma de creme

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O que a ciência já observou

Pesquisas indicam que substâncias presentes na casca, como as proantocianidinas, inibiram o crescimento de Candida albicans em testes laboratoriais. Também foram observadas atividade antioxidante e efeito citotóxico em células de câncer de mama em ambiente experimental. Os especialistas ressaltam que os resultados ainda são preliminares e não substituem terapias convencionais

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Manejo sustentável

Espécie rústica, adaptada a solos pobres e ao clima seco do Cerrado, o barbatimão apresenta boa capacidade de regeneração e pode ser utilizado em paisagismo. No entanto, pesquisadores alertam que a retirada predatória da casca pode comprometer a sobrevivência da árvore. A extração deve seguir técnicas específicas, com cortes parciais e intervalos adequados para permitir a regeneração natural

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Cuidados necessários

Apesar da fama de planta curativa, o uso exige atenção. As sementes são consideradas tóxicas. Não se recomenda o uso da casca em casos de constipação intestinal ou em feridas profundas já infectadas. A automedicação também não é indicada

SINCLAIR MAIA/Esp. CB/D.A Press