Pesquisas recentes mostram que os polifenóis do vinho tinto interagem com a microbiota intestinal. Como não são totalmente absorvidos no intestino delgado, chegam ao cólon e passam a ser transformados pelas bactérias, favorecendo espécies ligadas a menor inflamação e melhor resposta imunológica
Análises como as publicadas no 'British Medical Journal' sugerem que o suposto benefício cardiovascular pode estar mais ligado ao estilo de vida de quem consome vinho com moderação, alimentação variada e prática de atividade física, do que à bebida em si
Segundo a nutricionista Ana Clara da Cruz Silva, essa relação existe, mas não deve ser romantizada. Há indícios de modulação positiva da microbiota, porém o impacto é pequeno e insuficiente para tratar o vinho como ferramenta de saúde
Durante décadas, o vinho tinto foi associado à proteção cardiovascular, especialmente pelo chamado paradoxo francês, que buscava explicar os baixos índices de doenças cardíacas na França apesar de uma dieta rica em gorduras
Grande parte dessa narrativa se apoia no resveratrol, presente na casca da uva e estudado pela ação antioxidante. Em laboratório, ele reduz estresse oxidativo e inflamação, mas no corpo humano a resposta é diferente. A quantidade no vinho é baixa demais para efeitos clínicos relevantes
Não existe dose considerada benéfica, apenas limites de baixo risco. Isso equivale a uma taça por dia para mulheres e até duas para homens. Acima disso, os efeitos negativos do álcool superam qualquer possível benefício, colocando o vinho entre o prazer social e o interesse científico
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes