Em 2020, a apresentadora Fátima Bernardes descobriu um câncer de endométrio durante exames de rotina. Ela fazia reposição hormonal e sua ginecologista identificou um espessamento no endométrio, o que levou à investigação detalhada. O tumor estava em estágio inicial e foi tratado com cirurgia, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia
Segundo especialistas, a reposição hormonal não é considerada a causa direta do câncer de endométrio. No entanto, em alguns casos, os hormônios podem estimular o crescimento de tumores já existentes em estágio muito inicial. Isso depende principalmente do tipo de tumor e de sua sensibilidade aos hormônios
O endométrio, revestimento interno do útero, tende a permanecer fino após a menopausa devido à queda natural do estrogênio. Quando exames mostram espessamento nessa fase da vida, é necessário investigar. O estrogênio está envolvido no desenvolvimento do câncer de endométrio, e o desequilíbrio desse hormônio pode ser fator de risco
Além da reposição hormonal, outros fatores têm maior peso no surgimento da doença. Entre eles estão obesidade, síndrome metabólica, diabetes tipo 2, síndromes genéticas e exposição a carcinógenos como álcool e cigarro. Esses elementos aumentam a probabilidade de alterações no endométrio
A oncologista Gabrielle Scattolin destaca que tumores descobertos precocemente exigem tratamentos menos agressivos e apresentam altas chances de cura. Nos casos iniciais, a cirurgia costuma ser suficiente, e a necessidade de radioterapia ou quimioterapia é menor. As chances de cura podem chegar a 90% quando o câncer é identificado cedo
Após o tratamento do câncer de endométrio, a terapia hormonal geralmente deixa de ser indicada. Existem opções não hormonais para aliviar sintomas da menopausa, como antidepressivos em doses baixas, o fezolinetanto, recentemente aprovado no Brasil, terapias locais para ressecamento vaginal, além de dieta equilibrada e exercícios físicos
*Estagiária sob supervisão de -