Segundo o cirurgião-dentista e periodontista Sérgio Braga, mestre em Periodontia, o principal objetivo da escova de dentes é remover o biofilme dental, também chamado de placa bacteriana. Quando essa remoção não acontece de forma eficiente, aumentam as chances de desenvolver problemas como cárie, gengivite e periodontite
A recomendação de trocar a escova a cada três meses é apenas uma referência. O desgaste varia conforme a rigidez das cerdas, a força utilizada e a frequência da escovação. Mais importante do que seguir um calendário é observar se a escova ainda consegue limpar os dentes de forma eficaz
O sinal mais fácil de identificar é a deformação das cerdas. Escovas com cerdas abertas ou deterioradas perdem eficácia e podem deixar placa entre os dentes. Além disso, escurecimento, desgaste na cabeça da escova e pequenos arranhões também indicam que é hora de trocar
Guardar a escova em capinhas protetoras pode parecer uma boa ideia, mas elas podem acumular sujeira, fungos e bactérias se não forem higienizadas. O ideal é mantê-la limpa e seca em um local alto, ventilado e longe dos aerossóis do vaso sanitário. Em viagens, caixas e estojos são úteis, desde que também sejam limpos com frequência
A escova também precisa de cuidados. Uma alternativa simples é deixá-la, semanalmente ou a cada quinze dias, em uma solução de um litro de água com uma colher de sopa de água sanitária. Já fervê-la não é recomendado, pois o calor pode deformar as cerdas e reduzir sua eficiência
Muitas pessoas acreditam que escovar com força garante melhor limpeza, mas isso não é verdade. A maior dificuldade está em remover corretamente a placa bacteriana, principalmente nos dentes posteriores e entre os dentes. Por isso, o uso do fio dental continua indispensável, e acessórios como passadores de fio, escovas interdentais e irrigadores bucais podem ajudar
Manter a mesma escova por seis meses não causa doenças diretamente. O problema está na perda da capacidade de remover a placa. Em condições normais, a escova abriga apenas os micro-organismos já presentes na boca. O risco maior aparece em casos de compartilhamento ou quando há infecções virais, como herpes ou HPV, já que alguns vírus podem permanecer viáveis por até 24 horas. Sérgio Braga reforça que o grande desafio é garantir uma escovação eficiente todos os dias
*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca