Animais

Por dentro da vida do texugo, um mestre das tocas


Discreto e geralmente invisível durante o dia, o texugo é um mamífero de porte médio que chama atenção por sua aparência singular e por seus hábitos reservados. Já ouviu falar?

Por Flipar
Imagem de andy ballard por Pixabay

Ele pode ser reconhecido pela cabeça com duas faixas escuras que vão do focinho até as orelhas, além da cauda curta e esbranquiçada. Embora seu tamanho possa lembrar o de alguns canídeos, o texugo possui corpo mais robusto e características anatômicas próprias.

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O texugo, aliás, raramente é visto com facilidade. Isso porque sua atividade se concentra principalmente no entardecer e durante a noite, períodos em que sai em busca de alimento, interage com outros indivíduos do grupo e realiza atividades reprodutivas.

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Seus deslocamentos costumam ser cautelosos e silenciosos, orientados sobretudo pelo olfato altamente desenvolvido, que o ajuda a detectar ameaças e localizar recursos no ambiente.

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A alimentação do texugo reflete grande capacidade de adaptação. Apesar de ser classificado como carnívoro, seu comportamento alimentar é tipicamente omnívoro e oportunista, variando conforme a estação do ano e a oferta local de alimentos.

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Ele consome uma ampla variedade de itens, incluindo frutos caídos no solo, como figos, amoras, bolotas e azeitonas, além de cogumelos, raízes, insetos, minhocas, pequenos répteis, anfíbios, aves e micromamíferos. Até mesmo minhocas!

Zoo Keepers Europe Facebook/ Reprodução

As habilidades escavadoras do texugo são outro aspecto marcante de sua biologia. Munido de garras fortes, que podem atingir cerca de 25 milímetros, ele é capaz de construir extensos e complexos sistemas de tocas conhecidos como texugueiras.

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Essas estruturas subterrâneas contam com múltiplas entradas, túneis interligados, câmaras de descanso e canais de ventilação, sendo constantemente ampliadas e modificadas conforme o crescimento do grupo familiar.

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Além das tocas, o texugo cava pequenas depressões no solo usadas como latrinas, onde deposita seus excrementos. A distribuição delas serve como importante indicador territorial e auxilia pesquisadores a compreenderem os limites das áreas utilizadas pela espécie.

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O tamanho do território ocupado por um texugo pode variar bastante de acordo com a disponibilidade de alimento e a densidade populacional. Em locais com abundância de recursos, as texugueiras podem abrigar grandes grupos, com dezenas de indivíduos.

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A reprodução do texugo envolve estratégias que aumentam as chances de sobrevivência das crias. A maturidade é alcançada por volta dos 14 ou 15 meses. Embora o acasalamento possa ocorrer em qualquer época do ano, ele é mais frequente em dois períodos específicos.

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Um dos aspectos mais curiosos da espécie é a capacidade das fêmeas de retardar a implantação do embrião por vários meses, permitindo que o nascimento aconteça na primavera, quando as condições ambientais são mais favoráveis.

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Do ponto de vista anatômico, além das garras, o texugo possui um focinho flexível que auxilia na escavação e orelhas pequenas capazes de se fechar parcialmente, evitando a entrada de terra durante o trabalho subterrâneo.

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Quanto à conservação, a espécie é considerada de menor preocupação em escala global, mas depende diretamente da preservação de habitats adequados, como áreas florestais, paisagens agrícolas diversificadas e corredores ecológicos.

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Socialmente, os texugos tendem a viver em grupos familiares estáveis, geralmente formados por um casal dominante e suas crias. Há ainda registros curiosos de comportamentos como o sepultamento de indivíduos mortos dentro das próprias tocas.

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Por fim, do ponto de vista histórico, o naturalista Carl Linnaeus chegou a associar o texugo ao consumo de mel, o que originou um antigo nome popular. Hoje, sabe-se que essa preferência é rara e não representa um hábito comum da espécie.

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