Ele pode ser reconhecido pela cabeça com duas faixas escuras que vão do focinho até as orelhas, além da cauda curta e esbranquiçada. Embora seu tamanho possa lembrar o de alguns canídeos, o texugo possui corpo mais robusto e características anatômicas próprias.
O texugo, aliás, raramente é visto com facilidade. Isso porque sua atividade se concentra principalmente no entardecer e durante a noite, períodos em que sai em busca de alimento, interage com outros indivíduos do grupo e realiza atividades reprodutivas.
Seus deslocamentos costumam ser cautelosos e silenciosos, orientados sobretudo pelo olfato altamente desenvolvido, que o ajuda a detectar ameaças e localizar recursos no ambiente.
A alimentação do texugo reflete grande capacidade de adaptação. Apesar de ser classificado como carnívoro, seu comportamento alimentar é tipicamente omnívoro e oportunista, variando conforme a estação do ano e a oferta local de alimentos.
Ele consome uma ampla variedade de itens, incluindo frutos caídos no solo, como figos, amoras, bolotas e azeitonas, além de cogumelos, raízes, insetos, minhocas, pequenos répteis, anfíbios, aves e micromamíferos. Até mesmo minhocas!
As habilidades escavadoras do texugo são outro aspecto marcante de sua biologia. Munido de garras fortes, que podem atingir cerca de 25 milímetros, ele é capaz de construir extensos e complexos sistemas de tocas conhecidos como texugueiras.
Essas estruturas subterrâneas contam com múltiplas entradas, túneis interligados, câmaras de descanso e canais de ventilação, sendo constantemente ampliadas e modificadas conforme o crescimento do grupo familiar.
Além das tocas, o texugo cava pequenas depressões no solo usadas como latrinas, onde deposita seus excrementos. A distribuição delas serve como importante indicador territorial e auxilia pesquisadores a compreenderem os limites das áreas utilizadas pela espécie.
O tamanho do território ocupado por um texugo pode variar bastante de acordo com a disponibilidade de alimento e a densidade populacional. Em locais com abundância de recursos, as texugueiras podem abrigar grandes grupos, com dezenas de indivíduos.
A reprodução do texugo envolve estratégias que aumentam as chances de sobrevivência das crias. A maturidade é alcançada por volta dos 14 ou 15 meses. Embora o acasalamento possa ocorrer em qualquer época do ano, ele é mais frequente em dois períodos específicos.
Um dos aspectos mais curiosos da espécie é a capacidade das fêmeas de retardar a implantação do embrião por vários meses, permitindo que o nascimento aconteça na primavera, quando as condições ambientais são mais favoráveis.
Do ponto de vista anatômico, além das garras, o texugo possui um focinho flexível que auxilia na escavação e orelhas pequenas capazes de se fechar parcialmente, evitando a entrada de terra durante o trabalho subterrâneo.
Quanto à conservação, a espécie é considerada de menor preocupação em escala global, mas depende diretamente da preservação de habitats adequados, como áreas florestais, paisagens agrícolas diversificadas e corredores ecológicos.
Socialmente, os texugos tendem a viver em grupos familiares estáveis, geralmente formados por um casal dominante e suas crias. Há ainda registros curiosos de comportamentos como o sepultamento de indivÃduos mortos dentro das próprias tocas.
Por fim, do ponto de vista histórico, o naturalista Carl Linnaeus chegou a associar o texugo ao consumo de mel, o que originou um antigo nome popular. Hoje, sabe-se que essa preferência é rara e não representa um hábito comum da espécie.