O Cerrado, um dos biomas mais importantes do Brasil, passa por uma degradação sem precedentes. Um artigo recente publicado na Nature Communications – com base em estudo da USP – aponta que o Cerrado passa pela maior seca em 700 anos.
Por FliparSegundo a Agência FAPESP, o aquecimento global tem afetado a região, causando um distúrbio: a temperatura do solo, ao ficar muito elevada, faz com que a água da chuva evapore antes de se infiltrar no solo.
O Cerrado também passa por um desmatamento agressivo. As pastagens cresceram 17 milhões de hectares nos últimos 38 anos, sendo 10% na última década. Além disso, o MapBiomas mostra que o Cerrado é o bioma brasileiro mais impactado pelo perda de vegetação para o plantio de soja.
Se a devastação continuar avançando no ritmo atual até 2050, o Cerrado pode perder até 34% do que ainda resta. Isto significaria a extinção de cerca de 1.140 espécies exclusivas deste bioma: oito vezes mais do que o total de plantas extintas no mundo desde o ano de 1500, quando o Brasil foi descoberto.
Segundo o MapBiomas, entre 1985 e 2024, o Brasil perdeu cerca de 111,7 milhões de hectares de áreas naturais — incluindo floresta, cerrado e outros ecossistemas — com grande parte da conversão para pastagens e lavouras, refletindo a expansão da agropecuária no período
O Cerrado perdeu cerca de 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024, o equivalente a 28% de sua cobertura original, muito disso por causa do avanço agrícola, principalmente soja e outras lavouras. ?
O Cerrado teve cerca de 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa suprimidos entre 1985 e 2024, o que representa aproximadamente 28% de sua cobertura original
Essa expansão da agropecuária no Brasil, sem organização e coordenação de práticas sustentáveis, pode destruir a fauna, a flora e degradar completamente o solo.
Uma das espécies características da fauna do Cerrado é o sapo Foguetinho, que chama atenção por saltar rapidamente para escapar de predadores, lembrando um “disparo”. Ele depende das chuvas para se reproduzir e é sensível à perda de habitat causada pelo avanço agropecuário.
O desmatamento em si já pode alterar o ciclo hidrológico natural da região, pois a Ciência mostra que a vegetação é essencial para recarregar os lençóis freáticos.
Entre 1985 e 2024, a expansão da pecuária extensiva em áreas de pastagem foi um dos principais motores da devastação ambiental no Brasil, tanto em termos de perda de vegetação nativa quanto de degradação do solo e impactos climáticos.
Nesse período, a área ocupada por pastagens cresceu cerca de 62,7 milhões de hectares (+68 %), superando em extensão a expansão das superfícies agrícolas tradicionais, que aumentaram cerca de 44 milhões de hectares (+236 %).
Em 2023, por exemplo, parte dos dados mostrou que pastagem, soja e cana juntos respondiam por cerca de 77 % da área total de agropecuária no Brasil.
As áreas de pastagem voltadas ao gado continuam predominando territorialmente em muitas regiões do Brasil. Sistemas de pecuária extensiva exigem a conversão contínua de vegetação nativa em áreas de pasto.
Sobre agricultura, o desmatamento desenfreado para plantio de soja e outros grãos aumenta diretamente a emissão de gases do efeito estufa.
O Cerrado é um dos maiores sumidouros de carbono do Brasil e sua degradação resulta no lançamento de toneladas de gás carbônico na atmosfera, aumentando a temperatura e contribuindo para o agravamento dos eventos climáticos extremos.
Além do impacto na vegetação, o desmatamento gera um problema hídrico, pois o Cerrado abastece 8 bacias hidrográficas no Brasil e 3 grandes aquíferos.
Ou seja, o Cerrado é essencialmente importante para garantir a segurança alimentar, energética e hídrica no Brasil.
Sua degradação, assim, pode afetar diretamente o fornecimento da água que chega nas torneiras dos lares e indústrias no país.
Em fevereiro de 2024, o brasileiro Márcio Cabral venceu o concursos “The Nature Photography Contest” mostrando uma planta típica do Cerrado, o “chuveirinho”. Usando técnica de light paint para iluminar as plantas, que têm hastes e flores brancas, ele conseguiu um efeito encantador. A foto se chama “Chuveirinho do Cerrado”.