Novas pesquisas arqueológicas reacenderam discussões sobre um sÃtio arqueológico que fica no atual território da Turquia.
Por FliparEmbora sua datação inicial seja de cerca de 12 mil anos atrás, novas análises sugerem que Göbekli Tepe pode ser ainda mais antiga do que se imaginava.
Desde as primeiras escavações, nos anos 1990, o local surpreendeu por apresentar enormes pilares de pedra ricamente esculpidos.
Alguns chegava a ter até seis metros de altura e mais de 20 toneladas.
Os monumentos foram erguidos por sociedades que aparentemente ainda viviam como caçadores-coletores.
Estudos recentes de estratigrafia, micromorfologia do solo e ferramentas de pedra sugerem fases de ocupação anteriores às estruturas conhecidas.
Essas descobertas reforçam a ideia de que Göbekli Tepe não seria um caso isolado, mas parte de um processo cultural no qual conhecimentos técnicos e simbólicos foram transmitidos por gerações.
O sítio desafia o modelo clássico segundo o qual a agricultura teria surgido primeiro, seguida por assentamentos permanentes e só depois por construções monumentais.
Ali, não há evidências claras de cultivo sistemático no período das grandes estruturas, mas sim de grupos organizados, capazes de mobilizar grandes contingentes humanos para projetos coletivos e rituais elaborados.
Os pilares em forma de “T”, muitas vezes interpretados como figuras humanas estilizadas, apontam para um sistema simbólico sofisticado.
Antes, esse tipo de estrutura era considerado típico de sociedades muito posteriores.
O debate também se apoia em análises microscópicas do solo, que revelaram vestígios de atividades humanas mais antigas como fogueiras, marcas de pisoteio e fragmentos de ferramentas.
Além disso, foram feitas comparações com outros sítios da Anatólia que apresentam tecnologias parecidas possivelmente ainda mais antigas.
Como mais de 90% do complexo permanece enterrado, muitos pesquisadores acreditam que o que já foi escavado represente apenas a fase final de um uso prolongado do local.
Se confirmado, isso fortaleceria a hipótese de que rituais e grandes encontros sociais tenham estimulado a experimentação agrícola para sustentar grandes grupos.
Apesar do entusiasmo, há resistência acadêmica, já que revisões cronológicas exigem múltiplas confirmações independentes.
No caso de Göbekli Tepe, as datações por radiocarbono mais sólidas ainda indicam cerca de 11.500 anos.