Durante décadas, cientistas e pesquisadores acreditavam conhecer bem as dimensões daquele que é considerado o maior planeta do Sistema Solar. Mas novas medições da missão Juno, publicadas na Nature Astronomy, revelaram que Júpiter é ligeiramente menor e mais achatado do que se pensava.
Por FliparTal revisão, embora pequena em escala absoluta, tem grande impacto científico. Afinal, redefine tabelas de referência, aprimora modelos de gravidade e rotação e até ajuda a calibrar estudos de exoplanetas.
A missão Juno, lançada em 2011 e em órbita desde 2016, coletou dados de alta precisão que permitiram revisar valores aceitos desde as décadas de 1970 e 1980.
O raio equatorial de Júpiter foi reduzido em 4 quilômetros e o raio polar em 12 quilômetros, o que significa um diâmetro 8 quilômetros menor no equador e 24 quilômetros menor entre os polos.
Para Yohai Kaspi, coautor do estudo e cientista planetário do Instituto Weizmann, em Israel, os novos dados bastam para que se atualizem materiais oficiais de ensino: “Os livros didáticos precisarão ser atualizados. O tamanho de Júpiter não mudou, é claro, mas a forma como o medimos, sim”.
A técnica usada foi a ocultação de rádio, em que sinais da sonda atravessam a atmosfera e revelam variações que permitem calcular a forma do planeta.
O método utilizado é especialmente útil em planetas com atmosferas espessas, como Júpiter, onde nuvens densas impedem observações diretas do interior.
Os cálculos também consideraram os ventos zonais, correntes atmosféricas intensas que podem alterar a distribuição de massa do planeta.
A precisão geométrica é essencial para manter a coerência entre modelos de gravidade, rotação e atmosfera de Júpiter. Assim, essas revisões ajudam a entender melhor a estrutura interna do planeta e sua composição, fundamentais para estudos planetários.
Os novos valores também têm impacto no estudo de exoplanetas, já que Júpiter serve como referência para estimar o tamanho de gigantes gasosos distantes.
A missão Juno realizou múltiplos sobrevoos, ampliando, portanto, a cobertura de latitudes e melhorando, ainda, a qualidade estatística das medições.
Com dados mais precisos, cientistas podem refinar o conjunto de hipóteses sobre a formação dos planetas gigantes e do próprio Sistema Solar.
Desse modo, refinar parâmetros básicos como raio equatorial e polar contribui para reconstruir condições presentes nas fases iniciais do Sistema Solar. Informações relevantes para o estudo da Via Láctea.
As medições mostram como missões de longa duração, como a Juno, são de fundamental importância para ampliar o conhecimento sobre planetas complexos.
A revisão das dimensões de Júpiter reforça o quão valiosa é a precisão em ciência planetária, mesmo quando as diferenças parecem de pequena relevância.
Os resultados publicados na Nature Astronomy, uma revista científica mensal de alto impacto, publicada pela Nature Research e focada em astronomia, astrofísica e ciências planetárias, consolidam Juno como uma das missões mais relevantes para o estudo de gigantes gasosos.
Com Júpiter ligeiramente menor e mais achatado, a ciência ganha parâmetros mais confiáveis para explorar não só nosso Sistema Solar, mas também mundos distantes.