Laísa Lima fez história ao se tornar a primeira mulher a liderar a bateria de uma escola de samba na Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Por FliparNo dia 14 de fevereiro de 2026, esteve à frente da bateria do Arranco do Engenho de Dentro pela Série Ouro.
“É uma história de reconhecimento e pertencimento. Espero que entendam que merecemos ocupar mais espaços dentro do carnaval”, afirmou, consciente de que rompe barreiras em um universo historicamente dominado por homens.
O Arranco desfilou com o enredo “A Gargalhada é o Xamego da Vida”, assinado por Annik Salmon, a única mulher entre os carnavalescos que se apresentaram na Sapucaí em 2026.
A escola, assim, reafirma sua identidade como uma agremiação marcada pela forte presença feminina em cargos de liderança, da presidência à criação artística.
Minutos antes de entrar na avenida, Laísa surgiu emocionada em vídeos publicados nas redes sociais.
É filha do mestre Laíla, histórico diretor da Beija-Flor de Nilópolis, e de Elaine Rosa Lemos Lima, com quem ele mantinha um relacionamento extraconjugal. Laíla era casado com Marli da Silva Ribeiro.
Laísa cresceu em Nilópolis em meio a uma família profundamente ligada à Beija-Flor.
Criada entre ensaios, gravações e a disciplina do carnaval, ela se formou em Administração e já revelou que notas baixas na escola resultavam no castigo de não poder ir ao samba.
Ao longo da trajetória, passou por escolas como Vigário Geral, Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel e Unidos da Ponte.
Em 2025, foi convidada pelo Arranco para comandar a bateria da escola, formada por cerca de duzentos ritmistas.
Antes de chegar à Sapucaí, já havia atuado como mestre de bateria nas séries de acesso, na Intendente Magalhães.
Também exerce a função de diretora de bateria da Beija-Flor.
Ao assumir o comando do Arranco, enfrentou críticas e questionamentos, inclusive insinuações de que teria conquistado o posto apenas por ser filha de Laíla.
Vale destacar que, segundo a jornalista Fábia Oliveira, em 2018, Laíla entrou com uma ação para anular a união estável com a mãe de Laísa. No processo, consta que ele a registrou ainda criança, mesmo sabendo que não era o pai biológico, para evitar escândalos.
Posteriormente, um exame de DNA confirmou a não paternidade. Ainda assim, o vínculo foi mantido em razão da relação afetiva dos dois.
Após a morte de Laíla, em 2021, vítima de complicações da Covid-19, a ação passou a ser conduzida pela viúva, Marli, e pelos filhos.
Laísa declarou que não pretendia substituí-lo no processo e reconheceu a existência de união entre ele e sua mãe. O caso segue em tramitação, com produção de provas e depoimentos.