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Parceria histórica de Selminha e Claudinho encanta na Sapucaí


Selminha Sorriso e Claudinho são ícones do Carnaval carioca e mais uma vez mostraram sua maestria no desfile da Beija-Flor de Nilópolis, que acabou em segundo lugar no último carnaval. A dupla começou a desfilar junta em 1992!

Por Flipar
Beija-Flor de Nilópolis - Rio Carnaval - Fotos Eduardo Hollanda

E, desde 1996, defende o pavilhão azul e branco, construindo uma das parcerias mais longevas do samba. Ao longo de mais de três décadas, acumulam títulos, notas máximas e reconhecimento pela técnica impecável e pela harmonia na Sapucaí.

Beija-Flor de Nilópolis - Rio Carnaval - Fotos Eduardo Hollanda

No desfile mais recente, reafirmaram sua importância na história da escola e do carnaval. Claudinho afirma que deixará para se emocionar na dispersão. Até lá, é concentração e cuidado com sua parceira.

Beija-Flor de Nilópolis - Rio Carnaval - Fotos Eduardo Hollanda

O casal de mestre-sala e porta-bandeira tem a responsabilidade de seguir uma tradição do mundo do samba e defender o pavilhão da agremiação que representa. Veja só a história!

Reprodução Arquivo Nacional

As escolas nasceram a partir do rancho carnavalesco. Em 1893, foi criado o “Rei de Ouros”, por Hilário Jovino Ferreira, que apresentou novidades como o enredo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira e o uso de instrumentos de cordas e de sopro.

Reprodução Portela

Entre 1930 e 1932, o periódico Mundo Sportivo, do jornalista Mário Filho, organizou o primeiro Desfile de Escolas de Samba, na Praça Onze. O jornal, com o término do campeonato de futebol, estava sem assunto e perdia leitores.

Reprodução do Instagram @imperatrizleopoldinenseoficial

A tradição do casal de mestre-sala e porta-bandeira foi herdada dos antigos ranchos, que possuíam os famosos balizas e porta-estandartes – quem defendia o símbolo da associação. A dança dos balizas evoluiu para gingados e rodopios do casal.

Divulgação Liga SP

De acordo com Ilclemar Nunes, em “Mestre-sala e Porta-bandeira, meneios e mesuras”, as origens da dança remontam ao ritual das meninas-moças africanas, que se preparavam para o casamento, e dos rapazes-guerreiros, que as cortejavam dançando.

Divulgação Liga SP

Por outro lado, outras pesquisas apontam que a origem se encontra no Brasil Colônia, nas festas populares ou no sepultamento de negros importantes. As tribos africanas eram identificadas por panos coloridos na ponta de paus, como bandeiras.

Agência Brasil

Por motivos de segurança, no início do século XX, homens eram responsáveis por carregar os estandartes dos ranchos, algo semelhante ao comportamento dos guardas militares. Ubaldo, da Portela, teria sido o primeiro.

Divulgação Riotur

O concurso de escolas de samba começou a despontar e com ele homens e mulheres passaram a ter seus locais definidos. De um lado o mestre-sala deveria cortejar com elegância, enquanto do outro, a porta-bandeira deveria carregar o pavilhão com leveza e dança.

Henrique Boney/Wikimédia Commons

O julgamento de mestre-sala e porta-bandeira começou a fazer parte do regulamento a partir de 1938, quando era levada em consideração apenas a fantasia. A dança, porém, começou a ser julgada somente em 1958.

Flickr Diego Araújo

Anteriormente, era comum a referência à vestimenta da corte do século XIX, mas o enredo da escola passou a influenciar a construção do que se veste. Dessa forma, a fantasia do casal ganhou novas possibilidades de adereços, formatos e recursos materiais.

Renata Barros/Wikimédia Commons

O mestre-sala possui a função de cortejar a porta-bandeira, além de mostrar e proteger, com orgulho, a bandeira de sua escola de samba. A porta-bandeira, por sua vez, tem a função de carregar e exibir a bandeira da escola, conduzindo-a com gestos leves.

Raphael David/Riotur

A função de mestre sala e porta-bandeira têm a dança inspirada no minueto, de origem francesa. Ainda no período de escravidão, os negros espiavam as danças e replicavam os passos no ritmo do batuque africano.

Beija-Flor de Nilópolis - Rio Carnaval - Fotos Eduardo Hollanda

Na dança, o mestre sala atua como o guardião do pavilhão, Ele sempre gira em torno do seu próprio eixo no sentido horário e anti-horário, sempre no sentido contrário ao que gira a porta bandeira. Tudo como uma engrenagem.

Flickr/Hime Kirara

A porta-bandeira carrega toda a ancestralidade da formação negra do samba e quando gira emana o axé de seu pavilhão. Também tem status e postura de rainha dentro de uma escola de samba, com gestos elegantes, suaves e leves.

Raphael David/Riotur

O pavilhão é o principal ícone de uma escola de samba, contêm o símbolo e nome da escola, as cores oficiais da agremiação e a data de sua fundação, tem um mastro em sua lateral e uma medida de 1m20 por 90 cm.

Divulgação Viradouro

Muitas escolas possuem projetos voltados à formação de novos mestre-salas e porta-bandeiras. Além disso, existem as agremiações mirins, cheias de crianças e adolescentes que aprendem determinado segmento e representam o futuro das escolas de samba.

Marco Antonio Cavalcanti/Riotur