Olha só essa! A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) notificou a Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio após a utilização de um drone transportando um integrante da comissão de frente durante o desfile na Sapucaí.
Por FliparO equipamento realizou quatro voos curtos sobre um tripé alegórico, mas, segundo a Anac, o transporte de pessoas é “expressamente proibido” pelo regulamento RBAC E nº 94. Ele também impõe distância mínima de segurança.
A escola, que terminou em décimo no Grupo Especial do Rio de Janeiro, tem dez dias para prestar esclarecimentos técnicos sobre o aparelho e a operação.
Apesar da décima colocação, a centenária Portela é a maior campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, com 22 títulos. Conheça a história da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira.
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, popular Portela, foi fundado em 11 de abril de 1923 no bairro de Oswaldo Cruz, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro.
As cores da escola são o azul e o branco e o símbolo da escola é uma águia, representando o brasão. A sede/quadra da Portela, onde são realizados os ensaios e outros eventos, fica em Madureira, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Uma curiosidade interessante sobre a Portela é que a escola foi a única do Rio a participar de todos os desfiles oficiais do carnaval. Além disso, a agremiação foi a primeira a desfilar no Grupo Especial, quando este foi estabelecido em 1979.
Originalmente, em 1923, a escola foi fundada como um bloco carnavalesco, chamado ‘Conjunto Carnavalesco Oswaldo Cruz’, por um grupo de moradores do bairro, incluindo Paulo da Portela.
Outra pessoa crucial para a Portela se tornar bem estabelecida na região foi Esther Maria de Jesus, também conhecida como Dona Esther. Ela costumava organizar festas em sua casa, onde sambistas como Donga, Pixinguinha e Candeia se apresentavam.
Antes de ser chamada de Portela, em 1935, a escola ainda foi chamada de “Quem nos faz é o capricho” (em 1930) e “Vai Como Pode” (em 1931). Também tem o apelido de “A Majestade do Samba”.
Inspirada na Bandeira do Sol Nascente, que o Japão utilizava até o fim da Segunda Guerra Mundial, a bandeira definitiva da Portela foi criada em 1931 por Antônio Caetano, um desenhista da Marinha e um dos fundadores da escola.
A primeira conquista veio em 1935 – ano em que recebeu o nome ‘Portela’ –, quando a escola desfilou pela quarta vez. O enredo foi “O samba dominando o mundo”. Entre 1941 e 1947, a Portela venceu sete vezes seguidas o Carnaval RJ.
Em 2017, a Portela quebrou um jejum de 33 anos e voltou a vencer, dessa vez com o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar?”, em homenagem aos rios do Brasil.
A Portela é uma escola com um forte apelo social. A escola constantemente se posiciona contra as desigualdades e a discriminação, sendo uma importante voz da comunidade negra e periférica do Rio de Janeiro.
A comunidade portelense é conhecida por sua paixão e dedicação ao samba e à escola. Diversas personalidades são (ou foram) portelenses, como Clara Nunes, Marisa Monte, Paulinho da Viola (à direita na foto), Candeia, Monarco, Noca da Portela, entre outros.
Entre os sambas-enredo mais importantes da história da Portela, destaque para “Memórias de um Sargento de Milícias”, criado por Paulinho da Viola, em 1966, que resultou em título para a escola.
Outro samba-enredo muito conhecido é “Lendas e Mistérios da Amazônia”, de 1970, que abordava temas relacionados aos povos nativos, folclores e lendas da Amazônia. O mesmo samba foi trazido de volta em 2004.
No ano de 1984, a Portela dedicou o enredo “Contos de Areia” para homenagear figuras essenciais da escola, como Paulo da Portela e Clara Nunes.
Em 2023, a escola completou 100 anos de existência e levou o enredo “O azul que vem do infinito” para a avenida. O tema percorreu a trajetória gloriosa da escola e homenageou grandes nomes, ficando na quarta posição.