Léa Garcia foi a grande homenageada do desfile que garantiu à Mocidade Alegre o título do Carnaval de São Paulo em 2026 e alcançou seu 13º título no Grupo Especial.
Por FliparCom o enredo “Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, a escola transformou a trajetória da atriz em um tributo à sua importância histórica na televisão, no cinema e no teatro brasileiros.
Na comissão de frente, a médica e vencedora do “Big Brother Brasil 20”, Thelma Assis, integrante da agremiação há mais de duas décadas, representou a artista na avenida.
O desfile também fez referência a trabalhos marcantes como “Escrava Isaura”, “Orfeu Negro” e “Quilombo”.
Léa Lucas Garcia de Aguiar nasceu em 11 de março de 1933, no Rio de Janeiro, e morreu em 15 de agosto de 2023, em Gramado, aos 90 anos.
Iniciou a carreira na década de 1950, se tornou uma das atrizes negras pioneiras do entretenimento brasileiro e recebeu diversos prêmios por suas atuações.
Inicialmente, queria ser escritora, mas tudo mudou quando conheceu o dramaturgo Abdias Nascimento, com quem teve dois filhos, Henrique Christovão Garcia do Nascimento e Abdias do Nascimento Filho.
Foi ele quem a incentivou a estrear nos palcos em 1952, na peça “Rapsódia Negra”.
Mais tarde, ela teve o terceiro filho, Marcelo Garcia de Aguiar, conhecido como Marcelão Garcia, com Armando Aguiar.
Na TV Globo, participou do primeiro programa gravado integralmente em cores no país, no episódio “Meu Primeiro Baile” do programa “Caso Especial”, exibido em 1972.
O maior sucesso da carreira veio em 1976, ao interpretar Rosa em “Escrava Isaura”, sua primeira vilã na televisão, novela da TV Globo que alcançou ampla repercussão no Brasil e no exterior.
Durante a trajetória profissional, atuou em diferentes emissoras. Na extinta TV Manchete, participou de novelas como “Dona Beija”, “Helena”, “Tocaia Grande” e “Xica da Silva”.
Na Band, esteve em “O Campeão” e na Record, integrou os elencos de “Cidadão Brasileiro”, “Luz do Sol” e “A Lei e o Crime”.
Na Globo, onde construiu a maior parte da carreira, atuou em produções como “Os Ossos do Barão”, “Fogo Sobre Terra”, “A Moreninha”, “Selva de Pedra”, “Desejo”, “Pacto de Sangue”, “Anjo Mau”, “A Viagem”, “O Clone”, “Êta Mundo Bom!” e “Sob Pressão”.
No teatro, se destacou em “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes. Inicialmente cogitada para interpretar Eurídice, optou pelo papel de Mira. Os ensaios ocorreram na residência do autor, e a estreia foi realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenários assinados por Oscar Niemeyer.
A adaptação cinematográfica da peça resultou no filme “Orfeu Negro”, dirigido por Marcel Camus, no qual Léa Garcia interpretou Serafina.
Pelo desempenho na produção, foi indicada, em 1957, ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes. O longa recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro.