Rosamaria Murtinho está em cartaz no Teatro Prio, no Rio de Janeiro, com a peça “Uma Vida em Cores”, na qual dá vida a Iris Apfel. Na montagem, a estilista surge bem-humorada, vibrante e cheia de vitalidade, enquanto a narrativa explora temas como envelhecimento, troca entre gerações e etarismo.
Por FliparIris Apfel, empresária e ícone da moda que inspira a peça, nasceu em 1921, no Queens, em Nova York, e faleceu em 2024, aos 102 anos. Tornou-se referência internacional pelo visual exuberante, pelos posicionamentos ousados e pelo estilo maximalista, marcado pelos grandes óculos redondos e por um senso de humor irreverente.
“A caracterização está muito boa, não é? Estou a cara dela! Olho no espelho e até me assusto. Quando estava estudando para o papel, queria fazer a minha visão sobre a Iris, mas ela se impôs tanto, mas tanto, que eu passei a querer ser a Iris. Fisicamente, fiz de tudo para ficar parecida, e isso me deu outra visão dela”, comentou Rosamaria Murtinho em entrevista.
A peça foi escrita e é dirigida por Cacau Hygino, que já havia criado o monólogo “Através da Iris”, protagonizado por Nathalia Timberg entre 2018 e 2020. Diferentemente da montagem anterior, que tinha formato de documentário cênico e maior carga dramática, “Uma vida em cores” aposta na comédia dramática para evidenciar o humor e a personalidade de Iris.
O autor se encantou por Iris pela internet, em 2017, e se aproximou dela após meses insistindo em cartas e telefonemas. Conseguiu conhecê-la pessoalmente e passou a visitá-la em sua casa, o que lhe permitiu aprofundar-se em sua trajetória por meio das trocas que tinham.
Na trama, Iris recebe em casa Emily, uma jovem jornalista que precisa de uma entrevista para conquistar um estágio na revista “Vogue”. A história se desenvolve a partir desse encontro, mesclando relatos curiosos da vida da designer, como a vez em que estrelou uma capa “na Índia” sem sair de Nova York, com conselhos e reflexões sobre carreira e autenticidade.
A nova montagem surgiu após Rosamaria procurar Cacau em busca de um projeto. Com a autorização de Nathalia Timberg, a ideia inicial era remontar o monólogo. No entanto, Rosamaria impôs uma condição: queria contracenar com a neta, Sofia Mendonça. O pedido levou o autor a reformular o texto e a criar a personagem Emily com base em uma história que Iris havia lhe contado.
Rosamaria afirmou em entrevista que se identificava com a história de Iris e que se inspirava em sua postura ativa e na energia que manteve até o fim da vida. Rosamaria também revelou que interpretar a designer tem sido uma experiência intensa.
Já na casa dos 90 anos, Rosamaria tem esse mesmo estilo de vida. Em 2025, depois de participar da novela “Dona de Mim”, foi protagonista do filme “É Tempo de Amoras”, dirigido por Anahí Borges, e retornou ao teatro com “Uma Vida em Cores”. Tanto no cinema quanto nos palcos, interpreta mulheres que não permitem que a idade limite seus projetos.
“Por mais que as pessoas queiram dizer que não existe, o etarismo é inerente à sociedade. Eu sinto na vida pessoal, no trabalho. Essas obras são importantes para ajudar a refletir sobre as consequências desse preconceito na vida de uma pessoa mais velha”, declarou.
Rosamaria Murtinho, nascida em Belém, Pará, em 24 de outubro de 1932, é reconhecida por sua premiada trajetória no teatro, no cinema e na televisão. Conquistou o Troféu APCA de Melhor Atriz e o Kikito no Festival de Gramado. Também foi homenageada com o Troféu Mário Lago pelo conjunto da carreira.
Ao longo de décadas, atuou nas principais emissoras de televisão do país, como Globo, Record, Band e SBT, além das extintas Rede Tupi, TV Excelsior, Rede Manchete e TV Rio. Inicialmente, pretendia estudar Direito, mas acabou se apaixonando pelo teatro e decidiu mudar de rumo profissional.
Incentivada pelo irmão, que atuava com Paulo Francis, ingressou no grupo Studio 53 e, aos 18 anos, substituiu uma atriz doente. Depois, recebeu convite para trabalhar em São Paulo, mas, sem autorização dos pais, seguiu com a mãe para Portugal, onde deu continuidade à carreira artística.
Depois, foi convidada para atuar em São Paulo, mas os pais não autorizaram a mudança. Ainda assim, acompanhada da mãe, seguiu para Portugal, onde deu continuidade à carreira artística. De volta ao Brasil, passou a conciliar televisão e teatro.
Ela é considerada uma das primeiras mocinhas da televisão brasileira. Estreou em novelas em 1964, em “A Moça que Veio de Longe”, produzida pela extinta TV Excelsior, no papel de Maria Aparecida. Desde então, integrou o elenco de mais de 40 novelas, em diferentes emissoras.
Entre os trabalhos de destaque estão “A Muralha”, “Roque Santeiro”, “Vereda Tropical”, “Cambalacho”, “Pantanal”, “Corpo Dourado”, “Estrela-Guia”, “Chocolate com Pimenta”, “Sete Pecados”, “O Astro”, “Deus Salve o Rei” e “A Dona do Pedaço”, entre outras produções.
No cinema, também construiu trajetória marcante. Atuou em filmes como “O Vigilante Rodoviário”, “Didi, o Cupido Trapalhão”, “Primeiro de Abril, Brasil”, “O Amigo Invisível”, “A Luta”, “O Trampo”, “Nossas Senhoras”, “É Tempo de Amoras” e “O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili”.
Rosamaria é casada desde 1959 com o ator Mauro Mendonça, a quem conheceu durante uma montagem teatral. O casal tem três filhos: o músico João Paulo Mendonça, nascido em 1963, o ator Rodrigo Mendonça, nascido em 1964, e o diretor de TV Mauro Mendonça Filho, nascido em 1965.