O selo foi criado em 1997 pela Associação Internacional Trapista, conhecida como ATP (Authentic Trappist Product). Trata-se de uma certificação que garante que o termo “trapista” seja usado apenas por produtos ligados oficialmente à ordem e que seguem critérios específicos de produção.
A licença do selo ATP tem validade de cinco anos e é concedida a um produto ou a uma categoria específica. Atualmente, um número limitado de países abriga abadias trapistas certificadas pela Associação Internacional Trapista (AIT). Confira quais são!
Bélgica: é o país com o maior número de abadias trapistas. Entre as mais conhecidas estão Westvleteren, Chimay (foto), Orval, Rochefort e Westmalle.
Holanda: conta com duas abadias trapistas, Zundert e La Trappe (foto). Esta última se destaca por oferecer uma variedade maior de produtos com o selo ATP, além da cerveja, como queijos, pães, chocolates e até mel.
Itália: A abadia de Tre Fontane, em Roma, é a única produtora de cerveja trapista da Itália e mantém o selo ATP. Sua produção é conhecida pelo uso de ingredientes aromáticos, como o eucalipto cultivado no próprio mosteiro.
Inglaterra- A abadia de Mount Saint Bernard, em Leicestershire, é a única produtora de cerveja trapista da Inglaterra e mantém o selo ATP. Sua cerveja mais conhecida é a Tynt Meadow, lançada em 2018 e reconhecida pela tradição monástica na produção.
Espanha: A abadia de San Pedro de Cardeña, na Espanha, produz cerveja trapista com o selo ATP. Foi a primeira do país a obter a certificação, seguindo as tradições da ordem monástica.
O selo trapista pode ser retirado quando a produção deixa de seguir as regras da ordem, como a participação direta dos monges. Esses critérios garantem a autenticidade e o controle religioso do processo. Um exemplo é a abadia de Stift Engelszell, na Áustria, que perdeu o selo em 2023.
No caso dos Estados Unidos, a abadia de St. Joseph, em Spencer, Massachusetts, foi a primeira e única trapista na América do Norte a produzir cerveja. Mas encerrou suas atividades nesse segmento e não possui mais o selo ativo.
Segundo a Associação Internacional Trapista (AIT), o produto deve seguir alguns critérios para obter o selo ATP: ser produzido dentro das paredes da abadia, ter toda a cadeia supervisionada por monges ou monjas e destinar os lucros à comunidade monástica ou a obras de caridade.
termo trapista se refere a um membro da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, também conhecida como Ordem dos Trapistas. Essa é uma ordem monástica católica que segue uma regra de vida baseada nos ensinamentos de São Bento, conhecida como a Regra de São Bento, com um foco particular na austeridade, no silêncio e na oração.
A Ordem dos Trapistas tem suas raízes no movimento de reforma cisterciense que começou no século 17 na Abadia de La Trappe, na Normandia, França. Os trapistas são conhecidos por seu estilo de vida simples e austero. Eles seguem três votos monásticos tradicionais: pobreza, castidade e obediência.
O objetivo da reforma era retornar às práticas mais rigorosas e austeras da vida monástica, conforme inicialmente estabelecidas por São Bento. Daí o nome 'trapista', derivado de La Trappe.
Além disso, muitos trapistas fazem um quarto voto de estabilidade, comprometendo-se a permanecer em um mosteiro específico pelo resto de suas vidas. A prática do silêncio é uma característica marcante da vida trapista, embora os monges não sejam completamente silenciosos, eles minimizam a fala para promover um ambiente de contemplação e oração.
Os monges trapistas também se dedicam ao trabalho manual, produzindo vários produtos como queijos, vinhos, cervejas, pães e outros itens que ajudam a sustentar seus mosteiros. Essas atividades são feitas com grande cuidado e qualidade, seguindo a tradição monástica de 'Ora et Labora' (Reza e Trabalha).