A jiboia, que media cerca de 3 metros, não atacou ninguém e aparentava estar saudável. Após o resgate, ela foi encaminhada para uma área de preservação ambiental, onde foi solta. A orientação das autoridades é que moradores não tentem capturar animais silvestres por conta própria e acionem equipes especializadas.
Em setembro de 2025, uma jiboia também surpreendeu o produtor rural Jamil Gava ao aparecer em sua propriedade, o Sítio Primavera, em Chapadinha. Assim que avistou o animal, de grande porte e comum na região, ele acionou o Corpo de Bombeiros.
A equipe chegou rapidamente, realizou a captura sem dificuldades e garantiu a remoção da cobra em segurança. O réptil, em boas condições, foi devolvido ao habitat natural, distante de áreas residenciais. Casos semelhantes são frequentes em zonas rurais do Espírito Santo, segundo as autoridades.
Um grupo de cientistas, aliás, fez uma descoberta surpreendente sobre o “bafo de jiboia”, expressão popular para o som intimidador que essa espécie de serpente emite. De acordo com o estudo, esses répteis fazem um ruído branco (sem frequência definida) e têm uma “voz” individual, ou personalizada.
A pesquisa, intitulada “Revelando o repertório acústico das jiboias: assobios que se assemelham ao ruído branco e indicam uma identidade individual”, foi publicada na revista “Behavior”. O resultado foi obtido após análise da gravação dos assobios de seis jiboias nos estados do Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco, além de Brasília, no Distrito Federal.
Os pesquisadores desconfiam que o chiado seja uma forma de as jiboias intimidarem predadores, como aves e mamíferos. A análise indicou que a espécie produz de quatro a 12 assobios por minuto diante de situações ameaçadoras e cada uma tem características próprias.
Um outro caso aconteceu no Tinguá, na Baixada Fluminense, em julho de 2024. Uma jiboia de dois metros de comprimento assustou funcionários de uma fazenda no bairro Barão de Guandu. A cobra estava perto de um lago artificial e certamente saiu da Reserva Biológica do Tinguá, que fica nas proximidades.
A Guarda Ambiental de Nova Iguaçu enviou uma equipe para resgatar a serpente e levá-la de volta ao seu habitat natural. A entidade divulgou que os imóveis construídos na região, onde existe Mata Atlântica, estão sujeitos a receber animais silvestres. A cobra foi devolvida à natureza.
O que mais causou espanto no caso que ocorreu em abril de 2026 em Búzios é que a jiboia apareceu num bairro da cidade, não numa área de mata ou numa fazenda. Geribá é um dos bairros mais badalados de Búzios. E a cobra estava na sala da residência.
A jiboia, afinal, é uma espécie de serpente amplamente distribuída, com ocorrência nas Américas, África, Ásia, Europa e até em algumas ilhas do Oceano Pacífico, o que demonstra sua grande capacidade de adaptação. Diferentemente do que muitos imaginam, ela não é venenosa e não utiliza toxinas para capturar suas presas.
Seu método de caça é a constrição, envolvendo o corpo do animal e apertando até imobilizá-lo. Os tamanhos podem variar bastante, já que existem cerca de 43 subespécies com características distintas. Algumas são menores e discretas, enquanto outras podem atingir vários metros de comprimento.