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Navio isolado e cepa rara: o que se sabe sobre o surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius


Um terceiro passageiro, um britânico, foi evacuado para a África do Sul e precisou ser internado na UTI. Uma mulher alemã morreu a bordo no dia 2 de maio, também com sintomas de pneumonia. A doença demorou semanas para ser confirmada por exames realizados na África do Sul, o que dificultou a identificação inicial do problema. Embora apenas dois casos tenham sido oficialmente confirmados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trata a situação como surto.

Por Flipar
Reproduc?a?o/SBT

Ao contrário de outros tipos de hantavírus, essa cepa pode, em casos raros, ser transmitida de pessoa para pessoa, principalmente por contato próximo. Ainda assim, a OMS classifica o risco global para a saúde pública como baixo. A chegada do navio às Ilhas Canárias gera preocupação entre autoridades locais, que temem possíveis impactos à população.

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A transmissão entre humanos é rara, com exceção do vírus dos Andes, cepa sul-americana que já demonstrou essa capacidade em surtos limitados — e que está no centro do caso do navio MV Hondius. Os sintomas iniciais lembram os de uma gripe comum, com febre, fadiga, dores musculares e dor de cabeça, mas podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave, com acúmulo de líquido nos pulmões.

jcomp/Freepik

O período de incubação varia de uma a oito semanas. Casos graves exigem internação em UTI, com suporte de oxigênio ou ventilação mecânica. Não existe tratamento antiviral específico nem vacina amplamente disponível — o manejo é de suporte, focado no controle dos sintomas e das complicações.

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O hantavírus não é uma novidade no Brasil. Nos últimos dez anos, o país registrou 457 casos confirmados e 189 mortes pela doença, o que representa uma taxa de letalidade de 41% — índice elevado e que reflete a gravidade das formas mais severas da infecção. Em 2026, já foram confirmados seis casos e um óbito no país.

Centros de Controle e Prevenc?a?o de Doenc?as/Divulgac?a?o

Apesar do cenário alarmante no cruzeiro, os dados brasileiros mostram uma tendência de queda no número de casos e mortes ao longo da última década. A distribuição dos casos, no entanto, é bastante desigual entre as regiões do país. O Sul concentra o maior número absoluto de infectados e óbitos: foram 238 casos confirmados e 77 mortes entre 2016 e 2025, com letalidade de 32,3%.

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A região Nordeste, por sua vez, registrou apenas três casos e dois óbitos no mesmo período, mas apresenta a maior taxa de letalidade regional, de 66,6% — o que indica que, embora raro na região, o vírus se mostra particularmente letal quando ocorre.

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