A “taxa das blusinhas” ficou conhecida principalmente por atingir compras baratas feitas em sites internacionais. O apelido surgiu porque muitas pessoas compravam roupas e acessórios baratos nessas plataformas.
Antes da criação da cobrança, compras internacionais de até US$ 50 tinham isenção para empresas cadastradas no programa Remessa Conforme. Isso ajudava a manter preços baixos para os consumidores.
Em agosto de 2024, porém, o Congresso Nacional aprovou a cobrança de 20% sobre essas compras. A medida acabou sendo sancionada pelo presidente Lula, apesar das críticas feitas pelo próprio governo.
Na época, a indústria brasileira defendeu a criação da taxa. Empresas nacionais alegavam que enfrentavam concorrência desigual com produtos importados vendidos por preços muito baixos.
Além do imposto federal, alguns estados também aumentaram a tributação dessas compras. Dez unidades da federação elevaram o ICMS para 20%, aumentando ainda mais os preços. A mudança afetou diretamente plataformas estrangeiras muito populares entre os brasileiros. Entre elas estavam AliExpress, Shein e Shopee.
Com os novos tributos, muitos consumidores passaram a reclamar do encarecimento das compras internacionais. Produtos considerados baratos deixaram de ter preços tão atrativos.
Críticos da medida afirmavam que brasileiros que viajavam ao exterior continuavam levando vantagem. Isso porque turistas podiam trazer produtos sem pagar os mesmos tributos cobrados nas encomendas online.
Mesmo com as críticas, a arrecadação federal cresceu com a cobrança do imposto. Apenas entre janeiro e abril de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com as encomendas internacionais.
O valor representou crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Receita Federal, também foi registrado recorde de arrecadação para os quatro primeiros meses do ano.
Então, integrantes do governo passaram a admitir que o fim da taxa estava sendo debatido internamente. O tema voltou à discussão após pressão política e reclamações de consumidores.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, confirmou que a cobrança será encerrada por meio de Medida Provisória. O governo, porém, pretende manter o programa Remessa Conforme em funcionamento.