Artes

Origami e engenharia: estudante cria estrutura capaz de resistir a cargas extraordinárias


Um estudante de 14 anos surpreendeu ao demonstrar que uma simples folha de papel pode alcançar níveis extraordinários de resistência quando dobrada de maneira estratégica. Utilizando uma variação do chamado origami Miura-ori, Miles Wu, de Nova York, criou estruturas capazes de suportar mais de 10 mil vezes o próprio peso. O projeto garantiu ao jovem o principal prêmio da competição estudantil Thermo Fisher Scientific Junior Innovators Challenge 2025, além de uma recompensa de US$ 25 mil. Mais do

Por Flipar

Apaixonado por origami desde criança, Miles começou produzindo figuras tradicionais, mas passou a explorar o potencial científico das dobraduras após conhecer estudos que relacionavam a técnica à engenharia e à tecnologia. A ideia do projeto surgiu enquanto acompanhava notícias sobre furacões e incêndios florestais, levando-o a investigar se estruturas inspiradas em origami poderiam ajudar na criação de abrigos resistentes, leves e fáceis de transportar.

Reprodução do Youtube Canal Hiromi Yasuda

Para seus experimentos, o estudante utilizou o padrão Miura-ori, desenvolvido pelo astrofísico japonês Koryo Miura. Conhecida por permitir que grandes superfícies sejam compactadas e abertas rapidamente, essa geometria já foi empregada em painéis solares de satélites e outras aplicações espaciais.

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Miles produziu 54 versões diferentes da estrutura, variando medidas e utilizando três tipos de papel. Ao todo, realizou 108 testes, submetendo os modelos a cargas cada vez maiores. O que começou com livros evoluiu para panelas de ferro fundido e pesos de academia, à medida que as estruturas continuavam resistindo.

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Os resultados foram impressionantes. A configuração mais eficiente suportou mais de 10 mil vezes o próprio peso. Além disso, os testes mostraram que o papel comum de impressora apresentou a melhor relação entre resistência e massa, superando materiais mais espessos em eficiência. A pesquisa reforça um princípio importante da engenharia: o desempenho de uma estrutura depende não apenas do material utilizado, mas também da forma como ela distribui as forças. No caso de Miles Wu, uma técnica milena

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O origami é uma arte tradicional japonesa baseada na criação de figuras por meio de dobras em papel, sem o uso de tesouras ou cola. Embora seja amplamente associado ao Japão, suas origens remontam à China, onde o papel foi inventado por volta do século 2. A técnica chegou ao território japonês séculos depois e passou a se desenvolver de forma própria, tornando-se uma importante expressão cultural do país.

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A palavra 'origami' deriva da junção dos termos japoneses oru (dobrar) e kami (papel). Durante muito tempo, a prática esteve ligada a cerimônias religiosas e ocasiões especiais, já que o papel era um material raro e valioso. Com a popularização de sua fabricação, o origami passou a ser difundido entre diferentes camadas da população e ganhou caráter educativo e recreativo.

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Ao longo dos séculos, diversas figuras tradicionais se consolidaram na prática do origami. Entre as mais conhecidas está o tsuru, ou grou japonês, ave que simboliza longevidade, paz e boa sorte na cultura japonesa. A lenda das mil aves de papel, conhecida como senbazuru, tornou-se um símbolo mundial de esperança, especialmente após a história de Sadako Sasaki, menina vítima da bomba atômica de Hiroshima que tentou dobrar mil tsurus enquanto lutava contra a leucemia.

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No século 20, o origami passou por uma transformação significativa graças ao trabalho do artista japonês Akira Yoshizawa. Considerado o pai do origami moderno, ele criou milhares de modelos inéditos e desenvolveu um sistema de símbolos para representar as dobras em diagramas, método que continua sendo utilizado por praticantes em todo o mundo.

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Além de sua dimensão artística, o origami também despertou interesse científico. Pesquisadores descobriram que os princípios geométricos presentes nas dobraduras podem ser aplicados em áreas como engenharia, arquitetura, robótica e medicina. Estruturas inspiradas em origami já foram utilizadas no desenvolvimento de painéis solares para satélites, dispositivos médicos minimamente invasivos e projetos de construção capazes de se expandir ou se retrair conforme a necessidade.

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Estudos apontam ainda benefícios cognitivos associados à prática. A atividade estimula habilidades como concentração, coordenação motora, percepção espacial, raciocínio lógico e resolução de problemas. Por esse motivo, o origami é frequentemente utilizado em ambientes educacionais como ferramenta de aprendizagem, especialmente em disciplinas relacionadas à matemática e à geometria.

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Atualmente, o origami é praticado em diversos países e continua evoluindo com o auxílio de novas tecnologias e pesquisas acadêmicas. O que começou como uma simples técnica de dobrar papel tornou-se uma combinação singular de arte, ciência e criatividade, demonstrando como conceitos aparentemente simples podem gerar aplicações complexas e inovadoras em diferentes áreas do conhecimento.

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